Filhos, ora os filhos. Levei muito a sério aquela premissa do “crescei-vos e multiplicai-vos”. Sete! Pelo menos pela contabilidade oficial...

A orquídea de Ariadne

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Filhos, ora os filhos. Levei muito a sério aquela premissa do “crescei-vos e multiplicai-vos”. Sete! Pelo menos pela contabilidade oficial e não creio ter ocorrido por conta do acaso alguma adição a esta estatística. Doloroso é que eles crescem e quando percebemos não estão mais conosco. Algumas vezes bem longe. Filhos são desse jeito mesmo, vão emplumado as asas e quando menos esperamos alçam vôos de fazer inveja a aves migratórias. Tive uma avezinha que foi parar em Pequim. Isso ali mesmo na terra dos olhos puxados.
Outros andaram perambulando pelos sete mares. Restou-me a caçula às voltas com um curso de engenharia e já ameaçando decolar quando puser a mão no diploma. Fui assim, os meus são assim. Tivesse menos filhos, teria eu menos saudade? Será? Saudade não se divide, pode no máximo se espalhar em compartimentos e modalidades: a saudade desse, daquele outro e por aí vai. Mas quando se juntam...

Em 1968, os quatro integrantes dos Beatles já viviam aquele clima azedo de quando o casamento já não engrena mais. Ainda assim, resolveram...

Beatles: a aventura de comandar uma gravadora

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Em 1968, os quatro integrantes dos Beatles já viviam aquele clima azedo de quando o casamento já não engrena mais. Ainda assim, resolveram que era hora de investir em uma gravadora própria, focada em descobrir novos talentos, afinal, como declarou, à época, Paul McCartney, “Estamos na feliz posição de não precisar de mais dinheiro”.

Alguns sabem do apreço que tenho pela poesia de Augusto dos Anjos, que considero, sem nenhum favor, o maior poeta brasileiro e um dos maio...

Augusto e Zola: dos encontros nada prováveis

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Alguns sabem do apreço que tenho pela poesia de Augusto dos Anjos, que considero, sem nenhum favor, o maior poeta brasileiro e um dos maiores do mundo. E sabem também o valor que dou aos versos “E o animal inferior que urra nos bosques/É com certeza meu irmão mais velho”. Considero estes versos da estrofe 5 de “Monólogo de uma Sombra”, de suma importância para a compreensão de dois nítidos veios em que a poesia do poeta paraibano se biparte: a evolução da espécie e a evolução espiritual. Eles são, digamos, ainda mais claros e sintéticos do que a estrofe inicial desse longo poema que abre o Eu, como uma espécie de profissão de fé.

Por esses dias foi dia do amigo. Muitas mensagens. Flores. Trocas de carinhos explícitos. Em tempos digitais e fazendo parte de alguns po...

Amigos: tantos e tão poucos!

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Por esses dias foi dia do amigo. Muitas mensagens. Flores. Trocas de carinhos explícitos. Em tempos digitais e fazendo parte de alguns poucos grupos, claro que choveu rosinhas e beijinhos de afagos pela amizade.

Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, já dizia a canção/poema. E a neurolinguística se esforça para explicar a empatia que

Meu corpo querido, meu amado, como te sou grata. És música, uma explosão de desejos e mistérios, meu templo e meu instrumento. Sentada s...

Até o dia da partida, prometo cuidar de ti

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Meu corpo querido, meu amado, como te sou grata. És música, uma explosão de desejos e mistérios, meu templo e meu instrumento.

Sentada sob essa árvore tão antiga, penso em ti. O perfume das folhas entra pelas narinas, chega aos pulmões. Sigo sua trajetória. Notas musicais pousam nas minhas células, mantendo o fôlego da vida. Bach.

Ouço o meu coração. Regulares batidas a traduzir o ritmo da minha existência. Elas se juntam a um ruído leve, de água a cair sobre pedras. Ruídos de verão, asas de libélulas, o calor impregnado no som, meu sangue a navegar. Pizzicato líquido. Mahler.

Quando comecei na literatura, existia uma história de que livro que não fica em pé sozinho na estante não tem valor. Claro, isso tinha...

Livro bom não é para ficar preso em estantes

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Quando comecei na literatura, existia uma história de que livro que não fica em pé sozinho na estante não tem valor.

Claro, isso tinha a ver com a espessura do livro, não com a qualidade do seu conteúdo. Eu morria de medo de publicar um livro que não chamasse a atenção favorável de ninguém.

Mas meu primeiro livro de poemas foi magro que só eu na época – Os zumbis também escutam blues.

A Rússia foi punida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) por uso sistemático de doping no esporte. Não pode competir como país, não po...

