Quantos problemas tem a cidade que o eleitor desse domingo vai confiar aos dois finalistas da corrida eleitoral? Quantos irão somar o maio...

Eleições 2020: Qual o problema?

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Quantos problemas tem a cidade que o eleitor desse domingo vai confiar aos dois finalistas da corrida eleitoral? Quantos irão somar o maior número com o mesmo problema? Melhor ainda: quantos, independente de seu problema ou de sua simpatia, vão aplicar o recurso do voto no problema do maior número?
Talvez eu pertença a um grupo cujas queixas estejam, há tempo, dispensadas de vir à tona. Do grupo privilegiadíssimo dos octogenários mantidos, com sofreguidão, pela Previdência; morando em casa própria, sem luxo, mas bem situada; fazendo as refeições do seu gosto, que nunca foram além do frugal, e podendo dizer como o legendário José Américo: “o que me falta não faz falta”.
A estes, cumpre votar (caso queira, já que a idade não mais nos obriga) pelo problema do outro. E aí vai depender, não da minha saúde ou da minha pele, mas certamente da minha consciência. Que tipo de consciência – é outra questão e talvez a principal.

Há consciências que só descobrem o outro à base de choque como esse acontecido com o negro gaúcho marretado até a morte na porta de um supermercado e às vistas de todos. Ninguém para acudir, nem mesmo quem era de obrigação como a polícia. Nisso a globalização é bem distribuída, não distingue entre povos ou nações ricas ou pobres.

Acudir, para onde levaram esta palavra, onde o comportamento urbano a escondeu? Ah, primo Justo, grande primo Justo, como você ainda vive, morto há mais de cinquenta anos! Era de sítio brejeiro, não urbano. E não morreu entre as brigas que apartou; morreu de velho, não fazendo mais que fechar os olhos já cobertos de pasta.

Uma boa, nesta hora, seria que entre os grandes e pequenos problemas nos fixássemos, já não digo no mais imediato que é a subsistência, mas no mais proveitoso, mais consequente que é o da formação educacional do homem e da sociedade geral.

Não nos tem faltado a receita, como a de Anísio Teixeira a partir dos anos 30 e a de Paulo Freire trinta anos depois. Fruto reflexo de Anísio, tivemos aqui o Liceu de que tanto falam Carlos Pereira, Martinho Moreira Franco, Ângela Bezerra de Castro, Paulo Melo, exemplos de preparo cultural e profissional sem necessidade da ida a Oxford. E na forma civilizada e humana de se comportarem.

Como o peso do ensino básico recai nas prefeituras, cresce a responsabilidade dos que priorizam a educação. Não houve uma reflexão sobre o que fazer e como fazer. Só nos restaria, assim, examinar a experiência, saber o que fez a Prefeitura para, em gestão passada ser bem vista pela Unicef.


Gonzaga Rodrigues é escritor e membro da APL


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  1. Parabéns👏👏👏Gonzaga Rodrigues❗Gostei de sua narrativa consciente ...que seu texto expressa.
    Paulo Roberto Rocha

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