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“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” Fernando Pessoa Foi no "Bar e Restaurante do Damião", em Alagoa Grande, num ...

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“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
Fernando Pessoa

Foi no "Bar e Restaurante do Damião", em Alagoa Grande, num dia nebuloso, que ouvi a sutileza de uma sinfonia de sapos e pererecas, sublinhada pelo canto dos grilos, coadjuvantes da noite de um dia frio.

A moda das comemorações de aniversários natalícios, segundo o livro The Lore of Birthdays, dos antropólogos americanos Ralph e Adelin Lint...

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A moda das comemorações de aniversários natalícios, segundo o livro The Lore of Birthdays, dos antropólogos americanos Ralph e Adelin Linton, vem do Egito e da Grécia, por volta de 3000 a.C.

Apresentação Milimetricamente picotados como na delicada arte japonesa, o haikai é um lampejo de inspiração como fotografia do instant...

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Apresentação
Milimetricamente picotados como na delicada arte japonesa, o haikai é um lampejo de inspiração como fotografia do instante. Intuição que traduz grandezas em instantâneas miniaturas, moldadas em poucas sílabas contadas a dedo. Há 31 anos, Saulo Mendonça Marques ousou mostrar no primeiro livro (Libélula) a capacidade de dizer muito em pouco, nos pequenos poemas que ganharam o mundo, em outras línguas, inclusive japonês. Aqui ele exibe uma seleta amostra dos “bonsais” poéticos de seu lírico e balzaquiano jardim.

A Ponte do "Tê” é uma construção inacabada de via férrea situada na cidade de Alagoa Grande, interior do Estado da Paraíba.

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A Ponte do "Tê” é uma construção inacabada de via férrea situada na cidade de Alagoa Grande, interior do Estado da Paraíba.

Na pele, ainda o frio das noites diferentes de Alagoa Nova, batendo quase gelado nas paredes mornas da memória. ...

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Na pele, ainda o frio das noites diferentes de Alagoa Nova, batendo quase gelado nas paredes mornas da memória.

Esperava apenas que se encerrassem as tradicionais festas de fim de ano, para provar dos ares agradáveis da cidade aconchegante, que chegavam desgarrados das curvas serranas do planalto da Serra da Borborema, apelidada de Princesa da Borborema, mas que, na verdade, era a cidade de Alagoa Nova, terra de minha mãe.

Peço a Deus que Ele não permita que o destino me leve a morar em um apartamento de condomínio. Com todo o respeito aos que moram em edifíc...

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Peço a Deus que Ele não permita que o destino me leve a morar em um apartamento de condomínio. Com todo o respeito aos que moram em edifícios e a centenas de pessoas que já se acostumaram e se adaptaram a esse tipo de moradia.

Ora radicado em Moscovo, Rússia, o amigo Astier Basílio posava numa foto ao lado de uma pilha de livros, nada menos que a coleção de toda...

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Ora radicado em Moscovo, Rússia, o amigo Astier Basílio posava numa foto ao lado de uma pilha de livros, nada menos que a coleção de todas as edições do livro “ZÉ LIMEIRA, POETA DO ABSURDO", do escritor, poeta e pesquisador Orlando Tejo.

No contexto bíblico, o termo “igreja” significa reunião de pessoas. Por esta e outras razões dogmáticas, o correto é que, no acesso a edif...

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No contexto bíblico, o termo “igreja” significa reunião de pessoas. Por esta e outras razões dogmáticas, o correto é que, no acesso a edificações consideradas religiosas, haja sempre portas abertas à liberdade de seus cultores.

O pioneirismo da Paraíba em conceder o direito do voto aos presidiários aconteceu nos idos de 2010, aproximadamente. A notícia deu em qu...

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O pioneirismo da Paraíba em conceder o direito do voto aos presidiários aconteceu nos idos de 2010, aproximadamente. A notícia deu em quase todos os jornais do Estado e foi, sem dúvida, uma grande iniciativa, um grande reconhecimento, cujo direito, já há muito tempo, mofava atrás das grades, dentro das gavetas, impedindo esse exercício de cidadania, durante longos anos.

Não é nostalgia, qualquer coisa assim que entristeça, que nos leve ao banzo por alguns momentos. É relembrança mesmo, um mimo, um brinde, ...

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Não é nostalgia, qualquer coisa assim que entristeça, que nos leve ao banzo por alguns momentos. É relembrança mesmo, um mimo, um brinde, uns picos de memorialismo perenizado, inevitáveis, que nos fazem iniciar viagens pelas décadas de ouro das noites antigas de nossa encantadora capital paraibana.

Segundo os vernaculistas, a palavra “fiança” significa o direito que se tem através do valor pecuniário depositado por um acusado de crime...

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Segundo os vernaculistas, a palavra “fiança” significa o direito que se tem através do valor pecuniário depositado por um acusado de crimes menores, a fim de que se possa responder a um processo em liberdade. Em outras palavras mais simplificadas: significa ficar livre mediante pagamento em dinheiro, o que é, para os lúcidos, uma leviandade notória ou um privilégio discriminador, não somente no Brasil, mas na maioria dos países desse mundo tresloucado.

