Nem os ministros do STF escapam do julgamento do povo. Enquanto eles julgam com base na Constituição, o povo os avalia pelo que deixam...

Os Ministros na padaria

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Nem os ministros do STF escapam do julgamento do povo. Enquanto eles julgam com base na Constituição, o povo os avalia pelo que deixam escapar além dos votos ou acórdãos que produzem e, ultimamente, muito mais por fatos que extrapolam seu ofício.

Talvez fosse conveniente que soubessem o que o povo acha deles. Um exemplo simples ocorre todos os dias nas “sessões de julgamento” da padaria onde tomo o café da manhã. Ao redor da mesa, não é
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Gilmar Mendes ▪️ Foto: Nelson Jr /// STF
incomum sentarem-se até 15 pessoas das mais variadas profissões e origens — um caldo cultural impressionante. Hoje pela manhã, mais uma vez, Suas Excelências foram “julgadas”. A preliminar foi a lembrança de um corretor de imóveis sobre uma discussão entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Ele lembrou que Gilmar lançara uma ideia, e Joaquim reclamou, dizendo que a tese deveria ser exposta em pratos limpos. Mendes encrespou e rebateu, dizendo que Barbosa havia faltado à sessão em que discutiram a tese. Pra quê? Joaquim partiu pra cima: “Quando Vossa Excelência se dirige a mim, não está falando com os seus capangas no Mato Grosso”.

Um investidor do mercado paralelo de juros (se é que vocês me entendem) interrompeu: “Ah, eu prefiro aquela discussão de Gilmar (olha só a intimidade deles com os ministros do STF) com Barroso. No meio do voto, Gilmar disse algo que irritou o colega. Barroso botou quente; disse para deixá-lo fora dos seus maus sentimentos e depois ainda afirmou que Gilmar era uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”.

O industrial Gil, que fabrica rói-róis e baladeiras em Nazaré da Mata, gargalhou: “O que acho mais bonito é que eles arengam demais, mas continuam se chamando de Excelências. Se fosse no bar do Zuca...”.

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Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso ▪️ Fotos: Sérgio Lima e André Dusek /// STF
Outro ponto de divergência nas “sessões” matinais da padaria é a suposta inclinação política dos ministros, que, lá na distante Brasília, não sabem que são rotulados diariamente de esquerdistas ou bolsonaristas. O mais engraçado é que, quando o ministro supostamente identificado com uma ala toma uma decisão diversa da que esperam seus “torcedores”, logo vem a justificativa de que ele bateu pino ou está virando a casaca (no caso, a toga, né?).

Fiz um teste: quantos nomes dos jogadores de futebol da seleção brasileira que jogou a última Copa do Mundo eles lembravam? E quais os nomes dos ministros do STF que conheciam?

Adivinhem quem ganhou de goleada...
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