A “malhação do judas” é uma prática que remonta à época da colonização, tradicionalmente mantida até hoje. Chama-nos à curiosidade que...

Paixão sem ódio

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A “malhação do judas” é uma prática que remonta à época da colonização, tradicionalmente mantida até hoje. Chama-nos à curiosidade que tal manifestação de ódio e vingança, não obstante o condão jocoso que a permeia, tenha sido criada e disseminada por grupos ditos cristãos, pois nada é mais explícito nas escrituras do Novo Testamento do que o perdão e o amor.

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PxH
Talvez por tais incoerências, a vinda de Jesus tenha causado tanto tumulto e revolta. E nada mais natural que assim fosse, pois a História nos mostra que a tudo o que é novidade sempre se postam resistentes as forças retrógradas de qualquer época, por conveniência ou preconceito.

Assim foi com todas as descobertas da ciência. Já houve tempo em que a anestesia e cesariana eram tidas como práticas demoníacas. E, ainda hoje, alguns segmentos religiosos condenam e não permitem a transfusão de sangue, mesmo em caso de vida ou morte. No terrível período da inquisição, chegaram ao cúmulo de queimar livros e gente na fogueira, apenas porque divulgavam verdades que a tradição dogmática e hipócrita não queria enxergar por puro jogo de interesses.

Foi justamente contra essa tradição mantida pelo poder e classes religiosas dominantes que Jesus se voltou contra. Ninguém na história criticou mais a religião e suas práticas pérfidas e fingidas, do que Ele. Soube atacar justamente no âmago o cinismo e a falsidade nos hipócritas e poderosos e cujo comportamento nada tinha a ver com a mensagem que Ele trazia.

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Jianning Zheng
Elegeu o amor, a solidariedade e o perdão como a mais elevada tríade da correta conduta para se chegar a Deus. Criticou a maneira barulhenta e ostensiva de como se costumava orar, alertando que a verdadeira prece deveria ser feita em silêncio e recolhimento, e não em voz alta nos templos e nas ruas.

Execrou todas as formas de preconceito ao frequentar casas de ricos e pobres, doentes e sãos, fazendo de sua maior amiga uma mulher de "má fama", Maria Madalena. Tanto que a elegeu como primeira pessoa a quem apareceria ressuscitado.

Testado pelos hipócritas frente ao cumprimento da lei do apedrejamento para a mulher flagrada em adultério, desafiou os que se julgassem no direito de atacá-la, calando-os humildemente.

Agora, imaginem: Se Jesus, no mais sofrido momento, crucificado no alto do Gólgota, depois de humilhado por toda a Via Dolorosa, pediu perdão àqueles bárbaros carrascos, imagine o que Ele acharia hoje dessa manifestação de ódio que se pratica contra Judas Iscariotes, há mais de 2 mil anos!...

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