Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sopros de vida. Onde é verde, cinza e frio... cheio de curvas e retas desiguais. Lá escutava o grito sem palavras dos seres de todos os tipos. Almas leves flutuantes e sobressaltadas distantes. Sussurros de canções de ninar chegavam suavemente pelas janelas.
Eu percorri o trajeto em carro, em sonho, em olhos fechados enquanto atravessava em corpo ou só alma. No sono de uma noite inebriante, na música de acordes da pele do berço do lugar de origem, cravado na terra molhado pela benção chuva, no fogo de chão vivo junino, na bola do mundo e do jogo distante, no brinde aos pares de amor e de irmandade.
Eu visitei as serras e planícies dos caminhos. Os olhos apertados e desregulados fotografavam bem os andarilhos das estradas, espíritos leves e pesados que percorriam quilômetros e entravam repentinamente numa curva brusca, em uma busca por uma trilha picada no mato. E sumiam na eternidade dos lugares ermos para recolher suas vidas.
Eu estive em lugares de muitos nomes. Teixeira, Bananeiras, Serra de São Bento, Pão de Açúcar, Jurema, Santa Luzia... O alto, que me assusta ao se desnudar das bases, também encanta, pois abre horizontes, paisagens, tantas pedras delicadas e brutas, nuvens desenhadas, cidades encantadas, outras serras distantes, algumas de boca aberta. Apresenta novos ângulos para velhos e inéditos cenários.
Eu vivi todas as paisagens. Mesmo que por breves estalos de tempo. Uma parada no acostamento, uma pousada como mirante, um restaurante de apoio, um pé de serra sem forró para olhar ao alto. Vivi o sopro frio da ventania vindo do leste-sul, em torno da vegetação dançante, o mundão que segue lá embaixo rumo ao limite do olho humano.
Eu conheci os sertões do livro e das terras. O cheiro do mato seco e o gosto da plantação verde. Matei a sede de conhecer os lugares já visitados pelos nomes e mapas. Ziguezagueei pela serpente negra em tapete que cruzam os territórios por onde viveram cariris, tabajaras e potiguaras.
Eu provei o açúcar da rapadura, a carne de sol, o queijo coalho, o mel adocicado. E aprovei todos os cenários e quis ser adereço em cena de cada lugar. Conferi as casinhas de cores sinceras, as plantações de geometrias e suas métricas. Senti a emoção de rever tudo de novo, as viagens no álbum de fotos armazenado dentro dos meus olhos.