Um concerto russo e outra história

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A Rússia foi punida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) por uso sistemático de doping no esporte. Não pode competir como país, não pode ter seu hino nacional tocado. Sobre o fato em si eu só tenho dois comentários. O primeiro: não tenho nenhuma tolerância com a trapaça. Não me interessa se é comum, se todo mundo faz, se vivemos novos tempos, se existem novos meios. Se a regra é fazer, sozinho, uma prova em casa, é isso o que deve ser feito. Não fazer isso é demonstrar falta de honra. Nada menos que isso, Covid ou não Covid.

Parte I Procedentes de Paris chegamos à Cidade Eterna onde hospedamo-nos no apartamento de Salomé Espínola. Sassá, como carinhosamente...

Breve passeio pela Toscana

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Parte I

Procedentes de Paris chegamos à Cidade Eterna onde hospedamo-nos no apartamento de Salomé Espínola. Sassá, como carinhosamente a chamamos, é a nossa sobrinha-filha e afilhada.

Ela mora num apartamento da Via Sebino. Região prazerosa no nordeste de Roma, dispõe de construções antigas e imponentes, e lugares aprazíveis, como a Villa Copedé, um conjunto de palácios residências do século XIX, com a esquisita Fonte das Rãs.

Em Roma, Sassá nos levou para lugares pouco conhecidos pelos turistas, como uma cervejaria fundada em 1846, a Antica Birreria Peroni, onde bebemos deliciosas cervejas e devoramos um prato muito saboroso: tripa alla Romana! É uma espécie de dobradinha muito gostosa, com vísceras de boi. É um pouco apimentada, porém muito saborosa.

Interessante é que Ridley Scott sempre foi um diretor do tipo “ame ou deixe-o”. É possível gostar, de um modo avassalador, de alguns de se...

Blade Runner: intrigante distopia sobre o destino

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Interessante é que Ridley Scott sempre foi um diretor do tipo “ame ou deixe-o”. É possível gostar, de um modo avassalador, de alguns de seus filmes. De outros, no entanto, detesta-se de uma maneira quase doentia. Por sorte, um dos maiores filmes da história do cinema (ouso dizer), Blade Runner, o caçador de androides, entra para a lista dos filmes geniais do diretor inglês.

O ambiente conflituoso em que estamos mergulhados, impede a reflexão sobre as nossas ações e sentimentos. O mundo moderno cheio de inj...

Não existe esperança onde se planta a discórdia

O ambiente conflituoso em que estamos mergulhados, impede a reflexão sobre as nossas ações e sentimentos. O mundo moderno cheio de injustiças e insegurança, faz com que fiquemos enfraquecidos para o despertar da esperança. O egoísmo humano da contemporaneidade promove a indiferença em relação às questões coletivas e ao bem comum. Predomina o lema: “salve-se quem puder”.

Em seu último jornal literário, Terceiro Céu, Ascendino Leite explora um incidente de forma pouco literária e mesmo destoante das sut...

Surpresas de Ascendino

Em seu último jornal literário, Terceiro Céu, Ascendino Leite explora um incidente de forma pouco literária e mesmo destoante das sutilezas ou segredos de estilo que caracterizam a sua escrita. Uma obra, sobretudo, de escritor refinado, assim na prosa como no jornal de crítica em que mais se esmerava.

O Zé Lins e o Zé Américo Trocaram correspondências Vasta documentação São cartas, experiências Dois amigos literatos Que merecem reverênci...

O grande encontro dos Zés

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O Zé Lins e o Zé Américo Trocaram correspondências Vasta documentação São cartas, experiências Dois amigos literatos Que merecem reverências.
Raniery Abrantes

As mãos da sinceridade apontam para um alvo em comum e desenham um bem maior em direção à singularidade. Da mesma forma que a beleza bem se encontra e se expressa nos grandiosos e dadivosos olhares da simplicidade.

Li que Thomas Edison teria dito: “O maior elogio que ouvi em toda a minha vida de inventor foi: ‘nunca vai funcionar’.” Encare, também, ...

Timoneiro

Li que Thomas Edison teria dito: “O maior elogio que ouvi em toda a minha vida de inventor foi: ‘nunca vai funcionar’.”

Encare, também, como elogio quando ouvir: ‘não és capaz’; ‘não é para você’; ‘nunca alcançarás’; ‘não passa de sonho’; ‘não dará certo’; ‘coisa de novela’; enfim, quando acharem, ou você mesmo achar, que algo está além da tua capacidade.

Haveria um tipo qualquer de conexão histórica capaz de relacionar a raiz do algodão mocó a um - mesmo que - eventual, breve uso de cache...

