As reflexões sobre o amor do filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844–1900) podem ser agrupadas em três eixos: a crítica ao amor romântico-religioso; o amor como manifestação da vontade de potência; e a proposta de um amor afirmativo, trágico e autêntico. O pensador germânico propõe uma forma de amar livre de ilusões e submissões. Para Nietzsche, o amor deve brotar da afirmação da vida — mesmo quando esta se manifesta em suas expressões mais sofridas.
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Amar é também um exercício de liberdade e uma arte de viver com autenticidade, promovendo um processo contínuo de autossuperação. Nesse sentido, o amor se torna uma força capaz de transformar o embrutecimento humano, conduzindo o indivíduo ao autocuidado e a uma vida mais intensa em todas as suas dimensões — inclusive na imperfeição. O amor, portanto, pode ser trágico, mas é justamente nessa tragédia que se revela a beleza do próprio "sim à vida".
30.6.25
“Morte, morte, morte, que talvez seja o segredo desta vida” Raul Seixas ( Canto para a minha morte , 1976) Oitenta. Essa seria...
“Morte, morte, morte, que talvez seja o segredo desta vida”Raul Seixas (Canto para a minha morte, 1976)
Oitenta. Essa seria a idade a ser comemorada hoje. Raul Santos Seixas nasceu, pois, a 28 de junho de 1945 e, menos de três meses depois, terminava a segunda guerra mundial (considerado o ato de rendição formal do Japão, em 2 de setembro).
30.6.25
Com atraso, soube da homenagem que o Pôr do Sol Literário prestou ao querido amigo Chico Viana . Teria comparecido se tivesse sabido a...
Com atraso, soube da homenagem que o Pôr do Sol Literário prestou ao querido amigo Chico Viana. Teria comparecido se tivesse sabido a tempo. E certamente teria gostado de abraçá-lo e de ouvir as palavras de saudação de Hildeberto, que, estou certo, falou por todos os presentes com o talento de sempre. Uma ocasião memorável da qual gostaria de ter participado. Um preito justíssimo ao qual apreciaria ter me associado presencialmente.
29.6.25
Parafraseando Cecília Meireles, houve um tempo em que a minha janela se abria para a atividade como pastor à frente de uma modesta igre...
Parafraseando Cecília Meireles, houve um tempo em que a minha janela se abria para a atividade como pastor à frente de uma modesta igreja reformada. Como na vida de Vincent Van Gogh, a experiência pastoral ficou para trás, com a diferença de que depois Van Gogh virou Van Gogh e eu continuo a ser apenas eu.
29.6.25
Sinónimo de vigor, a bandeira condensa a identidade social, política, religiosa e cultural de um povo, a sua História, o ordenamento, a...
Sinónimo de vigor, a bandeira condensa a identidade social, política, religiosa e cultural de um povo, a sua História, o ordenamento, a filosofia de vida e uma consciência de nação.
29.6.25
Sempre fui uma pessoa mais do Carnaval e das suas loucuras e batuques. Mas também gostava do São João. E na minha meninice, soltava fo...
Sempre fui uma pessoa mais do Carnaval e das suas loucuras e batuques. Mas também gostava do São João. E na minha meninice, soltava fogos e depois dançava quadrilha. Com os filhos pequenos, vinha festinha de colégio, fogueira em casa e meninos gostam de bombas. Eu não. Mas até hoje, quando ouço Dominguinhos e Flávio José, me enterneço e aqueles forrós de sanfona boa, já dá vontade de dançar. Mas nunca tive namorado nem marido dançador (A vida está em falta comigo nesse quesito). E forró é dança de parelha. E acho muito lindo ver um casal encaixado a surrupiar pelo salão. Dança sensual e lúdica. Molejo que arrepia.
29.6.25
Fui reencontrar a cidade das minhas relações, amizades, camaradagens ou dos meus respeitos, a cidade por dentro, na releitura de um liv...
