“E então a escrita tornou-se tão fluida que eu às vezes me sentia como se estivesse a escrever pelo simples prazer de contar uma história,...

O prazer da escrita e 'O Mulato Inzoneiro'

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“E então a escrita tornou-se tão fluida que eu às vezes me sentia como se estivesse a escrever pelo simples prazer de contar uma história, que pode bem ser a condição humana que mais se assemelha à levitação”.
Gabriel Garcia Marques

Gostei de seu “Mulato Inzoneiro”, principalmente pela constatação do seu à vontade de narrar acontecimentos, peripécias e estripulias inicialmente vividas, como bem diz Cláudio José Lopes Rodrigues, quando menciona o despertar de seu espírito aventureiro, dizendo que “Nossa primeira viagem pelo Brasil, a bordo de um fusquinha, ocorreu no início de 1970, para Fortaleza, capital do vizinho Ceará, cerca de 690 quilômetros da capital paraibana.
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Uma agradável curtição com Inês Caminha e Dalva Soares de Araújo, nossa amiga e minha colega de turma da Faculdade de Direito.”

Depois, muitas viagens se seguiram no mesmo fusquinha, para o Rio de Janeiro e outras plagas.

Tiveram a sorte de àquela época haver uma certa segurança que encorajava os viajantes por terra, nesse “Brasilzão”.

Recém investido no cargo de professor universitário, em uma fase em que a Universidade Federal da Paraíba se encontrava no alvorecer de um processo desenvolvimentista que marcaria época, Cláudio viu-se estimulado a vivenciar esse clima de busca de melhores experiências que ajudassem a fortalecer o trabalho de todos que integravam a instituição, nessa época, buscando pós-graduação dentro e fora do País.

A essa busca, juntou-se um espírito aventureiro e corajoso que o levaram para terras que não a sua, vivenciando sonhos, desbravando ambientes além fronteiras.

“Diário não diário” é, na verdade, um diário de bordo. Cláudio, tomado talvez pelo espírito aventureiro que, decerto, herdou de seu bisavô guerreiro que teve “avoenga participação na Guerra da Tríplice Aliança, integrando as fileiras dos briosos ‘Voluntários da Pátria’...”, não se furtou de cumprir a obrigação maior que se impõe a um timoneiro, registrando o dia a dia de sua navegação.

A bordo de um intimorato fusquinha saiu a navegar mundo afora, vivenciando experiências que deixaram marcas indeléveis na sua vida. E o bisneto do herói paraibano singrou terras e mares, “...nas eternas Naus do Sonho, de Oropa, França e Bahia”..., como diz o poeta pernambucano Ascenso Ferreira.

A fluidez de suas lembranças escorrem no texto prazerosamente, quase em levitação.

A sua bagagem está repleta de encantos, experiências e contos, que chegam às nossas mãos pelos seus “Diários não diários”.

É memória, é documento produzido com prazer de cronista, é descrição de um tempo de sua vida, de fatos da profissão que envolveram ação, coragem e desprendimento, sempre em terras que não a sua, concretizando sonhos que hoje são vistos com a tranquilidade de um vencedor.


Raquel Nicodemos Costa é mestre em literatura brasileira e professora
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  1. Bravo !!Raquel Nicodemos Costa...foi um bravata mesmo!!
    Parabéns👏🏻👏🏻👏🏻
    Paulo Roberto Rocha

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    Respostas
    1. Raquel A. N. da Costa11/11/20 11:22

      Obrigado pelos comentários.

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