Sempre houve alguém de pé atrás com o herói. O próprio presidente João Pessoa, ao assumir o governo, criticou severamente a unanimidad...

A antiunanimidade

Sempre houve alguém de pé atrás com o herói. O próprio presidente João Pessoa, ao assumir o governo, criticou severamente a unanimidade, estranhando que a Paraíba do seu tempo não mantivesse um jornal de oposição.

Interessante é que o dono da situação era o seu próprio tio Epitácio, que recebeu, nesse primeiro dia, a primeira pancada: “A unanimidade não é uma boa conselheira” - está no discurso que D. Carmen Coelho recolheu no livro “A mansão da Praça Bela Vista”.

Com essa minha esquisitice de farejar papel velho li, outro dia, num livro de Paulo Bougard de Magalhães - um paraibano que pontificou aqui nos anos 1920 - uma referência desairosa ao nosso grande herói da Revolução de 1817, José Peregrino de Carvalho.

Antônio Parreiras
Ora, o que se sabe, o que está na História, é que Peregrino, contrariando a vontade do pai, que não queria vê-lo revoltoso, comandou as tropas que iam sustentar o governo republicano em Natal. Ao regressar à Paraíba foi preso, remetido a Recife e condenado à forca. Ficou sendo, ao lado de André Vidal de Negreiros, o grande herói revolucionário paraibano. O primeiro contra o invasor holandês, o segundo contra a globalização da época, capitaneada por Portugal.

Pois bem, apesar de ir à forca, de ter seu corpo esquartejado, a cabeça e os braços expostos onde hoje é escombro e lixo, Peregrino não passa de um arrependido, “retratando-se lancinantemente diante do carrasco”, conforme a versão que esse Paulo Bougard foi buscar na carta do frade confessor ao sargento-mor Fulano de Tal do Valle. Peregrino chora por ter levantado a mão contra a Lei e o Altar.

E por que tanta ira do regime a ponto de enforcá-lo e esquartejá-lo? Já na “Devassa da devassa” aparece um inglês querendo provar que Tiradentes não foi essas coisas todas dignas das honras que lhe tributamos.

Será mesmo que tributamos?...

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