ARREPIO
Não quero que a mão de outrem roube o lugar do seu toque em meu corpo (esta ausência que me ressente, e que a presença de outro calor, que não o seu, só faz acentuar o vazio) Tenho andado — simplesmente Mas e a poesia da pele, a justificativa de sermos dois e o recanto do Mundo para derramar o nosso sorriso? Tem o momento em que os passos começam a ser contados (No tardio das horas repetidas aprende-se a despertar para o tempo) Sentar agora? Teimosamente sentar? Resolutamente sentar? Esquecer os passos aguardando sua chegada pois já percebo turvar-se o horizonte. A INSISTENTE SUTILEZA DE SER
Um olhar de desencanto pode ser uma estratégia se em torno rola o pranto compre o peixe, reza a regra Diz um mestre sobre o escambo que os sentidos pedem prendas, se a palavra tira o manto cada gesto tira a venda O que é troca, um encanto; cada loucura, uma métrica; deve o verso ser remanso, eis a missão do poeta? mas me vejo burilando rimas, de forma perversa. A ALEATORIEDADE DO CÉU
Gosto quando a verdade verga sob o peso da dúvida. Eu que já me recostei nas nuvens — estas cortinas atrevidas e suas redes de intrigas e tempestades — derramando meu olhar na Terra — esta irônica contadora de histórias — não percebia, que desenhar círculos no vazio, dava sentido a minha existência. Impressionava ver as mãos erguidas serem flores e arrependimento — girassóis em busca de uma resposta do Céu. Mas acabei percebendo que a cura é um monstro que borra o espelho e nos faz ver nossa tês turva — e a verdade encarnada. (É quando a medida do Tempo tem a duração do seu nome — e um som secular te diz : mata!) E fui escorrendo aos poucos; com os respingos da vida percorri o trecho caótico que leva à realidade. O que há de raso na água que me faz caminho?) Beber na concha do Não fez desandar a procura, secar os olhos que esperavam a recompensa divina. BÍPEDE PENSANTE
Certas vezes sou o Depois , atento, de olho no Antes, me preparando para o Agora. O BRILHO
Para Tio Amadeu “O Céu pode mudar o Mundo mas não pode me mudar.” Can’t change me - Chris Cornell Sempre soube que o arrebol derretia e a lágrima refringia o medo. Sempre achei que os mortos dizem mais que os vivos — por isto querer ver com os seus olhos quando desfeita a crise da eternidade. O OLHAR DO OUTRO
O amor ainda escorre das montanhas virgens de paixão Eu me reconheço em cada arrependimento, em cada estrondo de um pensamento, na perseguição dos culpados, no sinal fechado, no tormento. Eu me remeto aos presságios de haver um impuro entre os homens e ser aquele cujos olhares denunciam o vulto ao julgamento; De trair a pureza, ser o escárnio, a matéria turva, o descaminho, ter a textura bruta do calvário que desonrou o Cristo, sem sentimento, por perceber que a culpa, ao contrário, não afasta o eu de mim mesmo.
Não quero que a mão de outrem roube o lugar do seu toque em meu corpo (esta ausência que me ressente, e que a presença de outro calor, que não o seu, só faz acentuar o vazio) Tenho andado — simplesmente Mas e a poesia da pele, a justificativa de sermos dois e o recanto do Mundo para derramar o nosso sorriso? Tem o momento em que os passos começam a ser contados (No tardio das horas repetidas aprende-se a despertar para o tempo) Sentar agora? Teimosamente sentar? Resolutamente sentar? Esquecer os passos aguardando sua chegada pois já percebo turvar-se o horizonte. A INSISTENTE SUTILEZA DE SER
Um olhar de desencanto pode ser uma estratégia se em torno rola o pranto compre o peixe, reza a regra Diz um mestre sobre o escambo que os sentidos pedem prendas, se a palavra tira o manto cada gesto tira a venda O que é troca, um encanto; cada loucura, uma métrica; deve o verso ser remanso, eis a missão do poeta? mas me vejo burilando rimas, de forma perversa. A ALEATORIEDADE DO CÉU
Gosto quando a verdade verga sob o peso da dúvida. Eu que já me recostei nas nuvens — estas cortinas atrevidas e suas redes de intrigas e tempestades — derramando meu olhar na Terra — esta irônica contadora de histórias — não percebia, que desenhar círculos no vazio, dava sentido a minha existência. Impressionava ver as mãos erguidas serem flores e arrependimento — girassóis em busca de uma resposta do Céu. Mas acabei percebendo que a cura é um monstro que borra o espelho e nos faz ver nossa tês turva — e a verdade encarnada. (É quando a medida do Tempo tem a duração do seu nome — e um som secular te diz : mata!) E fui escorrendo aos poucos; com os respingos da vida percorri o trecho caótico que leva à realidade. O que há de raso na água que me faz caminho?) Beber na concha do Não fez desandar a procura, secar os olhos que esperavam a recompensa divina. BÍPEDE PENSANTE
Certas vezes sou o Depois , atento, de olho no Antes, me preparando para o Agora. O BRILHO
Para Tio Amadeu “O Céu pode mudar o Mundo mas não pode me mudar.” Can’t change me - Chris Cornell Sempre soube que o arrebol derretia e a lágrima refringia o medo. Sempre achei que os mortos dizem mais que os vivos — por isto querer ver com os seus olhos quando desfeita a crise da eternidade. O OLHAR DO OUTRO
O amor ainda escorre das montanhas virgens de paixão Eu me reconheço em cada arrependimento, em cada estrondo de um pensamento, na perseguição dos culpados, no sinal fechado, no tormento. Eu me remeto aos presságios de haver um impuro entre os homens e ser aquele cujos olhares denunciam o vulto ao julgamento; De trair a pureza, ser o escárnio, a matéria turva, o descaminho, ter a textura bruta do calvário que desonrou o Cristo, sem sentimento, por perceber que a culpa, ao contrário, não afasta o eu de mim mesmo.








