Perdão Bilac, mas não resisti. É que as câmeras do mundo inteiro não pegaram Ancelotti sem goma de mascar, uma vez sequer, à beira dos campos da Copa de 2026, competição ao fim da qual nossa Seleção amargou a décima-primeira colocação geral. Contratado pela CBF, em maio de 2025, para assumir
o ciclo do Mundial, ele nos chegou blindado por uma renovação contratual prévia a estender seu vínculo conosco até 2030.
Carlo Ancelotti ▪ YT Futebol em Foco
Meus 80 anos não me permitem a certeza de que, até lá, estarei vivo para ver o que nos espera. Nem, também, os quase 70 de Ancelotti, é bom avisar. Não sei se ele tem a exata percepção da encrenca em que se meteu, mas imagino a trabalheira que terá para fazer de 26 convocados um time capaz de se defender e fazer gols, como assim fizeram os selecionados nacionais sob comando de Vicente Feola (1958), Aymoré Moreira (1962), Mário Jorge Lobo Zagallo (1970), Carlos Alberto Parreira (1994) e Luiz Felipe Scolari (2002), alguns aos trancos e barrancos.
Primeiro técnico estrangeiro no comando de “La Canarinha”, denominação híbrida habitualmente dispensada à nossa equipe pela imprensa de língua espanhola, Ancelotti há de ter percebido que o Brasil é um País com mais de 213 milhões de treinadores de futebol. O resultado pífio no Mundial há pouco encerrado já o faz apanhar um bocado nos botequins e nos estúdios da tevê e do rádio.
Prepare o couro, meu querido. Aqui, os técnicos, mesmo os locais, não costumam ter vida fácil. Dizia-se que Feola dormia no banco enquanto Didi, o ponta de lança, orientava o time de 58.
Vicente Ítalo Feola (1909–1975), treinador de futebol, natural de São Paulo-SP. Comandou a Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. ▪ Wikimedia
Aymoré Moreira, homem elegante e de fala mansa, ganhou, por conta disso, o apelido “Biscoito”, suave, mas jocoso. O êxito absoluto da Seleção de 1970, entre todas a mais bela e talentosa, não livrou o supersticioso Zagallo das críticas cerradas de uma imprensa que preferia Wanderlei Luxemburgo no comando do time ido à Copa América de 1997. “Vocês vão ter que me engolir”, gritou o velho Lobo ao vencer o torneio na altitude da Bolívia. A prancheta, o “bloco tático” e o “futebol de resultado” renderam boas pancadas na alma boa de Parreira, o técnico de 94. Uma frase sua virou o mantra da crítica esportiva brasileira. “O gol é apenas um detalhe”, dissera, na ocasião, quando já havia ganhado a fama de retranqueiro. Acho que Felipão – que ao seu turno apanhou como poucos – agiu bem ao convocar a psicóloga Regina Brandão à Granja Comari, em 2014. Aquele time andava mesmo ruim dos pés à cabeça. Quem não se lembra do trágico 7 a 1 contra a Alemanha?
Alemanha 7 x 1 Brasil ▪ Copa 2014 ▪ YT dxrkboss
YT Nostalgia
Mau hálito é uma desgraça. Quem tem não o sente e quem sente nada diz, a não ser no santo recesso do lar com a recomendação imediata da escova e da pasta, providência de efeito muitas vezes nulo dada a multiplicidade das causas. Ocorre-me, agora, a esse respeito, uma velha propaganda da Colgate com quatro personagens: o mocinho doido para beijar, a mocinha a correr de seus beijos, um dentista e um asno. A coisa é encabeçada pelo animal em tom de deboche. “Ainda dizem que sou eu o burro!”. Politicamente incorreto? Não, na década do nosso primeiro Caneco.
Fonte: Biblioteca Nacional
E pensar que tudo começou, em 1872, após o fiasco do propósito de vulcanização do chicle, resina mexicana, a fim de baratear o fabrico de pneus. Tal projeto fez o presidente Antonio López de Santa Anna se arrancar do
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É preciso dizer que o hábito de mascar goma remonta a civilizações como a dos Maias. A coisa então lhes servia para limpar os dentes, aliviar a sede e matar a fome. Contam que, na Europa, os povos antigos também mascavam resinas de árvores. Abortada a tentativa de fazer do chicle (látex extraído do sapotizeiro) um composto para pneus, Adams decidiu aromatizar aquilo com alcaçuz. E estava criado o chiclete moderno, 154 anos antes de Ancelotti.
A popularização global dos “Chiclets Adams” deu-se por volta de 1940. No transcurso do tempo, década após década, ocorreria a explosão de outras marcas. Mundo doido: o custo da resina natural foi à estratosfera com a Segunda Grande Guerra, de modo que a goma-base hoje na boca das pessoas contém derivados de petróleo. Ou seja, o custo elevado da matéria-prima vegetal, que antes baratearia pneus, fez a indústria migrar para alternativas sintéticas.
Departamento de embalagem de chicletes da fábrica da American Chicle Company, onde a goma de mascar era preparada e acondicionada para distribuição. ▪ Fonte: Biblioteca do Congresso, EUA
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Na idade do namoro, com a segurança da boca perfumada e, no escurinho do cinema, você já deu beijos de hortelã, canela e tutti-frutti. Não foi assim?













