Não sejamos ingênuos diante de tantos discursos e palavras amigáveis. Não é com qualquer um que devemos desabafar. A solidão, por vezes, nos obriga a isso. Os mais vulneráveis a cair nas artimanhas do verbo são aqueles que não aprenderam a conviver com as perguntas. Estamos cada vez menos afeitos à reflexão.
Arte: La Tour, 1639 ▪ MetMuseum, NY
Para todo texto deve haver um contexto. Precisamos estar cientes de que nosso discurso envolve personagens, tempo, lugar. Confiamos demais em quem nos gosta de menos. Quantas vezes, no calor da empolgação, nós manifestamos com alegria e o outro não se felicita por nós? É porque esse outro está literalmente alheio ao que nos circunda e não compreende a importância dos fatos. Ou, nutre inveja que resulta da própria frustração.
A inveja consiste em negar o sucesso do próximo. Nas palavras de Machado de Assis: “A inveja é a admiração que luta”. Esta é pior que a cobiça. Quando cobiçamos, queremos possuir
Arte: La Tour, 1635 ▪ Louvre, Paris
Com tantos frustrados, ensimesmados, individualistas, egoístas ou como queiram chamar, é difícil estabelecer um diálogo. O melhor é seguir. Prosseguir numa observância de 360º. Não apenas olhar para frente, tampouco para trás, mas buscar a compreensão do todo. Assimilar a filosofia de que o importante é estarmos conciliados com nossas escolhas.
Será essa autonomia interior que nos proporcionará felicidade. Não precisamos da autorização alheia para sorrir, chorar. Temos o direito de ser frágeis. É difícil atingir essa maturidade de nos posicionarmos de forma indiferente aos sorrisos amarelos das pessoas que nos tratam com descaso diante do nosso riso ou choro porque, muitas vezes, trata-se até daqueles que amamos. A vida nos ensina(rá) que a contenção da fala é tão necessária quanto o esbanjamento de emoções.
Arte: La Tour, 1640 ▪ National Gallery, Washington