Já ouvi muitas vezes comentários à guisa desse nome: Jampa . Apelido, cognome, ou meme? Como queiram considerar. Definitivamente, é a cida...

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Já ouvi muitas vezes comentários à guisa desse nome: Jampa. Apelido, cognome, ou meme? Como queiram considerar. Definitivamente, é a cidade de João Pessoa, a que jamais deixará de sê-la, trançando as belezas que transbordam o matiz de suas águas, os seus mares, o seu verde e o seu barroco vetusto e belo.

Sempre achei que os estudos científicos sobre o comportamento humano são profundas viagens. Lembro-me de que na década de 1980, já lia os ...

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Sempre achei que os estudos científicos sobre o comportamento humano são profundas viagens. Lembro-me de que na década de 1980, já lia os artigos do Eduardo Mascarenhas, (desencarnado aos 54 anos) e Xênia Bier (que se passou aos 80 anos de vida). Lia-os com uma curiosidade aguçada. Hoje, com muito mais interesse, coleciono as palestras do psicoterapeuta Roberto Crema, criador da UNIPAZ, Universidade Internacional da Paz no Brasil.

Foi lendo a crônica do amigo Tarcísio Pereira que revi alguns costumes de um tempo remoto, quando se fantasiavam os modismos efêmeros e s...

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Foi lendo a crônica do amigo Tarcísio Pereira que revi alguns costumes de um tempo remoto, quando se fantasiavam os modismos efêmeros e suas elucubrações com ídolos de todos os segmentos artísticos, principalmente os do cinema.

Virou água Quando o voo levantou também fiquei nas nuvens. O “sinto” apertava,...

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Virou água
Quando o voo levantou também fiquei nas nuvens. O “sinto” apertava, deu-me um nó de silêncio.

O primeiro é o “Soldado Doido”. O outro que se chamava Bruno, lia mãos que hoje vazias, nos fazem lembrar só do passado. ...

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O primeiro é o “Soldado Doido”.
O outro que se chamava Bruno,
lia mãos que hoje vazias,
nos fazem lembrar só do passado.

Há coisas que nos sugerem os pólens para atraírem os beija-flores. Outras, que nos tangem e nos empurram para longe, quase à deriva, sem esperanças nem expectativas.

Um catador de papel era um assíduo transeunte de minha rua. Além do seu esforçado mourejar diário, conduzia o hobby de caminhar cantando e...

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Um catador de papel era um assíduo transeunte de minha rua. Além do seu esforçado mourejar diário, conduzia o hobby de caminhar cantando e cantar caminhando. Esgrimindo, fazia vibrar o som da voz que entoava as mais variadas melodias do cancioneiro popular.

Com a sua carroça tecia o seu itinerário seguindo e apanhando pedaços de sua remuneração encontrados no meio do caminho. Nada muito estranho. No entanto, foi olhando para aquele trabalhador de rua - de sol a pino e mesmo assim cantando - que reli um certo capítulo da história, aquele que um dia me deu lições sobre a aurora. Logo recapitulei: viver amanhecendo é amanhecer vivendo.

Eu era ainda adolescente quando conheci Pascoal Carrilho. Passados os tempos, um dia desses, conheci a praça em sua homenagem. Andei mes...

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Eu era ainda adolescente quando conheci Pascoal Carrilho. Passados os tempos, um dia desses, conheci a praça em sua homenagem. Andei meses, anos distantes, pra tomar conhecimento da existência dessa praça com o seu nome. Inesperadamente, estava eu sentado num banco da praça que o homenageava.

Pascoal Carrilho foi um homem que por aqui passou meio radiante, meio sereno, acrobático, avoante e extremamente irônico.

As crianças que vi correndo ao redor da sua praça e os pássaros que cantavam por lá desenhavam o espírito do excêntrico radialista que nunca se afastara de seu lado alegre e de seu jeito profissional de animador do mundo. Jamais desgrudava das tiradas espirituosas do apresentador de auditório da antiga PRI-4, Rádio Tabajara da Paraíba.

Era comum vê-lo dentro de um paletó branco, impecavelmente engomado, no pescoço a inafastável gravatinha de borboleta. Era um homem imprescindível às grandes reuniões solenes, fazia o seu jornal com a cobertura radiofônica, sem tirar-lhe o estigma do bom boêmio e animador, um dos mais festejados e afamados da capital paraibana.

Pascoal era cíclico: sério, sisudo, triste, risonho, um pouco de tudo. Noutras horas, era um tipo meio carrancudo, mas fidalgo quando anunciava no palco da Rádio Tabajara, por exemplo, o Trio Jaçanã, de Marlene Freire, Zé Pequeno e Walter Lins. Àquela época, ao sabor de um tempo puro e sem violação dos castos costumes, estudava-se cântico orfeônico nos colégios e havia sabatina e ditado em todas as escolas municipais e estaduais da Paraíba. Era o tempo de Dedé do Sax, fisiognomonia do Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. Quando eu o chamava de São Pixinguinha, via nos seus olhos um dardejar feliz. O saudoso amigo Aldemir Sorrentino – que animava as tardes (quase noites) do saudoso Clube ASTREA - dava o toque contagiante da música da jovem guarda, envolvendo os corações adolescidos por um certo romantismo épico, colado ao som da voz do excelente cantor Gilson, de quem nunca mais ouvi falar.