Fui reencontrar a cidade das minhas relações, amizades, camaradagens ou dos meus respeitos, a cidade por dentro, na releitura de um livro da minha estante paraibana, memórias de Haroldo Escorel Borges. E voltei a me ver no que sempre fui sem forçar a natureza: justamente aquilo que na cultura do meu interior brejeiro as comadres e compadres chamam de “uma pessoa dada”, que se dá com todos. Suponho-me entre elas até porque comecei dado a uma família que me acolheu de corpo inteiro.
29.6.25
Três dias depois da chamada “Proclamação da República” o jornal Diário Popular , de São Paulo, publicava um artigo do jornalista para...
As trapalhadas de um militar no primeiro governo da Paraíba na República
Três dias depois da chamada “Proclamação da República” o jornal Diário Popular, de São Paulo, publicava um artigo do jornalista paraibano Aristides Lobo no qual ele narrava o que havia acontecido no Rio de Janeiro no dia do golpe militar que derrubara a monarquia no Brasil.
28.6.25
Digamos que foi um sonho Ela era doce, carente Pela segunda vez adolescente E muito assustada Ele descrente sofrido ...
Digamos que foi um sonho
Ela era doce, carente
Pela segunda vez adolescente
E muito assustada
Ele descrente sofrido
Desafiava atrevido
Ou tudo ou nada.
28.6.25
Sou agraciado com os beijos do mar e as carícias dos ventos. Em mim o tempo se faz história. Como testemunha dos meus dias, p...
Há algumas etimologias encontradiças em obras de referência, que não me parecem adequadas, embora divulgadas de maneira categórica. Uma delas é a de que “sincero” teria vindo da expressão “sem cera”. Como as máscaras eram de cera, uma pessoa sincera seria uma pessoa sem máscara, não falsa, natural. Comunga dessa ideia o Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa (de Evaldo Heckler, Sebold Back e Egon R. Massing), editado em São Leopoldo pela Unisinos, em 1984. Em latim, cera é feminino e a preposição sine (sem) exige ablativo. Não sei como se daria a transformação de uma locução adjetiva feminina (sine cera) no adjetivo masculino sincerus, de primeira classe.
28.6.25
Hefestos, constrangido, prende Prometeu; Poder vigia implacavelmente o trabalho; Violência apenas acompanha o desenrolar dos fatos, sem...
Hefestos, constrangido, prende Prometeu; Poder vigia implacavelmente o trabalho; Violência apenas acompanha o desenrolar dos fatos, sem proferir palavras ou realizar qualquer ação; Prometeu, acorrentado, lamenta o seu destino trágico. Eis o que poderia ser uma síntese do Prólogo de Prometeu acorrentado, tragédia de Ésquilo.
27.6.25
“Campina Grande, Deus te colocou nos píncaros da Borborema para mais perto do céu contemplar o bordado azul dos teus horizontes.” ( A...
“Campina Grande, Deus te colocou nos píncaros da Borborema para mais perto do céu contemplar o bordado azul dos teus horizontes.”
(Alcides Carneiro)
Localizada no Planalto da Borborema (Serra da Borborema, ou Planalto Nordestino, Borborema, originário do Tupi: ybymbore’yma, terra sem habitantes) nascida de um aldeamento de índios Ariús, a atual Campina Grande se consolidou como povoado com a chegada do Capitão-Mor das Fronteiras das Piranhas, Cariri e Piancó, o nobre português Teodósio de Oliveira Lêdo, no primeiro dia de dezembro de 1697. Teodósio saiu da região do rio São Francisco, na Bahia, e adentrou a Paraíba pelo alto sertão para tomar posse das sesmarias que ficavam ao longo do Rio Paraíba e média 275 km (50 léguas) de cumprimento por 55 km (10 léguas aproximadamente) de largura.