Umbuzeiro

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Haveria um tipo qualquer de conexão histórica capaz de relacionar a raiz do algodão mocó a um - mesmo que - eventual, breve uso de cachecóis na Paraíba? À pergunta tão disparatada cabe a quem a fez responder, no caso, e antecipadamente pronto para a resposta, este que vos escreve: num esforço adaptativo de luta pela sobrevivência, a raiz do algodão mocó (assim chamado por conseguir viver entre pedras e cascalhos, bem ao modo do roedor homônimo) mergulhou na direção do centro da terra, num impulso que redundaria profundamente feliz, por conseguir atingir o lençol freático, e a partir dali tornar-se uma fonte de riquezas para o homem dessa relativamente vasta região que compreende sertões nordestinos, desde sempre considerada a mais pobre do país.

Quando o maestro José Alberto Kaplan ficou paraplégico (em virtude da siringomielia que terminaria por derrubá-lo em 2009), passei a levá...

Da música erudita

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Quando o maestro José Alberto Kaplan ficou paraplégico (em virtude da siringomielia que terminaria por derrubá-lo em 2009), passei a levá-lo em meu carro, todas as manhãs de sábado, à residência de seu grande amigo – logo meu, também - advogado Dr. Paulo Maia -, dono da maior coleção de LPs, vídeos, CDs e DVDs de música erudita da Paraíba. Era um hábito do amigo judeu argentino – de quem eu fora parceiro na Cantata pra Alagamar e no musical Burgueses ou Meliantes - , que vinha de décadas. Tomando um bom gin com tônica (“a bebida da rainha”, dizia o Dr. Paulo) , vendo o mar logo ali, atrás da vidraça, era incrível, naquelas sessões matinais, não só acompanhar as riquíssimas programações de grandes concertos em som e imagem de alta fidelidade, como absorver algo da vasta cultura musical dos dois e dos outros frequentadores, os benditos poucos, the happy few, band of brothers: jornalista Luiz Carlos Nascimento Souza, Yerko Pinto – então spalla da Sinfônica local e integrante do prestigiado Quinteto Paraíba, além de Hector Rossi - que fora professor de contrabaixo de meu filho Alexei Dmitri (1966-2017), mais o ex-governador Tarcísio Burity (1938-2003) que, em tempos áureos, não só construíra o gigantesco Espaço Cultural José Lins do Rego da capital,

Num dos episódios de “ The Crown ”, o personagem do príncipe Philip recebe a visita dos três astrona...

Sonho cósmico

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Num dos episódios de “The Crown”, o personagem do príncipe Philip recebe a visita dos três astronautas que foram à Lua. Ele está ansioso pelo que vai ouvir. Espera um relato condizente com a extraordinária experiência pela qual aqueles homens passaram. Como tem lá os seus dilemas metafísicos, imagina que o grupo possa lhe dar alguma indicação de que vale a pena crer em Algo Maior.

A história que narrarei resumidamente a seguir é verídica, apesar de ter tudo para ser tida como fantasiosa. Colhi-a de fonte absolutamen...

A força do bem

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A história que narrarei resumidamente a seguir é verídica, apesar de ter tudo para ser tida como fantasiosa. Colhi-a de fonte absolutamente fidedigna, conforme mostrarei mais adiante, de modo que nenhuma dúvida pode haver a respeito. Até porque, sabemos, a vida, sempre plena de mistérios que desafiam a razão, é farta de episódios semelhantes, o que muito serve à nossa humildade diante de tudo que ultrapassa as explicações simplesmente racionais, lógicas e científicas da realidade.

Quem, dentre os parnasianos, cumpriu à risca o conteúdo programático do Parnasianismo? Quem, dentre os simbolistas, românticos, modernista...

Anotações sobre a poesia de Rodrigues de Carvalho

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Quem, dentre os parnasianos, cumpriu à risca o conteúdo programático do Parnasianismo? Quem, dentre os simbolistas, românticos, modernistas etc., se confinou nos limites dessas correntes literárias? Aqui, cabe a pergunta: o parnasiano foi apenas parnasiano e o modernista apenas modernista?

Alguns poetas nem sempre se submetem passivamente ao espaço claustrofóbico das periodizações literárias, mas, antes, procuram extrapolá-lo para dar vazão ao ecletismo do qual Mário de Andrade fez profissão de fé: “Eu sou trezentos, trezentos-e-cinquenta...”

Virou Carlinhos, porque nas redondezas de seu sítio havia outros dois Carlos. Dois homenzarrões brutos e grossos como papel para embrul...

