Alfredinho e Tavares eram amigos de longa data, desde quando faziam o Curso de Admissão que Dona Olga ministrava em sua garagem para eles e mais uma dúzia de garotos que pretendiam começar o ginásio no ano seguinte. Para quem não sabe, lá naquelas priscas eras, depois do curso primário, para se dar continuidade aos estudos, o passo seguinte era o ginásio. Só que, para essa nova etapa, tinha-se que fazer o Exame de Admissão. Foi ao se prepararem para essas provas que os dois se encontraram e ficaram, como se diz por aí, carne e unha.
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— Tavares, vem cá!
Tavares foi. Assim que chegou perto do amigo, Alfredinho pregou-lhe um soco no nariz que espirrou sangue que não foi brincadeira. Mas por quê? É o que vou contar nas linhas seguintes.
Eram casados (não um com o outro). Tavares com Dona Helena, que era “do lar”. Esta viveu sempre para o marido e para seus três rapazes. Dois já na faculdade e o caçula servindo à Pátria no Tiro de Guerra.
Já Alfredinho juntara os panos, com bênçãos do altar e permissão dos cartórios, com Claudete, uma colega muito espevitada desde os tempos em que nele apareciam os primeiros fiapos de bigode. À época do que aqui relato, ela era funcionária concursada da prefeitura, onde exercia o cargo de secretária no Departamento de Água e Esgotos. Não tinham filhos.
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Sábado à noite, impreterivelmente, as famílias juntavam panelas. Uma semana na casa de um e, na semana seguinte, na do outro. Chamavam mais uns amigos, as respectivas patroas e crias para completarem as parcerias no truco após o jantar. Os rapazes de Tavares, vez ou outra, participavam do carteado, que era sempre acompanhado de uma cervejinha ao ponto para alegrar os contendores. Uma festa, uma celebração entre famílias e amigos.
E assim iam levando a vida. Davam-se bem todos que participavam desses encontros.
Até que, de uns tempos atrás, começaram a acontecer coisas.
Já dissemos que Claudete, quando mocetona, era espevitada que só. E assim continuou depois de casada, falante, riso solto e muito “semostradeira”. Uma “danadinha”, dizia Dona Helena, fazendo-se desentendida e usando os eufemismos que conhecia. Esses arroubos de Claudete, é importante que se diga, não afetavam a relação entre as famílias.
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Ninguém ficou sabendo as razões pelas quais Juca, que era separado da mulher, mudou de cidade e transferiu seu estabelecimento para seu novo domicílio. Com isso, os boatos perderam força, mas nem por isso Alfredinho perdeu aquela fama que os leitores e leitoras sabem qual é.
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Quando nosso amigo foi chorar as mágoas com Tavares, este ainda perguntou ao infeliz:
— Mas deixou só o tapete?
— Só!
Então, às escondidas, Tavares esparramou a notícia e se referia ao amigo (amigo?) como Alfredinho Aladim. Aladim, já pensaram? Ao saber quem havia carimbado o apelido, nosso camarada pegou ar e foi tomar satisfação com Tavares, que levou aquele murro nas ventas.
Depois disso, Alfredinho queimou o tapete. Mas não teve jeito, ficou com a pecha. Essa é a história de Alfredinho Aladim e de seu tapete, que de mágico não tinha nada.