27.6.25
Desde a estória do dia em que choveu merda, passando pelo casal que fugiu levando a porta da casa por teimosia da esposa e chegando à ...
Desde a estória do dia em que choveu merda, passando pelo casal que fugiu levando a porta da casa por teimosia da esposa e chegando à maravilhosa estória de Justiniano, que alimentou Deus e jogou baralho com o diabo ganhando todas as almas do inferno, minha infância foi absolutamente diferente das infâncias das pessoas com quem conversei sobre essas estórias. Será possível que nenhum de vocês teve uma avó parecida com Dona Batistinha, que iluminava meus primeiros anos com o inimaginável para quem limitou-se a João e Maria, Rapunzel e outros que tais?
27.6.25
Não apenas me disseram onde eu encontraria aquele infeliz, mas, ainda, que mesa de bar ocupava. Éramos jovens quando, felicíssimo, com ...
Não apenas me disseram onde eu encontraria aquele infeliz, mas, ainda, que mesa de bar ocupava. Éramos jovens quando, felicíssimo, com um riso de orelha a orelha, ele me fez conhecer a posterior razão do seu padecimento: uma morena bonita com olhos de onça. Ninguém, antes nem depois dela, causou-me tão má impressão no ato das apresentações.
26.6.25
Aragem Margem Ar E o tempo Mergulha Ergue As flores Cores Florestas As réstias Dentro da Mata
Recentemente foi publicado, em Vitória, um livro de poesias com o título assaz insólito: O mais Eu de todos em mim vive me desconhecendo. Tal livro, de autoria do poeta Jorge Elias Neto e do fotógrafo Vítor Nogueira descortina a miséria nas ruas da capital.
26.6.25
Nos últimos anos, o mundo tem sido palco de conflitos armados que refletem não apenas disputas territoriais, mas também a complexidad...
Nos últimos anos, o mundo tem sido palco de conflitos armados que refletem não apenas disputas territoriais, mas também a complexidade das relações internacionais em um cenário onde a tecnologia bélica avança a passos largos. A guerra, uma constante na história da humanidade, parece ter se tornado ainda
25.6.25
Noite maior Uma noite como aquela, Uma entre tantas, mas eterna, Única em sua plenitude, Plural em suas consequências...
Noite maior
Uma noite como aquela,
Uma entre tantas, mas eterna,
Única em sua plenitude,
Plural em suas consequências.
Hoje, na imensidão do tempo
E longitude dos mares ao norte,
Sinto que a distância altera o sentido.
Serei eu o mesmo que fui ontem?
Serás tu em que penso todos os dias?
Seremos nós o que sentíamos ser?
Quem saberá todas as respostas?
25.6.25
Recorro às palavras do mestre Villas-Bôas Corrêa quando abordava sua trajetória de jornalista, uma história de quase meio séc...
Recorro às palavras do mestre Villas-Bôas Corrêa quando abordava sua trajetória de jornalista, uma história de quase meio século de atuação da Imprensa do Rio de Janeiro, para falar do livro que o amigo Rubens Nóbrega publicou recentemente, intitulado “Memória do Batente”, mas que gostaria de ter denominado de “Memória de um tradutor de telegramas”.
25.6.25
Meus amigos, minhas amigas, para começar sei bem diferenciar o que é inveja do que é cobiça. E sei também que há invejas e invejas......
Meus amigos, minhas amigas, para começar sei bem diferenciar o que é inveja do que é cobiça. E sei também que há invejas e invejas... Já que vou discorrer acerca das minhas invejas e exclusivamente delas, creio ser prudente também esclarecer que as minhas são inofensivas, inocentes idiossincrasias. Nada além disso. Falemos delas, então.
25.6.25
“O amor é um egoísmo a dois” . Essa frase de Madame de Stael comporta aquilo que o psicanalista Freud e o sociólogo Bauman trabalham em...
