Em pinceladas rápidas, vamos desenhar o perfil deste homem.
Édouard Manet, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Ismael Nery, Maria Campos e Milton Dacosta — estes são alguns dos artistas resenhados pelas mãos do crítico de arte ararunense Antônio Bento.
Homem de envergadura, cultor das artes plásticas e da música, além de inegável conhecedor da literatura, foi amigo pessoal de Mário de Andrade e contribuiu para as pesquisas folclóricas que serviram de matéria-prima para o livro Macunaíma.
O avô materno, o Major Bento José de Oliveira Lima, tinha laços com Araruna, visto ser grande proprietário de terras no lugar. O nome da criança, Antônio Bento, o menino herdou do avô paterno, o Coronel da Guarda Nacional Antônio Bento de Araújo Lima.
Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, fez os estudos secundários. No ano de 1920, aos 18 anos, foi estudar na tradicional Faculdade de Direito do Recife, onde travou contato com José Lins do Rego e Raul Bopp. Por fim, em 1923, mudou-se para a então Capital Federal, o Rio
Antonio Bento com Portinari (1956) ▪️ Acervo Projeto Portinari
Por fim, encerra-se a breve estadia em São Paulo, onde travou amizade com Mário de Andrade, e, em 1927, já se encontra residindo em Natal. Naquele ano, adentra o caminho político, sagrando-se deputado estadual, sendo um dos participantes que subscreveram a emenda à Constituição Estadual instituindo o voto feminino. Foi reeleito para o período de 1930 a 1932, mas, devido à Revolução de 1930, evadiu-se do Brasil junto a outros intelectuais para a Europa.
Na Europa, entra em contato com os movimentos artísticos e culturais em voga, acrescendo ao seu acervo intelectual vastas e ricas influências. Retorna, por fim, e fixa residência no Rio de Janeiro, seguindo vida pública como servidor do Ministério do Trabalho. Participou da fundação do Diário de Notícias. Sua vida jornalística ganha contornos e, de 1934 até 1965, escreve para o jornal Diário Carioca, sendo editor de política e comentarista da Segunda Guerra Mundial, posteriormente escrevendo coluna sobre artes visuais.
Antonio Bento, Portinari, Mário de Andrade e Rodrigo Mello Franco de Andrade ▪️ Acervo Projeto Portinari
Entre suas intensas atividades intelectuais e políticas, ainda teve tempo para ser diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, além de participar como sócio-fundador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Seguiu contribuindo com a crítica e, entre 1966 e 1970, escreveu para o jornal Última Hora, mantendo uma coluna sobre música e artes visuais. Participou, na Europa, em Paris e Veneza, de bienais e, no Brasil, atuou como jurado da Bienal Internacional de São Paulo, do Salão Nacional de Arte Moderna e da Comissão Nacional de Artes Plásticas.
Recorte do jornal Tribuna da Imprensa (RJ, 08/05/1951) ▪️ Acervo Projeto Portinari
Chico Antônio1, raro menestrel
Ouvido por Deífilo Gurgel2,
Declarou sobre Mário de Andrade,
Proclamando a mais pura verdade:
“Ave Maria! Esse homem era um santo!”
Estava certo o bom repentista,
Julgando assim o mestre paulista.
Foi quem melhor definiu o poeta,
Canonizando-o como um profeta.
1 - Chico Antônio, nome de Francisco Antônio Moreira, repentista nascido em Porto Velho, Rio Grande do Norte, em 1904. Trabalhou no Engenho Bom Jardim, onde conheceu Mário de Andrade em 1929, intermediado por Antônio Bento. Faleceu em 1993.
2 - Deífilo Gurgel foi advogado, antropólogo, folclorista que em 1979 redescobriu o repentista, que a época era lendário, posto que havia sido mencionado por Mário de Andrade no livro “O Turista Aprendiz”.
2 - Deífilo Gurgel foi advogado, antropólogo, folclorista que em 1979 redescobriu o repentista, que a época era lendário, posto que havia sido mencionado por Mário de Andrade no livro “O Turista Aprendiz”.













