Os arquétipos estão presentes na mitologia; eles representam um padrão que é reconhecido através da figura do herói. O arquétipo de Mine...

Minerva

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Os arquétipos estão presentes na mitologia; eles representam um padrão que é reconhecido através da figura do herói. O arquétipo de Minerva representa padrões de força, determinação, justiça e integridade, dentre outros. Na mitologia romana, a figura da deusa Minerva utiliza a estratégia de usar o poder da mente em circunstâncias difíceis. Na Roma antiga, ela era a protetora dos artesãos, engenheiros e arquitetos, que encontravam nela um símbolo, uma aliada divina; era a representação da inteligência, força e justiça.

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Minerva e o triunfo de Júpiter ▪️ Arte: René-Antoine Houasse
Segundo a lenda, ela nasceu diretamente da cabeça do deus Júpiter, já adulta e usando armadura, após ele ter engolido a mãe dela, a titânide Métis. Sofreu fortes dores de cabeça e pediu a Vulcano que abrisse a sua cabeça... a partir daí nasceu Minerva. Nasceu pronta. Ela pertencia à tríade Capitolina; era adorada junto com Júpiter e Juno, no templo principal do Capitólio Romano, principal templo de Júpiter, construído sobre uma das sete colinas de Roma.

Toda profissão que exigisse precisão, disciplina e raciocínio lógico tinha em Minerva uma aliada divina. Nessa época, era comum serem construídos altares dedicados a ela em ateliês de escultores, escolas de arte, escolas filosóficas e bibliotecas. Ela era diariamente convocada para guiar mãos e mentes. A dinâmica da deusa era a observância antes da ação. Concentração, ou seja, a busca pelo equilíbrio em momentos de tensão. Versatilidade e estratégia.

Anualmente, era organizado o festival da Quinquatria para homenageá-la, sempre no mês de março; a cidade parava em festa, artesãos faziam mostras, palestras eram feitas para divulgar a sua imagem, e as pessoas buscavam sabedoria e inspiração para o novo ciclo. Era um ritual em sua homenagem. Minerva valorizava a precisão do uso da justiça. Na verdade, a devoção popular ajudou a conservar o “mito de Minerva”.

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Deusa Minerva, brasão símbolo da Universidade Federal do Rio de Janeiro ▪️ Fonte: UFRJ
Na atualidade, é comum observar brasões da deusa Minerva utilizados em tribunais e universidades, caracterizando a sua marca e essência: manter o equilíbrio diante do caos.

Geralmente, em momentos de impasse em decisões importantes em reuniões, concursos, o “voto de Minerva” representa um voto muito especial, um voto de qualidade. O termo “voto de Minerva” surgiu quando a deusa, na peça “Eumênides”, escrita por Ésquilo (século V a.C.), desempatou o julgamento de Orestes no Tribunal de Areópago.

Talvez o maior legado da deusa Minerva seja o de fortalecer o feminismo; sua imagem fortalece o empoderamento feminino com sua forte presença de força, estratégia e versatilidade.

A deusa agia sempre com base na razão, sem perder a compaixão; usava a sabedoria e a firmeza. Ela abre caminho para a lucidez diante das tempestades cotidianas.

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Minerva entre Apolo e Mercúrio ▪️ Arte: Anne-Louis Girodet-Trioson, 1815
A poeta brasileira Francisca Júlia da Silva (1871–1920) descreve a deusa Minerva através do seguinte poema:

“De Minerva marcial que pelo gládio arranca, Julgo vê-la descer lentamente do trono, E, na mesma atitude a que a Insolência a abriga, Postar-se à minha, Impassível e branca, Na régia perfeição da formosura antiga.” (Francisca Júlia da Silva, 1895)


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