Para Aristóteles, o poeta tem algo de divino. Este ponto de vista é compartilhado por muitos de seus seguidores numa lista acrescida a cad...

A divindade dos poetas

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Para Aristóteles, o poeta tem algo de divino. Este ponto de vista é compartilhado por muitos de seus seguidores numa lista acrescida a cada século desde quando esse pensador plantou sementes de sabedoria, uns quatrocentos anos antes de Cristo, mas recordo o diálogo do filósofo católico francês Maritain com o ateu Jean Cocteau, apontando que a ordem espiritual procede de Deus, estando presente em nós e revela sua constatação: “é a inspiração do poeta, e por isso ele é um homem divino”. E acrescenta: “As palavras, os ritmos, são para ele a matéria com a qual cria um objeto para a alegria do espírito, e nas quais brilham alguns reflexos da grande noite estrelada do ser”.

Quando a pessoa idealiza o poema, harmonizando as palavras para descrever seu pensamento, a emoção do instante, a polifonia de sons e cores, eleva-se em voos até Deus. É a busca íntima para encontrar-se com a palavra e os ritmos para compor a alegria do espírito, com sua poesia fazendo brilhar as estrelas mesmo em noite escura.

Com seu objeto nem sempre dizível, grande é a contradição da linguagem mística.

Realizado estará o poeta se, com suas palavras e inspirações, conseguir objetivar a relação entre as pessoas com o divino por meio de sua poesia.

Sair de si, encontrar o caminho, atravessar o umbral para encontrar a poesia nos gestos e lugares onde está Deus, é o grande desafio.

São João da Cruz, o poeta místico por excelência, aconselha que para chegar ao que não sabemos, haveremos de ir por caminhos que não conhecidos. “Para vires a possuir tudo isso, não queiras possuir coisa alguma”, afirma no primeiro capítulo do seu “Subida ao Monte Carmelo”.

Quando se acha em consigo mesmo, vivendo na unidade com a paisagem transcendental, o poeta místico estará em sintonia com o mistério divino, característica essencial da Poesia universal.

A Poesia, é grande e universal Poesia, a que nos leva a estreitar nosso relacionamento com Deus, nunca perecerá enquanto houver homens como João da Cruz, Rabindranath Tagore, Kahlil Gibran, Murilo Mendes, Adélia Prado, José Tolentino Mendonça e outros.

Recorro a Baudelaire, quando comentou: “É por meio e através da poesia, por meio e através da música, que a alma antevê os esplendores que estarão para além do túmulo”.

A beleza é relevada àquele que escuta no silêncio a voz do Divino, sente e transmite a emoção que esse Divino oferece para levar ao outro essa beleza edificada no invisível observada pelos visionários. Poucos conseguem igual estágio, a ser os que abrem o coração ao entendimento daquilo que não vemos, mas sentimos sua ação em nós. É quando o poeta encontra sua divindade.

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  1. Parabéns José Nunes!!!
    É isso ai os Artista( de quarquer das vertentes) são inspirados/conectados com mananciais a que tem acesso!!!
    Paulo Roberto Rocha

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