E ficou tudo por isso mesmo

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Virou Carlinhos, porque nas redondezas de seu sítio havia outros dois Carlos. Dois homenzarrões brutos e grossos como papel para embrulhar prego. Esses nem eram parentes e a semelhança parava por aí. Já o nosso Carlos, o Carlinhos, não era um tiquinho de gente como possa parecer, apenas era menor que os outros dois Carlos. Natural então, que o diminutivo fosse acoplado ao nome.

Antes do mergulho no horizonte o Sol dispõe um rastro de luz a um homem e seu barquinho. Em retribuição, ganha, nessa despedida, os belos ...

Sol poente

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Antes do mergulho no horizonte o Sol dispõe um rastro de luz a um homem e seu barquinho. Em retribuição, ganha, nessa despedida, os belos acordes do Bolero, a imortal composição do francês Maurice Ravel. O espetáculo repete-se, quase diariamente, há uns 20 anos. E já mudou a vida de muita gente porquanto inscrito no Calendário Turístico da Paraíba.

Estampada no jornal, a reação de um padre, de um pastor e de seus rebanhos, diante da escultura de Jackson Ribeiro, parecia a reprodução d...

Sucatas que fazem pensar

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Estampada no jornal, a reação de um padre, de um pastor e de seus rebanhos, diante da escultura de Jackson Ribeiro, parecia a reprodução de uma página da Idade Média.

A princípio desconfiei, e até desejei, que fosse manobra política. Mas era coisa ainda pior. Uma metástase do câncer do obscurantismo e da arrogância. Doença que ataca as sociedades de todos os séculos.

A Santa Inquisição, com suas fogueiras que ardem até hoje, foi a epidemia maior. O símbolo que ficou para a História, como ficaram os Campos de Concentração de Hitler. Exemplos que a intolerância e o fanatismo insistem em reeditar,

De computador no reparo, venho navegando em um emprestado. O que me serve é velho de uns onze anos. E estranhei que o novo entrasse na red...

Ainda a fome

De computador no reparo, venho navegando em um emprestado. O que me serve é velho de uns onze anos. E estranhei que o novo entrasse na rede sem conexão visível, sem o fio à mostra.

Liguei para um dos filhos: “É isso mesmo, pai. Os mais novos já vêm providos.”

E suspendi o que vinha escrevendo uma vez mais, desorientado com o filme de ficção científica que nos tornou reflexos das comunicações. Uma interação com a qual eu nem sonhava. E a mais bem distribuída das mercadorias em todos os níveis sociais. Talvez ainda perca para a caixa de fósforo.

Há no Evangelho duas parábolas muito próximas, que se complementam por terem sido construídas com concepções figuradas diferentes. Trata-s...

Errar não é perder-se, mas...

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Há no Evangelho duas parábolas muito próximas, que se complementam por terem sido construídas com concepções figuradas diferentes. Trata-se da “Parábola da ovelha desgarrada”, presente em Mateus e em Lucas, e da “Parábola do filho pródigo”, uma exclusividade do Evangelho de Lucas. Esta tem uma estrutura metonimicamente, quando opta pela parte em lugar do todo: o filho pródigo é o ser humano, cuja alma se desvia com facilidade do caminho a ser percorrido. Aquela é alegórica, com Jesus utilizando-se de uma linguagem do pastoreio, íntima das pessoas a quem ele se dirigia: a ovelha desgarrada é, ainda uma vez, a alma humana, errando por caminhos ínvios.

Trago notícias de uma flor. Um pequeno bilhete rabiscado numa folha frágil e multicolorida, escrito com uma caneta de cor verde, entregue ...

Trago notícias de uma flor

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Trago notícias de uma flor. Um pequeno bilhete rabiscado numa folha frágil e multicolorida, escrito com uma caneta de cor verde, entregue a mim numa quase manhã quando o Sol começava a dividir um pouco do seu calor com os corpos dos animais humanos recém despertos, enxugava as lágrimas orvalhadas dos galhos de árvores e ramos de arbustos e de outras flores, oferecia um aroma que invadia suavemente o novo dia.

Os poetas sempre foram fascinados pela loucura, e muitos a sentiram na pele. Alguns inclusive, atingiram seus limites, como Sylvia Plath. ...

A escolha

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Os poetas sempre foram fascinados pela loucura, e muitos a sentiram na pele. Alguns inclusive, atingiram seus limites, como Sylvia Plath. O conceito de normalidade inspirou filósofos, escritores e estudiosos da área, uma definição complexa, um consenso não conquistado. “A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela, e ela ser grande, é ser louco”. (Fernando Pessoa).

Na Casa da Arte Popular brota um lugar para cultivar as flores de Goretti Zenaide Amanhece o dia ensaiando e regendo a majestosa sinfoni...

