Luana postou uma mensagem no meu blog dizendo que “adorou” as “Considerações heterodoxas sobre a paixão”, mas discorda de que esse sentimento “dura no máximo três anos”. “Às vezes é necessário que ele dure bem menos...”, objetou com ar de experiência. E terminou com este apelo: “Quero encomendar um novo texto: como encontrar um amor? Topa o desafio? Hehehe”.
Arte: Edward Hopper
Achei curioso que a desafiante tivesse se referido a “um amor”, e não “ao amor”. Por uma dessas curiosidades em que é pródiga a língua, o artigo, no primeiro caso, mais define do que indefine. Falar de “um amor” é se referir a alguém específico e, com isso, dar mais ênfase ao objeto do que ao sujeito. Se procuramos “o amor”, essa procura é uma empresa mais nossa do que do outro. Se buscamos alguém especial, o sucesso da escolha vai depender mais dele do que de nós. Aí começam os problemas.
É mais fácil encontrar “o amor”, porque, nesse caso, o sentimento tende a ser recíproco. Quem dá fatalmente recebe e não se preocupa muito com a retribuição. Às vezes, o próprio reconhecimento de que ama é suficiente para lhe trazer uma espécie de plenitude.
Arte: Edward Hopper
Isso não quer dizer que não se deva buscar “um amor”, pois grande parte do encanto da vida advém do empenho de o perseguir e do sonho de o encontrar. Muitas vezes, em função disso é que estudamos, trabalhamos, nos esforçamos para crescer e aparecer. As contrariedades que essa busca provoca (e que constituem tão interessante matéria para a arte) não justificam a renúncia a ela. Apenas manda a prudência que sejamos modestos em nossas fantasias e aceitemos as reais dimensões do outro.
Arte: Edward Hopper








