Uma colega compartilhou recentemente uma publicação na qual um internauta revela-se preocupado com o “desaparecimento gradual dos ditados populares entre os mais jovens” e remete à afirmação do cientista Sidarta Ribeiro de que as novas gerações estão cada vez mais literais, avessas a metáforas e à expansão da linguagem.
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É possível questionar se o candidato fez isso por mera zoação e/ou para testar a banca, como fizeram alguns estudantes no Enem 2026, ao incluir trechos do hino do Palmeiras e até receita de miojo. Mas, considerando que Bessa tenha escrito visando obter um bom resultado, aponta-se para o fato de — por mais presunção que tenha um redator — de nada lhe valem artifícios retóricos, a fim de ludibriar a plateia e passar a ideia de erudição, um suposto saber. É preciso aprender a pensar,
Foto: G. Peruzzolo
Com a excessiva velocidade das demandas contemporâneas, temos enfrentado o apagamento da memória, além de uma profusão de indivíduos pouco afeitos à reflexão, não por capricho, mas por serem, em grande medida, atravessados pela lógica da hiperconexão. Muitos revelam sentir “FOMO” – Fear of Missing Out, expressão inglesa que pode ser traduzida como “o medo de ficar de fora”.
Esse medo instaura um verdadeiro ritual de checagem constante de aplicativos, sobretudo redes sociais, produzindo um comportamento repetitivo e quase automático. A pessoa passa a sentir a necessidade de olhar o tempo todo, em busca de atualizações, validações ou pertencimento. Quando impedida de fazê-lo — em situações cotidianas como o trânsito ou momentos de espera — pode experimentar irritação, inquietação e até nervosismo, evidenciando o quanto sua atenção e seu bem-estar já se encontram capturados por essa dinâmica.
Toda essa bibliografia tem o seu valor, porém, se cairmos num mero pragmatismo, se deixarmos de lado o lúdico, estaremos fadados a não reconhecer o simbólico das metáforas, perderemos nossa capacidade de fabular e de construirmos as narrativas que nos fazem suportar a vida tão carregada pela pressa e pelo ordinário. Pelo que corremos? Por que perdemos o prazer de conversar e de escutar e, ao mesmo tempo, estamos tão necessitados de dizer, de elaborar nossos lutos e lutas diárias?
Imagem: Shvets Prod.
