A Casa da Arte

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Na Casa da Arte Popular brota um lugar para cultivar as flores de Goretti Zenaide

Amanhece o dia ensaiando e regendo a majestosa sinfonia do verde, enquanto o orvalho aflora no azul do horizonte, a desenhar os magníficos fios do tempo com a claridade que move os ventos da aurora. O sublime canto dos pássaros refloresce a bela paisagem de uma das cidades mais verdes do planeta.

         RANGEM AS ENGRENAGENS, TREME A TERRA, Há UM RUMOR. E horror!, ... mas a multidão se deslumbra: na sombra que a todos obu...

Na escuridão resplandece a catedral alumbrante

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RANGEM AS ENGRENAGENS, TREME A TERRA, Há UM RUMOR. E horror!, ... mas a multidão se deslumbra: na sombra que a todos obumbra, tudo, agora, relumbra: a Pedra... se abre... como em corte de sabre, e o que se vê ... é estupor! Na escuridão resplandece, com todos os seus vitrais, com profusão de torres

O sol paira sobre o mar profundamente azul da baía de Monterey. Algas dançam com a maré perto de um caiaque amarelo. Tudo brilha junto, nu...

Tudo guardado entre páginas

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O sol paira sobre o mar profundamente azul da baía de Monterey. Algas dançam com a maré perto de um caiaque amarelo. Tudo brilha junto, numa sinfonia inesperada. Uma criança descalça, chapeuzinho à cabeça, cata conchas na areia. O pai a acompanha, com um olhar enternecido afivelado na cara. Tenho vontade de entender sânscrito, de desinventar feiuras, de falar a língua dos pássaros. A impossibilidade me empurra para a filosofia.

Ele definitivamente não está no panteão dos dez ou quinze maiores filósofos da humanidade, mas seu pensamento de inegáveis matizes morais...

A grandeza ainda não reconhecida de Pascal

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Ele definitivamente não está no panteão dos dez ou quinze maiores filósofos da humanidade, mas seu pensamento de inegáveis matizes morais persiste até nossos dias. Foi ele que nos ensinou que o homem se perde em tempos que não são seus (o homem só pensa em ver os dias passar, ou gastar seu próprio tempo, perdendo-se em atividades como dançar, beber, jogar etc), deixando o tempo presente escapar-lhe como areia de suas mãos – um pensamento poderoso e moderno sobre a fugacidade da vida que influenciou sobremaneira os filósofos de índole existencialista.

Da janela avisto ele, empurrando a carrocinha. Contrapondo-se ao mar, companheiro de trabalho, e, talvez seguro alívio para tantas incerte...

Para os peixes, picolés!

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Da janela avisto ele, empurrando a carrocinha. Contrapondo-se ao mar, companheiro de trabalho, e, talvez seguro alívio para tantas incertezas. Não é certo seu futuro, muito menos o sucesso. Do Sol, e não da chuva, dependem suas vendas. Já que a praia no inverno não lhe rende o desejado.

RESPEITO Quando lhe roubarem frutos de seu coraçãozeiro, espere a próxima safra e aumente os cuidados com a vigilân...

Lá me vou... caminhando comigo

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RESPEITO Quando lhe roubarem frutos de seu coraçãozeiro, espere a próxima safra e aumente os cuidados com a vigilância! Sua árvore merece RESPEITO.
Lá me vou pra mais um ano, caminhando comigo, sem saber pra onde, mas consciente do que me guia e me rege.

Miguel Bezerra é vivo? Que me lembre, a última vez que o ocupei, saí de sua casa da Juarez Távora com uma braçada feliz de livros encadern...

A divina proporção

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Miguel Bezerra é vivo? Que me lembre, a última vez que o ocupei, saí de sua casa da Juarez Távora com uma braçada feliz de livros encadernados, verdadeiras reedições dignas da gratidão ou da memória devota dos próprios autores. O que ele fazia não era encadernação a ouro, a couro ou mesmo em boa percalina. Era simplesmente a gosto, sumo do talento artesão com materiais às vezes pobres que a nobreza artística, no auge da civilização do livro, tratava com aura de “divina proporção”.

No dia em que a rosa surgiu entre galhos, as pétalas caíram ao toque de minha mão displicente. Observávamos as manhãs esperando o sol que ...

Meeiro do jardim

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No dia em que a rosa surgiu entre galhos, as pétalas caíram ao toque de minha mão displicente. Observávamos as manhãs esperando o sol que aparecia lento, pois os dias eram chuvosos. Alguns botões indicavam novas rosas, que surgiram igualmente belas e perfumadas.

