Os versos que abrem Poema Sobre as Obras da Terra, de Solha, funcionam como uma verdadeira chave de leitura da obra. Vejamos os que separei na página 8:
Neles, W. J. Solha sugere uma das ideias centrais de seu livro: a de que a criação individual é apenas um elo na longa corrente da experiência humana. Sua voz é singular, mas ecoa muitas outras.
Como o "zê" invisível de Augusto dos Anjos, o poeta está presente e ausente ao mesmo tempo, integrado a uma tradição que o antecede e o ultrapassa.
GD'Art
Ao evocar a roda, a música, a imprensa ou o computador, o poeta nos lembra que nenhuma dessas obras pertence inteiramente a alguém. Cada invenção nasce do esforço acumulado de inúmeras gerações. A inteligência humana surge, assim, como um fogo coletivo que atravessa os séculos, alimentado pela experiência, pela tentativa e pelo erro.
Uma das maiores qualidades do livro está justamente na capacidade de reunir ciência, filosofia e poesia sem perder densidade estética. O conhecimento não aparece como ornamento erudito, mas como matéria viva do poema.
Senti que a palavra seminal da obra é: prossegue... Percebi que nela está condensada a visão de Solha sobre a humanidade e sobre a própria poesia.
GD'Art
Como poeta provinciano, filho do solo nordestino e sertanejo, e de uma paisagem concreta, senti-me parte dessa vasta sinfonia “solheana”.
Ao percorrer as páginas de Poema Sobre as Obras da Terra, tive a impressão de ouvir não apenas a voz do autor, mas o eco de incontáveis gerações que, antes de nós, ousaram pensar, criar, errar, aprender e continuar.
Talvez seja esse o maior feito do livro: recordar-nos de que somos passageiros e de que viajamos numa embarcação muito antiga.
Somos breves, mas participamos de uma obra que nos ultrapassa. E a poesia, quando alcança essa dimensão, deixa de ser apenas palavra, tornando-se também permanência, vestígio e chama.
Vivas a Poema Sobre as Obras da Terra! Vivas ao poeta W. J. Solha!