Era tempo do Repórter Tabajara na voz roufenha e disciplinada de Eivaldo Botelho, amigo que debandou pras bandas do Rio de Janeiro, onde cumpriu a estranha promessa de nunca mais voltar para o seu rincão. Lembro-me bem, era tempo da postação irreprochável de Paulo Rosendo, o noticiarista e de Geraldo Cavalcante, o locutor esportivo impecável daquela época.

Não tive o privilégio de conhecer o José de Andrade Moura Filho, que foi amigo de Pascoal Carrilho. Todavia, já àquele tempo, quando era apenas um escriba iniciante de província, aprendendo a andar pelo mundo, recebia do mestre radialista atenções até hoje nunca esquecidas.

Algumas vezes, ele parava-me no Ponto de Cem Réis para me contar histórias hilariantes. Depois, saía gargalhando em cima do seu andar alto e baixo, sobre as pegadas dos melhores momentos de sua vida brincante.

Conta-se que um dia saiu com Bienvenido Granda, cantor mexicano de grande sucesso na época, para tomar uns aperitivos, quando aqui chegou para umas apresentações em João Pessoa. Já fazia dez dias que os dois havia saído, alhures, quando um amigo o encontrou em Campina Grande sozinho, meio desnorteado.

- Que fazes por aqui, Pascoal? - perguntou o amigo assustado com o seu estado de “desligamento”.

Pascoal o informou que estava ali com o cantor Bienvenido Granda. E o amigo que estava chegando do Rio Grande do Norte, o rebateu laconicamente afirmando:

- “Bienvenido? Bienvenido?!!! Ele estava cantando ontem em Currais Novos, Pascoal!”

Certamente, o seu estado, ainda sob os efeitos das noites das praias e Praianinhas, com o impacto da notícia, terminou caindo na realidade. Enfim, abrandou os ímpetos.

A caninha “Praianinha” tinha nele o seu melhor divulgador e publicitário. Era bem pago para isto. E onde fizesse uma cobertura radiofônica, fazia o seu comercial: “Eu bebo Praianinha, nós bebemos Praianinha. É a melhor aguardente do Brasil.”

Um dia, ao repetir o mesmo refrão desse slogan, um espectador jovem que estava na plateia do auditório da antiga Rádio Tabajara, gritou:

“Já estás bêbado a essa hora, né Pascoal?”

Ele não hesitou! Não levava desaforo para casa e não contou conversa. Com o dedo em riste, respondeu à afronta que havia recebido do moço da plateia, na presença da namorada:

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- “Eu bebo Praianinha, a mãe daquele rapazinho ali também bebe Praianinha! É a melhor aguardente do Brasil!”

No enterro do médico Dr. Napoleão Laureano, Pascoal Carrilho fazia a cobertura daquela solenidade fúnebre. Era um momento de muita comoção e respeito. Falando baixinho, ele dizia, com o microfone quase encostando na boca:

“Aguardente Praianinha, a melhor aguardente do Brasil.”

Num súbito escorregão, caiu em pé dentro do túmulo, onde seria sepultado o insigne médico, famoso oncologista paraibano. Lentamente, encostou o microfone na boca e disse quase sussurrando:

“PRI-4, Rádio Tabajara, transmitindo diretamente de dentro do túmulo do Dr. Napoleão Laureano!”

Continuei pensando sentado na praça Pascoal Carrilho e entendi que o tempo e a suas ambiguidades, não conseguem sepultar as histórias curiosas que tanto nos fizeram rir ou chorar!


Saulo Mendonça é escritor, poeta e haikaista

Naquele dia, o texto precisava fluir a tempo. Foi como se necessitasse urgente de uma torneira aberta para dar caminho às águas que queriam...

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Naquele dia, o texto precisava fluir a tempo. Foi como se necessitasse urgente de uma torneira aberta para dar caminho às águas que queriam sair para algum destino. Uma gota espremida, já quase saindo, fez-me sentar e escrever sobre um dos melhores seres humanos que havia conhecido nesta vida: um papagaio.

Não lembro o nome do entrevistado, mas recordo-me bem da entrevista de um escritor confessando ter gostado de uma mocinha simples, que nas...

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Não lembro o nome do entrevistado, mas recordo-me bem da entrevista de um escritor confessando ter gostado de uma mocinha simples, que nasceu e se criou na roça, próximo à sua cidade. Ela adorava escrever bilhetinhos com frases românticas, recheadas de errinhos crassos, indiferentes às regras gramaticais, essas que, às vezes, são consideradas carrancudas!