Os havelis são opulentas e expressivas mansões tradicionais indianas, especialmente famosas no norte do país, em regiões como o Raja...

Havelis, portais para o passado

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Os havelis são opulentas e expressivas mansões tradicionais indianas, especialmente famosas no norte do país, em regiões como o Rajasthan (estado que faz fronteira com o Paquistão), Gujarat (estado localizado no extremo oeste da Índia) e em Haryana (estado localizado na parte noroeste do país). Também existem no Paquistão, no Nepal e no Bangladesh.

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Fachadas ricamente esculpidas e janelas em pedra rendada revelam o charme dos antigos havelis de Jaipur, na Índia, erguidos entre os séculos XVIII e XIX. Nessas casas tradicionais do Rajastão, pátios internos e varandas preservam a memória da vida aristocrática da “Cidade Rosa”.
Na origem, a palavra haveli advirá de uma palavra persa, hawali, e significa “mansão” ou “recinto privado”. Essas construções surgiram entre os séculos XVIII e XIX, durante o auge do comércio e da prosperidade das famílias mercantes indianas, especialmente as castas de comerciantes marwaris (influente grupo etnolinguístico indo-ariano originário da região de Marwar, no Rajasthan) e baniya (comunidade composta por comerciantes e agricultores).

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Haveli Omar Hayat Mahal, mansão construída entre 1923 e 1935, na cidade de Chiniot, Paquistão. Com quatro pavimentos, o edifício destaca-se pela decoração exuberante: pinturas murais, vitrais, espelhos e rica talha em madeira, combinando influências islâmicas, hindus e europeias. É considerado um dos exemplos mais notáveis da arquitetura ornamental paquistanesa no início do século XX.
Os havelis são verdadeiras obras de arte de arquitetura indiana, combinando elementos hindus, muçulmanos e rajput (clãs guerreiros patrilineares, conhecidos por um forte espírito de bravura e honra pessoal, famosos pela construção de grandes fortalezas e palácios), cuja estética assente em chhatris, pavilhões elevados, em forma de cúpula, fundamentais na arquitetura indiana e indo-islâmica, frequentemente usados como cenotáfios ou túmulos vazios em honra
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GD'Art
de membros da realeza, com cúpulas, varandas detalhadas (chamadas jharokhas), e afrescos intrincados resultam numa síntese definida e perfeita.

Encontramos ainda fachadas esculpidas em pedra ou madeira, com janelas, um chowk, ou pátio interno (para ventilação e privacidade, sobretudo das mulheres), afrescos coloridos nas paredes, representando cenas mitológicas, do quotidiano e até influência britânica das épocas coloniais, portões ornamentados, pilares talhados à mão e iluminação natural — geralmente com uma fonte ornamental.

Alguns havelis incluíam uma Naqqar Khana (ou Naubat Khana), isto é, “Casa dos Tambores”, um pavilhão arquitetónico onde os músicos tocavam tambores e shehnai (instrumento de sopro de palheta dupla, feito de madeira com uma campânula de metal), cinco vezes ao dia para anunciar a chegada do imperador ou dignitários.

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O Naqqar Khana (Casa dos Tambores), pavilhão cerimonial situado logo após o portão principal do Red Fort, complexo construído no século XVII. Ali ficavam os músicos da corte, que tocavam tambores e trombetas para anunciar a presença do imperador e marcar cerimônias oficiais.
Os havelis eram mais que residências. Representavam estatuto, riqueza e devoção religiosa das famílias. Muitos tinham templos internos dedicados a divindades familiares e eram espaços de convivência entre gerações. Outros foram transformados em museus ou em hotéis.

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Jaipur, Rajastão, Índia
Em cada cidade, o haveli não é simplesmente um edifício — é um reflexo da vida social, da política e da herança artística da região. Autênticos monumentos que continuam a sussurrar histórias. As suas concepções mudaram ao longo do tempo, com os governantes, as religiões e as redes comerciais da época, mas o conceito permaneceu sempre o mesmo: uma casa que era refúgio privado e expressão pública.

Ainda hoje é possível encontrar-se este tipo de habitação preservada em cidades como Jaipur (os edifícios de arenito rosa e as treliças da cidade não são apenas bonitos de se ver; eles expressam o orgulho cultural pela beleza, pela astronomia e pelos princípios do Vaastu), Jaisalmer, Mandawa, Nawalgarh, Shekhawati (conhecida como “Galeria de Arte a Céu Aberto”), Bikaner, Sidhpur (a “Paris Indiana") e Udaipur, e até mesmo em Delhi, a capital histórica da Índia, alguns havelis de traço mogol, outros coloniais, especialmente em áreas como Chandni Chowk, persistem escondidos atrás de bazares desorganizados, mas igualmente testemunhos silenciosos de um modo de vida digno e tranquilo.
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Acervo: A. Rodrigues
Os aristocratas de Rajasthan e os mercadores marwari construíram dos mais belos exemplos. Mandawa e Nawalgarh, na região de Shekhawati, por exemplo, são uma “galeria de arte a céu aberto” de havelis preciosamente pintados.

Em Lucknow, capital dos nawabs (governadores provinciais ou vice-reis muçulmanos do Império Mogol, que se tornaram soberanos semi-independentes na Índia, como em Kolkata) da região fértil de Waadh, no Uttar Pradesh, a norte da Índia, os havelis foram influenciados pela sensibilidade indo-islâmica no seu design, com arcos delicados, pátios arejados, decoração em estuque, baradaris (pavilhões de jardins) e sumptuosos durbars (cortes nobres de um rei ou governante), com o imprescindível foco no lazer e na elegância.

Os havelis de Jaisalmer, na Índia (conhecida como a Cidade Dourada do Rajastão) são mansões tradicionais esculpidas em arenito amarelo. Construídos por ricos comerciantes entre os séculos XVIII e XIX, esses edifícios revelam o refinamento arquitetónico e a prosperidade do período em que a cidade floresceu como importante entreposto das rotas comerciais da Ásia.
Os majestosos havelis eram, e são, poesia em pedra, glorificando a arquitetura imperial. As suas requintadas esculturas em arenito, telas de pedra perfuradas e exóticos trabalhos em estuque e murais, as suas fachadas intrincadamente cinzeladas e varandas elaboradas, com corredores e quartos opulentamente luxuosos, continuam a dizer-nos muito e a ensinar-nos sobre os seus patronos, legado e cultura.
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