As flores do pequeno jardim de nossa casa são atraentes. Sendo poucas, a beleza se torna grande. As roseiras encostadas à parede do muro, na lua cheia que tivemos recentemente, abriram-se em forma de cacho, expelindo perfume e sorriso.
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Lembro como se fosse hoje. Era um sábado, início de tarde. Estava de saída de um shopping aqui de João Pessoa quando meu telefone celular ...

Há dez anos, o vozeirão de Amy Winehouse se calava

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Lembro como se fosse hoje. Era um sábado, início de tarde. Estava de saída de um shopping aqui de João Pessoa quando meu telefone celular tocou. Era minha mãe. "Meu filho, tudo bem? Olha, aquela cantora que você gosta morreu. Acabou de dar no Jornal Hoje". Recebi a notícia com certa indiferença: "Qual delas?". "Amy Winehouse", respondeu. O que se seguiu, daí, foi um turbilhão de vastas emoções e pensamentos imperfeitos... esse diálogo completa, sexta-feira que vem, dez anos.

Hoje, quando escuto músicas que lembram minha vida na Pitumirim com meus pais, irmão e irmãs, primos, primas, tios, tias, amigos, amigas f...

O tempo da felicidade

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Hoje, quando escuto músicas que lembram minha vida na Pitumirim com meus pais, irmão e irmãs, primos, primas, tios, tias, amigos, amigas fico pensando que nunca mais serei tão feliz!

Olho pra frente e sei que as coisas que provocaram aquela energia e tanta abundância não terão mais lugar, por diferentes motivos. São os momentos da vida que vão mudando e dando origem a outros.

Meus estimados leitores e queridas leitoras, sempre, desde que me conheço por gente, gerações mais novas têm desprezo por hábitos e ati...

Conflitos inúteis

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Meus estimados leitores e queridas leitoras, sempre, desde que me conheço por gente, gerações mais novas têm desprezo por hábitos e atitudes da geração anterior.

Mais modernamente acharam um outro jeito de nos aporrinhar o juízo. É o seguinte: passou dos quarenta ou está chegando perto, parece que o cidadão perdeu o selo de garantia diante dessa geração-digital nascida sob a égide da internet. É a geraçãozinha Z, para qual o mundo se apequenou às dimensões de um computador ou de um celular. Não conseguem viver sem essas engenhocas. Fora daí, para eles o mundo perdeu seus encantos e a relação entre as pessoas agora se restringe aos teclados, é por ali que eles conversam, se relacionam, se fazem presentes.

Abraço é coisa fora de moda. Mais que isso; abraço ou quaisquer manifestações de apreço podem virar cringe!

Fiquei inicialmente meio sem saber o que era essa história de cringe. Soube através de minha filha que mora lá nas latitudes de cima a origem do termo. “Cringy”, é o vocábulo cuja origem veio lá da parte de cima do mapa. Professora numa high school, na Pensilvânia, interpelou um aluno para saber o significado.

- What is cringy? – ao que ele respondeu:

- It is like when you see a person over forty-years-old dancing.

Traduzindo ao pé da letra, seria : “é como quando você vê uma pessoa com mais de quarenta anos dançando”. Difícil chegar ao exato significado, mas é bem próximo do nosso: “sem noção”. Também algo como “sentir vergonha alheia”, cafona.

Na verdade é um embate de uma geração chamada de “Millennials” (os nascidos entre 1980 a 1995 nos EUA e de 1980 em diante aqui) contra uma outra geração mais novinha, a que veio depois desta, a chamada de “geração Z”. Esta última já nasceu conectada na internet.

A derradeira geração desanca xingação na anterior por esta, a Millennials, ter hábitos e atitudes que envergonham quem é da geração Z. Essas atitudes é o que chamam de cringe. Vamos tentar relacionar alguma delas para entendermos o vazio que se instalou na cabecinha dessa gente.

Dizer que é mãe ou pai do seu pet é muito cringe. Ir a Disney também é. Tomar café da manhã, usar facebook, ser fã de Harry Potter, assistir a série Friends são outras atitudes muito cringes.

Agora entendo porque nas aulas virtuais, nesses tempos de pandemia, alguns dos meus alunos nem sob tortura abrem as câmeras, Sabem por quê? Porque é cringe assitir aula online com a câmera do notebook aberta. Pode uma coisa dessa?

Outras atitudes consideradas cringes:

Usar pontuação na internet, ficar dizendo que tem boletos para pagar, usar hashtag na legenda do Instagram. Tem mais: rir com o emoji “chorrindo”, usar sapatilha com bico redondo, ler jornal impresso, beber cerveja litrão, usar calça skinny, alugar DVD e VHS na locadora, dizer que somos jovens adultos quando já passamos dos trinta.

