O humor se distingue da comicidade por estar na linguagem. Como tal, possui uma retórica, que orienta alguns dos procedimentos capazes de levar ao riso.
Na comicidade, rimos da situação ou da figura física; um palhaço, com seu narigão e suas calças largas, é basicamente um cômico. Já no humor rimos do efeito surpreendente produzido pelas palavras. O inesperado, que pode ou não tender ao absurdo, faz rir.
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A paródia é a reescrita de um texto visando a contestar-lhe a ideologia, o espírito, o sentido original. Muitas vezes o que provoca essa reescrita é a semelhança sonora (paronomásia). Um exemplo encontra-se na composição em que o modernista Oswald de Andrade parodia a famosa “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. Ao escrever “Minha terra tem Palmares”, em vez de “palmeiras”, Oswald critica o idealismo nacionalista do autor romântico. Afinal, como conciliar a idílica visão do Brasil com o massacre perpetrado pelas forças do governo contra o quilombo de Zumbi?
Na quebra do paralelismo semântico, coordenam-se temos pertencentes a diferentes áreas do sentido. O resultado é um tipo de ruptura que surpreende o leitor, como na frase: “Semana passada fiz duas operações – uma no joelho, outra no Banco do Brasil.” A atribuição de outro sentido ao termo “operação” (procedimento bancário, e não intervenção cirúrgica) quebra a expectativa e produz o riso.
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O efeito irônico ocorreria caso a designação se aplicasse a alguém baixinho e feioso. É a distância entre o comparado e o comparante (Brad Pitt) que faz rir. A ironia é uma metáfora sem nexo, ou melhor, uma metáfora em que o chamado “nexo dos atributos” é na verdade uma antítese. Ou um paradoxo.
A reconversão ao literal (ou seja, ao sentido original e denotativo) parece ir de encontro ao princípio que norteia os desvios estilísticos, qual seja, o de que o efeito expressivo resulta de uma ruptura com os sentidos cristalizados, convencionais. Nesse tipo de procedimento, o efeito vem justamente do percurso oposto.
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Os exemplos são muitos. Um dos mais conhecidos é o da velha piada: “Pedro caiu na fossa.” “Morreu?” “Não. Escapou fedendo.” Nessa passagem “escapar fedendo”, que virou lugar-comum, deixa de significar “escapou por pouco”, ou “por um triz”, e adquire uma súbita atualização. O fato de haver mesmo o mau cheiro desautomatiza a percepção linguística de maneira análoga à que ocorreu no primeiro momento, quando se construiu a imagem (“escapar fedendo” como “quase sucumbir).
Efeito semelhante ocorre em clichês como “ficar de nariz empinado” ou “empurrar com a barriga” em frases do tipo: “Depois que fez plástica, ele vive de nariz empinado” ou “Arranjou uma gravidez indesejada. Agora vai ter que empurrar com a barriga”. A ambiguidade faz com que os referidos clichês deixem de ser apenas “força de expressão” e traduzam literalmente as ações.
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