Ninguém nega que Antônio Carlos Jobim, o querido e saudoso Tom Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 – Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), foi o maior músico que o Brasil já teve. Ele era completo: pianista, cantor, compositor e maestro. E brilhava em todas as posições em que jogava! Deixou um acervo musical invejável em todos os sentidos.
Eu tinha 11 anos quando assisti ao filme Fantasia (Ben Sharpsteen e diversos diretores – 1940), uma produção de Walt Disney, no Cine Brasil. Lá se vão mais de seis décadas, mas o filme exerce sobre mim uma grande influência até os dias de hoje.
Fonte: primevideo.com
De todas as animações, essa foi uma das que mais me impressionaram.
David Trindade Filho ▪️ Facebook: @diplomatas1968
A música me acompanha desde os meus primórdios. Quando eu tinha 7 anos, meu pai, Francisco Espínola, comprou uma radiola e uma bela coleção de discos, com obras de Perez Prado, Noel Rosa, Ray Conniff, Luiz Gonzaga, Glenn Miller, música erudita espanhola, valsas de Strauss (o disco chamava-se Vozes da Primavera) e muitos outros long plays (LPs).
Inesquecíveis para mim, todos me influenciaram ao longo da vida, pois passei a infância e a juventude escutando essas maravilhas. De quase todos eu me lembro, inclusive das capas dos discos!
A influência musical que eu recebi era muita e diversa desde a tenra infância, pois meus irmãos tinham, cada um, o seu respectivo gosto musical.
Tom Jobim e Vinicious de Morais, músicos autores de harmonias sofisticadas, letras intimistas e coloquiais, com linguagem moderna e urbana, criaram várias das bases da Bossa Nova ▪️ YouTube: George Kaplan
Quando eu tinha tenra idade, 2 ou 3 anos, acho, lembro-me de que João Neto me botava para dormir cantando músicas infantis. A canção de que me lembro como a mais distante foi Meu Boi Barroso, música do cancioneiro gaúcho.
Já com Paulo Fernando eu aprendi a gostar dos ritmos latinos: mambo, rumba, bolero e cha-cha-cha. Foi Paulo quem me apresentou ao Bolero (1928), a obra clássica mais conhecida de Maurice Ravel.
Humberto era (e ainda é!) um profundo connoisseur da bossa nova. E do jazz também! Acredito que ele seja o paraibano vivo que tenha mais conhecimento do gênero bossa nova, das músicas e das suas histórias!
Erasmo Carlos, Wanderléa e Roberto Carlos: os três pilares da Jovem Guarda▪️Instagram: @brasilculturamais
Na família, temos dois grandes músicos: Francisco Júnior, meu irmão mais novo. Ele dedilha a guitarra como poucos, qualquer que seja o gênero musical, pois domina todos. Conhece música como pouca gente. O outro é meu filho Henrique, que toca guitarra muito bem, inclusive contrabaixo, e é exímio baterista!
Assim, dá para vocês perceberem que a música sempre foi prazerosa para mim, por me acompanhar desde pequeno.
Eu tenho a trilha sonora da minha vida. Ela é composta por aquelas músicas que marcaram os acontecimentos mais importantes da minha existência.
Momentos os mais diversos possíveis: namoro (Alone Again, de Gilbert O’Sullivan, em 1972), noivado (Yes, Sir, I Can Boogie, de Baccara, em 1977) e meu casamento com Ilma (Stayin’ Alive, dos Bee Gees, em 1977).
A primeira música do prenúncio de namoro com Ilma foi Asa Branca (Quinteto Violado – 1972), quando a encontrei num “assustado”, na casa de sua amiga querida Anadiles, em outubro de 1972. Asa Branca é o nosso hino.
Depois vieram muitas e boas músicas: os nascimentos de Henrique, de Ricardo e de Ana Laura, por exemplo, cada um com uma música marcante.
Pois é, todos os instantes que me são caros, e que mais me marcaram na vida, estão representados numa lista musical. Não me esqueço de nenhum.
José Mário Espínola
Inicialmente, procuro identificar o que mais me atrai: o ritmo, o compasso. Em seguida, procuro entender a mensagem, ouvindo a letra e, a partir daí, o gênero. A seguir, presto atenção à melodia. Depois, à voz do intérprete. Finalmente, procuro isolar e identificar cada instrumento, especialmente o que toca o tom grave, que é o que mais me impressiona numa música.
A realidade é que eu sou fascinado pelo som grave. Para mim, é esse o tom que impõe respeito dentro de uma música. Qualquer que seja o instrumento de origem, eu gosto: baixo, contrabaixo, violoncelo, bombo, surdo, trompas, tubas, tímpanos, fagotes — todos me fazem sonhar acordado.
Novo ainda, prestava muita atenção aos baixistas dos tercetos de jazz, nos discos levados por João Neto e por Humberto, que me impressionavam.
Gaiolas Abertas É o caso, por exemplo, de Long Cool Woman (The Hollies – 1971). Ao entrar o baixo, a música muda de rumo. Na música Gaiolas Abertas, de João Donato, no minuto 1’36”, você sente a interferência respeitável do contrabaixo. Carmina Burana (Carl Orff – 1937) abre com os tímpanos e segue adiante, imponente, até o final.
Na belíssima música Another Brick in the Wall (Pink Floyd – 1979), logo aos 17 segundos o baixo assume a música e a carrega até o fim. Na música Take Five, de Dave Brubeck, o contrabaixo atua por longo tempo, num resultado maravilhoso como fundo para a bateria e o piano, logo nos primeiros minutos, prolongando-se por toda a música.
Ma Baker (Boney M – 1977) é outra música que já começa com o baixo dando as cartas e acompanhando a música até o fim.
Já a música O Bêbado e o Equilibrista inicia-se com um acordeom francês, criando um clima parisiense, que logo a seguir transforma-se numa autêntica batucada carioca, oferecendo o Brasil para Elis Regina cantar a melodia. Pois logo no primeiro minuto entra um contrabaixo, avolumando a personalidade da canção. Você sente como a música cresce!
Para finalizar, pergunto: o que seria dos cantos gregorianos se eles não fossem em grave? Se fossem cantados em agudo, teriam o mesmo respeito? Jamais!
E até hoje eu me flagro pensando assim ao ouvir qualquer música: apreciando os instrumentos individualmente, com maior atenção para os mais graves. Faço isso por instinto, por sensibilidade musical, pois não tenho o conhecimento, por exemplo, do mestre Germano Romero, este, sim, um verdadeiro connoisseur da arte da música!
Acho que, se eu tivesse a sua educação musical, poderia fazer muito mais. Mas, qualquer que seja a música, nada me impressiona mais do que a personalidade do som grave.
Pois o grave é realmente, para mim, o tom mais respeitável da escala musical!