Imaginem se daqui a alguns anos se essa geração Z viesse a comandar o planeta. O que seria de nós? Ou dos que ficarem. Ainda bem que muita gente nessa faixa etária não se identifica com essas idiotices. Ainda bem.

Minha geração também achava brega coisas da geração anterior: chamar uma mocinha de broto, dizer “é uma brasa, mora!”, usar lenço, chamar carro de carango, usar calça jeans apertada, gostar de assistir o programa Jovem Guarda, tomar banho em Praia Grande no litoral paulista e outras coisas do mesmo tipo. Tinha mais: comprar camiseta com as inscrições “estive em tal lugar e me lembrei de você”, colocar na varanda uma placa dizendo “seja bem vindo, mas limpe os pés”; pingüim de louça em cima da geladeira e por aí vai.

Acho normal que esses conflitos existam, mas o difícil é entender de como algumas pessoas levam isso tão a sério, como uma espécie de filosofia de vida. A internet se apresentou como uma poderosa ferramenta a serviço da informação, mas se tornou também chão fértil para semear uma variedade insondável de idiotices, como esta que estamos relatando.

Que essa geração Z acorde, pois está ficando para trás. Há gente na idade deles ocupando espaço onde vai ser importante estar e esses patrulheiros perderão a vez por incapacidade intelectual. Tanta coisa importante para pensar e discutir e uns e outros preocupados em ser ou não ser cringe.

Talvez, algum dia essa geração Z, que sofre de bibliofobia; isto é, sente febre, tem urticária, sudorese quando chega perto de um livro, descubra que não há nada mais cringe do que achar alguém cringe.

Será que eles entenderiam isso?

Segundo o criacionismo, o mundo foi criado por Deus. Isso, a meu ver, de modo algum O recomen...

Sobre a Criação

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Segundo o criacionismo, o mundo foi criado por Deus. Isso, a meu ver, de modo algum O recomenda. É mais sensato imaginar que Deus queria fazer o mundo perfeito, à sua imagem, mas foi atrapalhado por um assistente inábil. Esse modo de ver se compatibiliza com os inúmeros desacertos que vemos nele. O maior desacerto é o próprio homem, esse bicho marcado pela dualidade do Bem e do Mal.

Há quem atribua nossas lacunas e arestas ao material de que fomos feitos – o barro. Por que Deus não usou um material mais resistente? Ou mesmo um desses produtos modernos, como o silicone? Algumas mulheres procuram hoje reparar o equívoco enchendo partes do corpo com esse nobre produto sintético. Mas é tarde. Por mais que plastifiquem a anatomia, a base continua lá, envelhecendo e se preparando para voltar à lama.

Deus usou o que tinha à mão, e só dispunha de seis dias. Era muito pouco para providenciar a Natureza com suas árvores, rios, vales, montanhas. Como seria possível, nesse prazo exíguo, trabalhar cada artefato com esmero? Um dos enigmas da Criação é saber por que Ele, sendo o patrão de si mesmo, trabalhou num prazo tão curto. Talvez não gostasse do que estava fazendo.

Como se não bastasse a exiguidade do prazo, Deus resolveu fazer o homem no último dia, ou seja, quando já estava exausto e tudo que queria era descansar (o trabalho foi tanto, e sob pressão, que Ele descansa até hoje). O efeito dessa pressa é que Adão foi um protótipo mal testado. Isso constituiu uma brecha para o descalabro que se seguiu: veio a Serpente, assessorada por Eva (ou vice-versa), e levou o primeiro homem a provar do fruto proibido. Adão pecou e logo descobriu, envergonhado, que estava nu – o que é estranho. Como ele poderia se perceber nu se nunca tinha usado roupa? O fato é que, devido a esse primeiro pecado, perdemos o Paraíso e nos tornamos mortais.

Geralmente se considera a morte a pior coisa que pode nos acontecer, mas há nisso um contrassenso. As pessoas aceitam de bom grado que o homem é um ser vivo – nasce, alimenta-se, cresce – mas acham um absurdo que ele vá morrer. Ou seja: querem da biologia apenas o que ela traz de bom. É como se depois de nascidos e já formados devesse ocorrer em nós um cancelamento das leis naturais e alguma forma de transcendência viesse nos animar; alguma coisa que daria a nossas células a eternidade. Infelizmente não é assim, de modo que o melhor é tratar de comprar o jazigo (pode ser em prestações). Tem gente que deixa para fazer isso literalmente “na última hora”, o que não é aconselhável. Comprando logo pode-se escolher o lugar e, com sorte, a vizinhança.

