Um pouco de Natal Ponha um pouco de Natal Na sua preocupação, Acenda velas de tranquilidade, Deixe que venham a paz e a oração.

Seja sua própria árvore

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Um pouco de Natal
Ponha um pouco de Natal Na sua preocupação, Acenda velas de tranquilidade, Deixe que venham a paz e a oração. Ponha um pouco de Natal Na sua tristeza, Enfeite-se de bolinhas de alegria, Distribua-se com grandeza. Ponha um pouco de Natal No seu mau humor, Enfeite-se de sorrisos de festão Seja mais diversão. Ponha um pouco de Natal No seu egoísmo, Acenda no alto uma estrela brilhante, Resplandeça a humildade de forma edificante. Ponha um pouco de Natal Dentro de si, Seja sua própria árvore, seu presente, Seu presépio. Natal só precisa de amor, Faça-se esse obséquio.
Homenagem a Maria
Já era noite, Uma noite escura e fria. E as pés da cruz, A chorar por Jesus, Encontrava-se Maria. Como pode alguém, Sofrer assim? Como pode uma mãe, Suportar tamanha dor? Em ver o seu filho amado, Ter o corpo dilacerado. Em vê-lo só e humilhado Em um vil madeiro pregado? Como pode uma mãe, Suportar a humilhação, De ver seu amado filho, Justo, bom e santo, Ser crucificado, Qual fosse um ladrão? Já era noite alta, E aquela mulher, Tão bela e doce, Aos pés da cruz chorava. E aos rudes soldados suplicava: Dá-me o corpo de meu filho! Já está morto, Já é cumprido o castigo lhe imposto.
Deixa-me lavá-lo, Deixa-me sepultá-lo, Deixa-me, enfim, Ainda em um último instante, Que eu possa tê-lo no colo, E amá-lo! Por fim, um nobre homem, De nome Arimatéia, Permite que o corpo, Daquele filho amado, Em suas mãos seja entregue. E Maria, consternada, Recebe o corpo exânime, Daquele ser tão amado. Desta feita, martirizado, Ferido e ensanguentado. E a sua alma se abrasa, Na dor mais profunda, Que alguém pode suportar... E com suas lágrimas, O corpo amado do seu filho, Ela se põe a lavar. Quantas chagas! Quanto sangue! Oh, Humanidade infame! Que fizeste do meu filho, Que a ti veio servir, E te ensinar a amar, Veio te mostrar a luz, Que dentro de ti pode brilhar? A dor da mãe revoltada, Ardia em seu coração. Mas, diante dos divinos olhos, Ao ver o doce olhar de Jesus, Viu nele o brilho da paz, Pois luzia nos seus olhos, Ainda o brilho das estrelas, E, com elas, a promessa de voltar, E assim teve plena certeza, Do seu breve ressuscitar. Deixou a revolta de lado, E abraçou a Humanidade, E junto com os seus discípulos, Na casa humilde do caminho, Passou a fazer a caridade. Tornou-se a mãe de todos, E, hoje , a Ela saudamos, Maria e seu amor profundo, Represente, nesse instante, Todas as mães do mundo. M.D. (Página psicografada em 09/05/2014) Com permisso
Deixa que eu fique mais um pouco Até que passe a chuva, Até que venha o sol E eu te cantarei os velhos fados, Que aprendi além-mar. Deixa que eu me sente ao teu lado Até que a tarde passe devagar E venha a noite. E eu velarei teu sono com ternura. Deixa que eu acompanhe teu caminhar Até que ele se torne cansado e vacilante E eu te darei meu braço, porto seguro, E caminharemos mais distante. Deixa que eu fique do teu lado Até que não precisemos mais das palavras E o meu olhar te falará poemas de amor, Assim, onde estiveres, o meu sol Aquecerá os teus mais rigorosos invernos de silêncio. O menino e o velho
Viajando nas asas da eternidade, O velho e o menino percorriam os espaços, Enquanto as nebulosas desenhavam coloridas espirais Colorindo e enfeitando os mundos siderais. O menino sentado no colo do ancião, Alisa-lhe as barbas longas com a mão, E, cruzando as perninhas finas, Pensativo, põe-se a indagar: Velho tempo, me esclareça, De onde vem a tua serenidade? Responde-lhe o tempo: Esqueces que sou dono da eternidade? Dize-me então velho amigo, Por que sendo como tu tão antigo, Sou ainda uma pequena criança, E tu tens na pele a ancianidade?
Ah, terna criança! Resolver as dores do mundo é tarefa inglória, Tudo na vida depende do tempo... Tempo de nascer, tempo de morrer, Tempo de semear, tempo de colher, Tempo de lembrar, tempo de esquecer. O trabalho de sempre renovar, leva-me a envelhecer. Quanto a ti, doce infante, Semeias por aí doces sementes, Trazes alegria aos amantes, Iluminas os corações apaixonados, Em tua labuta, estás sempre renovado. Porém, meu dileto amigo, Eu como amor, semeio o carinho, A pureza e a docilidade, Mas muitos enfeiam a efêmera flor, E o ciúme e o egoísmo, Terminam por me expulsar do coração humano, E em meu lugar fica a dor. O Velho Tempo concorda, Com a cabeça a balançar. É... E quantas vezes sou convocado, Para sanar seu semear. Tem dores de amor que, somente o tempo, É capaz de curar. O menino abraça o velho, Com respeitosa amizade, Será que um dia, como tu, Eu serei imortal, serei dono da eternidade? Espera minha, criança, Aguarda no tempo, a vitória, Trabalhemos o terreno do coração humano, E o Homem, compreendendo-te, Far-te-á eterno em sua história.
Poema barroco
Ontem eu sabia escrever poemas calmos Que falavam de alegria e paz, Mas os ventos resolveram rebelar-se E a tormenta instalou-se na minh’alma. E os versos continuam a nascer, Mas não são brandos, são como chicotes. São versos barrocos, cheios de paradoxos, Antíteses e contradições. Porque assim se encontra meu coração. São versos violentos, Que ferem os ouvidos Para que a dor faça sangrar E acordar a quem dorme. Porque dormir é morrer, Dormir é negar-se ao real E eu quero estar desperta Para o nascimento de mim. Sei que renascerei de minhas cinzas Qual fênix poderosa, E saberei sorrir e caminhar comigo Saberei ser bastante para mim mesma E não haverá mais a palavra saudade No dicionário de meu eu.
Visceral Às vezes sou assim: Visceral, E o verso queima como brasa, Tem sangue, excremento, Faz com que minha alma arda. É o lado loba que uiva nas noites insones. E traz de longe,das profundezas Em que me perco, versos insanos. Às vezes eu sou assim: Suave, Puro sentimento, E o verso abranda a alma docemente, Tem perfume, ungüento. Faz repousar a alma. É o lado anjo que ora nas madrugadas, E traz de longe, dos sonhos, Em que me perco, versos diáfanos. E vivo assim, nessa dicotomia de sentimentos, Ora sou sangue, ora sou vento, Ora sou santa, ora sou fera, O que sei é que sou alma que grita, Que vive, que ama, que desespera. E não se entrega somente, Ao que de mim se espera.


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  1. Parabéns🙌🙌🙌🙌🙌🙌 Vólia !!!belos poemas 🌲
    Paulo Roberto Rocha

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