“O amor é um egoísmo a dois”. Essa frase de Madame de Stael comporta aquilo que o psicanalista Freud e o sociólogo Bauman trabalham em suas obras. Será mesmo essa a nossa essência: amar o outro como a um espelho ou como um objeto cujas projeções estão pautadas em nossos desejos, carências? E, hoje, na menor das não correspondências, somos legados ao abandono, porque raros são aqueles dispostos a construir laços concretos? O mundo da pressa, da ansiedade, do querer globalizado e pouco centralizado nos põem à margem. Irônico.
24.6.25
Quando cheguei, meio metro de neve cobria as calçadas. Nas ruas silenciosas, um vento gelado fazia doer os ossos do rosto. A paisagem ...
Quando cheguei, meio metro de neve cobria as calçadas. Nas ruas silenciosas, um vento gelado fazia doer os ossos do rosto. A paisagem de cartão de Natal encantou meus olhos tropicais.
24.6.25
Vamos dançar de novo aquela quadrilha? Prometo que agora não vou lhe decepcionar. Da primeira vez me comportei mesmo como um matuto, ...
Vamos dançar de novo aquela quadrilha? Prometo que agora não vou lhe decepcionar. Da primeira vez me comportei mesmo como um matuto, deixando você sozinha no salão. De nada adiantou o cachimbo, o cornimboque e o bigode com que me adornaram para parecer um cabra da peste. Tudo aquilo era postiço; verdadeira mesmo só a minha timidez. Agora prometo levar a dança até o fim, mesmo que ainda não tenha muito jeito. Ou jeito nenhum.
23.6.25
Há dias em que acordo com uma pergunta ecoando dentro de mim: quem sou eu quando ninguém me vê? A pergunta soa filosófica, quase ped...
Há dias em que acordo com uma pergunta ecoando dentro de mim: quem sou eu quando ninguém me vê? A pergunta soa filosófica, quase pedante, mas desce rápido para o chão do cotidiano quando me deparo com o espelho do elevador. Ali, antes mesmo de eu me arrumar, já estou me ajustando: endireito os ombros, suavizo a expressão, preparo um rosto que não é exatamente mentira,
23.6.25
Ronilson Ferreira dos Santos é professor e poeta, natural de João Pessoa (Paraíba). É doutor e mestre em Linguística. Seu primeiro livr...
Ronilson Ferreira dos Santos é professor e poeta, natural de João Pessoa (Paraíba). É doutor e mestre em Linguística. Seu primeiro livro, [Re]Verso da Palavra, foi publicado em 2023. O segundo, Depois da Folha, em 2025. A poesia de Ronilson — conhecido como Rony Santos — não é apenas fruto de um trabalho intelectual ou técnico, mas um ato criativo impulsionado por uma força interna espontânea, que não se submete a regras rígidas ou convenções. A espontaneidade em sua criação poética permite que as intuições fluam livremente, fazendo da inspiração um processo de equilíbrio entre razão e emoção, entre forma e conteúdo. Seus poemas sublimam as forças conflitantes do ser humano e expressam compaixão diante do grito social e da miséria humana.
23.6.25
Ao contrário do que pensam os desinformados, não são fashion os sapatos vermelhos do papa. Ou seja, não têm nada a ver com moda...
Ao contrário do que pensam os desinformados, não são fashion os sapatos vermelhos do papa. Ou seja, não têm nada a ver com moda e sim com toda uma antiga simbologia religiosa da Igreja Católica. Significam tradição e não a novidade frívola dos modismos. Simbolizam o sangue da paixão e morte do Cristo. São trágicos, portanto, e não carnavalescos. Merecem respeito e não deboche. Assim os sapatos e assim todos os demais itens do vestuário papal. Tudo é simbólico, tudo tem um significado.
22.6.25
Quando criança, morei ao lado de uma área de preservação ambiental, para onde eu costumava ir com frequência. No parque, havia inúmeras...