Teorias como a do Big Bang sugerem que a Criação está em curso. O universo continua a se povoar de luas, estrelas, galáxias, buracos negros. E agora, aparentemente, sem o controle divino. Deus pretendia que o Cosmo se resumisse à Terra, ao Sol e a alguns poucos corpos celestes, mas parece que perdeu o controle. Outros dizem que Ele continua descansando, mas um dia acorda e vai dar um sentido a tudo isso. Só nos resta esperar.

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Minas não há mais

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Estava a conversar pelo telefone com o amigo Wilson Marinho e ele me dá ciência de uma boa nova: seu neto foi promovido e vai trabalhar e viver em Belo Horizonte. Começamos então, com o sadio descompromisso das conversas fiadas, a comentar sobre as vantagens de BH sobre o Rio e São Paulo, metrópoles hoje difíceis de habitar, por tantas razões que sabemos. A capital mineira, ao contrário, soube crescer guardando um certo ar pacato de suas origens, o que lhe dá um encanto especial dentre as grandes cidades do país. Vai nisso, estou certo, muito da chamada mineirice dos habitantes das montanhas, sábios desde sempre e mestres na arte do bem viver, indiferentes às modas e novidades de outras plagas ditas cosmopolitas.

A revista “Entrelivros” publicou, em abril/2006, trechos de minha entrevista ao poeta Fabrício Carpinejar sobre Mário Quintana , cujo cent...

Entrevista na 'Entrelivros' (Parte 2)

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A revista “Entrelivros” publicou, em abril/2006, trechos de minha entrevista ao poeta Fabrício Carpinejar sobre Mário Quintana, cujo centenário de nascimento foi comemorado naquele ano. Por razões de espaço, o texto da entrevista não foi publicado de forma integral, razão pela qual veiculo os trechos que foram omitidos.

Movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns passistas, nos indivíduos com desequilíbrios psicossomáticos ou apenas desejosos de uma ação ...

O passe magnético espírita

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Movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns passistas, nos indivíduos com desequilíbrios psicossomáticos ou apenas desejosos de uma ação fluídica benéfica, com a assistência, invocada e sabida, dos protetores espirituais.

Para o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra passe apresenta vários significados, entre outros, é o “ato de passar as mãos repetidas vezes por diante ou por cima de pessoa que se pretende magnetizar ou curar pela força mediúnica.”

Nesse tempo de isolamento, abri mão da diarista que, duas vezes por semana, vinha deixar minha casa limpa e perfumada. Nunca fui madame. D...

Antes tarde do que nunca

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Nesse tempo de isolamento, abri mão da diarista que, duas vezes por semana, vinha deixar minha casa limpa e perfumada. Nunca fui madame. Dei muito duro na vida, na casa, no trabalho, com filhos e tudo o mais. Mas sempre deu pra ter uma trabalhadora em casa, com carteira assinada, e-social, férias, décimo terceiro e todos os direitos trabalhistas. O dinheiro do mundo todo era pouco, para que eu pudesse trabalhar, ter uma cabeça pensante, tempo, principalmente esse, para desfrutar outras coisas da vida. Claro que, desde pequena, tive obrigações: fazer a cama, arrumar o quarto... e sempre nunca gostei dessa parte. Para minha vergonha, nunca precisei lavar totalmente um banheiro. Limpar, limpei muito, mas lavar de água 'pra que te quero', vassoura em punho e os azulejos cheios d'água, não.

Pergunte-se à grande massa dos colegiais do Brasil qual o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o b...

A história na moita

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Pergunte-se à grande massa dos colegiais do Brasil qual o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”.

Falo daqueles às vésperas do vestibular, recém-saídos de cursinhos ou colégios caríssimo. À turma da escola pública desaparelhada e, salvo raríssimas exceções, com professores mal pagos e desmotivados, nem adianta perguntar.

Maquiada a capricho, os cabelos vastos arrumados, soltos, em ondas bem acentuadas, livres. O olhar voltado para o verde aguardado. Um verd...

Metaformosura

Maquiada a capricho, os cabelos vastos arrumados, soltos, em ondas bem acentuadas, livres. O olhar voltado para o verde aguardado. Um verde que poderia tomar outra tonalidade, dependendo da coloração do diálogo previsto, da confirmação do enlace previsto.

Hoje abri um livro e dele caiu a folha de bordo que eu trouxe de Montreal. Flutuou até o chão e o gato a destruiu em segundos. Tornou-se ...

A arte de perder

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Hoje abri um livro e dele caiu a folha de bordo que eu trouxe de Montreal. Flutuou até o chão e o gato a destruiu em segundos. Tornou-se pó. Imediatamente lembrei de Elizabeth Bishop e seu poema sobre a arte de perder.