A propósito do aniversário no último 5 de agosto, recorrentemente me pergunto quantas Parahybas existiram de 1585 até hoje. Refiro-me à Parahyba Capital, antes Cidade da Senhora das Neves, sucessivamente Filipeia, Frederica, Parahyba e, finalmente, João Pessoa. Quantas João Pessoa terão existido desde que aqui cheguei, há 75 anos?
José Américo está conversando no hall do Clube dos Diários, sentado entre contemporâneos da Justiça e da Política, o carro, um Ford de bigode, estacionado ao lado do clube. Rui Carneiro, vendedor de anúncios do “Correio da Manhã”, vem com Basileu Gomes, ambos rapazes, Rui à procura de quem lhe empreste um automóvel para fazer fita em frente à casa da namorada, lá pelo sítio do Abrigo Jesus de Nazareth.
“Pronto, um carro ali”, aponta Basileu, advertindo: “Só que é de Zé Américo…”
“A ele eu não tenho coragem de pedir”, confessa Rui, tímido e desenganado.
Não existem mais esse clube nem esse acanhamento. O que resta e sobrevive no mesmo local é outro tempo. Outra vida, tendo de comum apenas alguma parede ou alicerce.
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A rua 13 de Maio me oferece duas leituras diferentes: a de minha primeira estada em João Pessoa, hóspede de uma casa senhorial de azulejos portugueses que me dava a sensação de viajante bem situado. E, por último, a cidade das minhas leituras, através das quais Coriolano me pega pela mão e vai mostrando o Major Arthur Achilles saindo dessa rua (talvez da própria pensão onde, meio século depois, me hospedei e na qual ele deve ter morado) para receber as homenagens diárias que o começo do século lhe prestava em pessoa ou através de “O Comércio”, o seu jornal.
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Publicado hoje, 16/08/26, no jornal A União