Quando criança, morei ao lado de uma área de preservação ambiental, para onde eu costumava ir com frequência. No parque, havia inúmeras espécies vivendo em liberdade, entre elas, a cutia, um pequeno roedor que mede cerca de meio metro e se alimenta de frutas, sementes, grãos, hortaliças e tubérculos.
22.6.25
Sempre quis conhecer os Campos de Lavanda na Provence/França, mas para isso tem-se que enfrentar o verão francês. E não gosto de calor....
Sempre quis conhecer os Campos de Lavanda na Provence/França, mas para isso tem-se que enfrentar o verão francês. E não gosto de calor. Só na praia com água de coco ou cerveja gelada. Em 2023, realizei o sonho da Provence, mas com os campos a florir ainda, mas me esbaldei nos Impressionistas e nas casas de Van Gogh e Paul Cézanne. Faltava as tulipas na Holanda.
22.6.25
Era a minha estreia no Rio de Janeiro, levado no meio de uma delegação de militantes da secção local da União Brasileira de Escritor...
Era a minha estreia no Rio de Janeiro, levado no meio de uma delegação de militantes da secção local da União Brasileira de Escritores, uma das muitas entidades culturais dos anos 1950 que funcionavam a pretexto de justificar o patrocínio dessas iniciativas. Íamos participar de um festival de escritores, creio que o primeiro no Brasil, e me incluíram nessa delegação beneficiada pelos estímulos à cultura no governo Pedro Gondim.
22.6.25
Muitas obras de Arquitetura pelo mundo não são apenas bonitas de se ver, e sim apreciadas até pelo aspecto lírico que também inspir...
Muitas obras de Arquitetura pelo mundo não são apenas bonitas de se ver, e sim apreciadas até pelo aspecto lírico que também inspiram sua função. Exatamente por abrigar em seu processo estético objetivos funcionais, a liberdade criativa não se garante por completo na Arquitetura como expressão de Arte. Há diretrizes que moldam não apenas sua forma, mas conduzem sua funcionalidade,
21.6.25
Sabe um programa de TV que a pessoa ficava numa caixa fechada respondendo, aleatoriamente, sim ou não? "Você quer trocar um Fusca...
Sabe um programa de TV que a pessoa ficava numa caixa fechada respondendo, aleatoriamente, sim ou não? "Você quer trocar um Fusca pela tampa da privada?" E a pessoa respondia toda animada, Simmmmm. Pois é, assim que me sinto após a cirurgia de catarata (necessária e realizada com sucesso), que me colocou num aprendizado que não esperava. Estou enxergando muito bem, de longe. Vejo até o fim do mundo. Mas de perto, perdi a objetividade do detalhe. Não sei lidar bem com isso ainda, sou das minúcias, dos pequenos objetos, do simples que se vê de perto, da beleza do uno.
21.6.25
Existem pares de substantivos comuns, semanticamente relacionados, em que o feminino e o masculino se usam diferentemente pelos falante...
Existem pares de substantivos comuns, semanticamente relacionados, em que o feminino e o masculino se usam diferentemente pelos falantes, guiados pela intuição. Pergunte-se a um brasileiro se ele põe uma jarra d’água ou um jarro d’água na mesa, se ele compra um saco de café ou uma saca de café, se ele pegava a barca ou o barco para ir do Rio a Niterói... A todas essas perguntas, ele responderá sem hesitação, de
21.6.25
Meu querido Alexei, Parte do que aqui escrevo foi um sonho que tive, mas sabendo do alcance do seu saber e da sua compreensão, poss...
