Estas duas impolutas figuras que encabeçam estes meus escritos têm afinidades incomuns, das quais nem todos os mortais desfrutam. Inicialmente, revelo aqui que são magistrados e vestem a toga com muita lisura e competência, daí o respeito que lhes é devido em nossa Província. Outra virtude que os aproxima é a leveza e a sensibilidade com que fazem o cálamo traduzir o que suas almas têm a revelar. Sim, são duas referências quando o gênero literário é a crônica. São dois craques da escrita.
Hermance Gomes Pereira ▪️ Fonte: TJPB
Dr. Hermance, aqui nestes autos mencionado como “o primeiro”, já o conheço desde tempos idos, quando chegou a ser professor de História em cursos pré-vestibulares. Foi daí que nos enroscamos pelas veredas da vida. Num determinado dia, esse meu parceiro resolveu trocar o giz pelo malhete, aquele martelinho de madeira que serve para o togado sinalizar alerta, pedir silêncio, impor respeito, manter a ordem na sessão ou anunciar uma decisão. Dr. Hermance tornou-se juiz de direito, devidamente concursado, e foi fazer a lei ser cumprida numa dessas comarcas do interior. Àquela época, eu fora dar um tempo em terras piratiningas, daí termos perdido o contato.
Encontrei-o novamente coisa de dez anos atrás, lá no Espaço Cultural. Tentamos os abraços protocolares, mas fomos impedidos por uma tal de convexidade abdominal, bem mais a do meu amigo do que a minha. Entreguei-lhe um opúsculo de minha lavra e recebi outro de autoria dele. Foi quando soube do pendor literário desse magistrado.
Dr. Hermance cultiva outras habilidades além da literatura. Arrisca uns dó-ré-mis no saxofone. Não chega a ser um John Coltrane, um Charlie Parker, mas ele jura de pés juntos que é quase. Eu acredito. Pega firme na guitarra, é um ás no pandeiro e também no triângulo. Homem de virtudes artísticas multifacetadas.
Já o segundo, Dr. Adhailton, eu o conhecia como protagonista de uma das crônicas de Dr. Hermance, mas só fui conhecê-lo presencialmente na Livraria do Luiz. Conversa vai, conversa vem, aconteceu essa aproximação. Já tive a oportunidade de apresentar, no lançamento, seu trabalho de estreia na crônica, o imperdível DITOS DO QUIÇÁ. Por sua vez, ele fez, tempos depois, a apresentação de meu livro de contos: 37 NÃO É FEBRE.
Dias atrás, deu-me a honra de, ao lado de Maria Valéria Resende, apresentar seu novo filhote de 173 páginas, batizado perante um bom número de testemunhas. Na pia, o rebento recebeu
Agora, o fato que me trouxe aqui. Quanto a esses meus dois amigos, tanto um como outro, se os vejo na presença de terceiros ou em público, não dispenso o “Doutor” no tratamento. Dr. Adhailton, dias antes, com muito jeito e cuidado, passou-me um singelo “pito” no lançamento do seu DITO E FEITO, dizendo que éramos parceiros na literatura e que não havia necessidade desses formalismos.
Discordo. Eis adiante minha defesa.
Quanto ao meu camarada de velha data, como a este gentil confrade que me passou a reprimenda, saibam meus leitores e minhas leitoras que, quando a eles me dirijo, não abro mão de utilizar o tom respeitoso. É meu reconhecimento diante de suas biografias, meu apreço à forma como eles exercem a profissão. É meu modo ad honores de tratar esses dois cabas.
Hermance Pereira e Adhailton Lacet ▪️ Créditos: TJPB /// GD'Art">









