Quando as nuvens choravam diariamente, sua copa era frondosa, brilhava; dançava; cantava com as carícias da brisa e o frescor das gotícula...

Mão dupla

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Quando as nuvens choravam diariamente, sua copa era frondosa, brilhava; dançava; cantava com as carícias da brisa e o frescor das gotículas que vinham do alto.

Nos dias como os de hoje, em que o astro rei se faz mais brilhante, exalando todo seu calor, quase insuportável, ela se encontra solitária.

Bem que tentou de tudo para manter suas inquilinas presas em seus galhos, mas o pouco da água que consegue sugar do solo, já não é suficiente.

Um pacto foi feito, para que a vida continuasse.

Elas partiram, enquanto, completamente desnuda, ela permanece suportando bravamente as atuais dificuldades desses tempos de seca.

O vento já não passeia por seus galhos, como outrora. As nuvens, que eram verdadeiros óculos escuros, passam com tanta pressa, que não escondem a intensidade da luz do Sol que, como lhe é de direito, reina absoluto no horizonte azul, soprando seu calor sobre todos os seres que se encontram abaixo dele.

Quem olha para ela, admirado da tonalidade de seus braços, não acredita que em suas veias palpita o viver. Desconhecem, com toda certeza, o pacto de “mão dupla”, que firmara. Assim, alheia aos comentários e completamente nua, espera pacientemente o dia que se vestirá com o verde mais verde para, novamente, nos alegrar com seu bailado.

Também, no nosso viver, precisamos fazer pactos de “mão dupla” com aqueles que dividem a caminhada conosco. Isso se quisermos salvar a essência das uniões. Ela precisa dele para resistir aos períodos de seca da fraternidade e tolerância; compreensão e bom humor; humildade, enfim, de todos os sentimentos bons responsáveis pelo caminhar juntos.

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  1. Ana Paula Cavalcanti 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 parabéns belissimo testo❤️🌷

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