Parte do que aqui escrevo foi um sonho que tive, mas sabendo do alcance do seu saber e da sua compreensão, posso confessar que foi um desdobramento, tal a materialidade tátil do que vivi. Eu saía de um edifício, quando fui chamado, do outro lado da rua, pelo meu irmão Arturo Gouveia, um grande conhecedor de Augusto dos Anjos, para ir até o lugar em que ele se encontrava. Ali chegando, encontrei-o acompanhado do nosso querido William Costa e de uma outra pessoa, cujo nome não lembrei, e ainda não lembro. Arturo me perguntava se eu iria participar da edição mista de Augusto dos Anjos, compreendendo,
20.6.25
Se você confunde o bucho furado com o fofoqueiro está absolutamente errado. É do mais básico saber científico que o fofoqueiro nem ...
Se você confunde o bucho furado com o fofoqueiro está absolutamente errado. É do mais básico saber científico que o fofoqueiro nem sempre espalha notícias verdadeiras. Às vezes ele inventa ou adultera um fato para tornar a fofoca mais bombástica. Isso jamais ocorre com o bucho furado. Os estudos realizados pela tradicionalíssima Lies University apontam o nível de excelência das notícias dadas pelos buchos furados. E sabe por que? Porque simplesmente o que move o bucho furado é uma reação química criada no cérebro que o impede de guardar segredo.
20.6.25
Essa exposição era o que tinha de ser. E o que tem de ser tem muita força, como ensina a sabedoria popular. Assim, foi programada p...
Essa exposição era o que tinha de ser. E o que tem de ser tem muita força, como ensina a sabedoria popular. Assim, foi programada pelo Destino e gestada no "Galope do Sonho".
20.6.25
Acho que aqueles dois começaram a se imprensar na janela de Seu Severino por volta de 1958, o ano da primeira conquista brasileira de u...
Acho que aqueles dois começaram a se imprensar na janela de Seu Severino por volta de 1958, o ano da primeira conquista brasileira de uma Copa do Mundo. Compunham, então, o agrupamento de televizinhos para a audiência de jogos filmados, enlatados, despachados e exibidos, somente dias depois de ocorridos, num momento em que a tecnologia ainda não oferecia ao mundo os satélites de comunicação nem as redes de tevê para transmissões ao vivo.
19.6.25
“... A carne, sem pão, encontrada no chão, é de todos nós, e que já era mais que tardia a nossa apatia e cinismo em insistir na açã...
“... A carne, sem pão, encontrada no chão, é de todos nós, e que já era mais que tardia a nossa apatia e cinismo em insistir na ação de não reconhecermos nela nossa fisionomia”.
Carlos Fabian de Carvalho
(Pastoral do Povo de Rua)
(Comissão da Promoção da Dignidade Humana)
O poeta espalha a enormidade lúdica do desengano.
A sombra sinaliza ao homem o poder da luz que não
nos deixa esquecer que estar de pé é uma
circunstância, uma transitoriedade.
A sombra é a seta que o céu projeta sobre a soberba
da consciência bípede.
Vitor Nogueira
Não me vesti de mim,
não me cabe ser algo que não preencha o meu vazio.
O chão e o naufrágio são umidades sem esperança.
O que reveste a santidade além do manto?
Consequências ignoradas, oportunidades perdidas.
Os anjos são rústicos.
Qual verdade lustra os pés descalços?
19.6.25
A lua cheia no céu E um barquinho no mar. As ondas num vaivém, O oceano a bailar. Outono é a estação, E o meu pobre coração, F...
O Brasil, com sua imensidão territorial e diversidade cultural, é um mosaico de experiências e saberes. Ao visitar lugares como Belém, onde a cultura indígena se faz presente de forma vibrante, somos convidados a refletir sobre as inúmeras dimensões que compõem a identidade brasileira. A conexão dos povos indígenas com a natureza é uma lição que ressoa profundamente, especialmente em um mundo cada vez mais afastado de suas raízes naturais.
18.6.25
Sou do tempo em que, sem os supercomputadores de hoje pra previsões meteorológicas, em muitas residências havia a miniatura de uma casa...
Sou do tempo em que, sem os supercomputadores de hoje pra previsões meteorológicas, em muitas residências havia a miniatura de uma casa, de que saía uma mocinha com roupas alegres ou um cara com guarda-chuva, dependendo do barômetro. Não era um prognóstico muito seguro, claro. Como os de hoje ainda não são.
18.6.25
Vou registrar nestas linhas algumas imagens de meu tempo de menino até que eu possa chegar ao que sugere o título do presente texto. Co...
Vou registrar nestas linhas algumas imagens de meu tempo de menino até que eu possa chegar ao que sugere o título do presente texto. Começo dizendo que foi o melhor dos meus tempos. Jogava-se bola na rua, empinava-se pipa nos ventos de julho, fazia-se o pião girar absoluto em chão de terra batida e havia de se mostrar destreza e pontaria nas contendas com bolas de gude.
18.6.25
Um dos elementos mais fascinantes da literatura ficcional é a personagem. Quem não se lembra de figuras marcantes como Capitu, de Dom C...
Um dos elementos mais fascinantes da literatura ficcional é a personagem. Quem não se lembra de figuras marcantes como Capitu, de Dom Casmurro, de Machado de Assis, com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada; Fabiano, de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, com sua luta bruta contra a miséria e a seca; a Gabriela, de Jorge Amado, com seu cheiro de cravo e canela,
17.6.25
Houve um tempo em que no quintal de minha casa existia um cajueiro, alto e frondoso, que preservei por muitos anos,...
Houve um tempo em que no quintal de minha casa existia um cajueiro, alto e frondoso, que preservei por muitos anos, desfrutava da sombra e colhia frutos. Os pássaros se acomodavam e faziam seus ninhos. Já estava em altura que trazia incômodo para o pequeno espaço do jardim por causa das folhas secas em excesso e do cupim a infestar o madeiramento da casa.
17.6.25
As curvas e a vegetação mais árida trazem belezas novas. E quilômetros só de estrada, pontilhados por cidades que surgem...
As curvas e a vegetação mais árida trazem belezas novas. E quilômetros só de estrada, pontilhados por cidades que surgem, que se cruzam, que ficam pelo retrovisor. Serras com nomes de suas cidades se aproximam e lançam blocos gigantes de rocha dependurados sobre uma estrutura ímpar. Serra de Santa Luzia e Serra do Teixeira se revelam com as suas pequenas bocas prontas para engolir a serpente asfáltica e as micros máquinas que vão e vem entre o Litoral e o Sertão.
17.6.25
Fala-se muito do Machado dos romances e dos contos, e pouco se comenta o Machado de Assis cronista. Mas o velho Bruxo também foi bom ne...
Fala-se muito do Machado dos romances e dos contos, e pouco se comenta o Machado de Assis cronista. Mas o velho Bruxo também foi bom nesse gênero. Uma boa oportunidade de constatar isso é ler “Fuga do hospício”.
16.6.25
A felicidade é, talvez, a mais inútil das invenções humanas. Não serve para nada. Não constrói pontes, não paga contas, não resolve co...
A felicidade é, talvez, a mais inútil das invenções humanas. Não serve para nada. Não constrói pontes, não paga contas, não resolve conflitos, não salva ninguém de um dia ruim. Ela é como a água que escorre entre os dedos de quem tenta segurá-la: quanto mais se esforça, mais se perde.
16.6.25
A ideia de psicopatas no poder político sempre despertou fascínio e temor, tanto nos institutos de pesquisas acadêmicas quanto na cultu...
A ideia de psicopatas no poder político sempre despertou fascínio e temor, tanto nos institutos de pesquisas acadêmicas quanto na cultura popular. Psicopatas são indivíduos caracterizados por traços como falta de empatia, manipulação, charme superficial, ausência de remorso e uma inclinação para comportamentos antiéticos e até criminosos, sem que isso lhes gere culpa. Quando essas características se manifestam em líderes políticos, os impactos podem ser de terror social ou de guerras.