Sempre senti uma vontade genuína de construir relações de verdade. Em um mundo onde o ódio e o rancor ganham espaço com tanta facilidade, o que eu busco é bem mais simples: conversas honestas, interações sem máscaras e a liberdade de ser quem eu sou, sem a obrigação de agradar a todo mundo ou me encaixar nas expectativas dos outros.
Foto: M. Kirkgoz
Às vezes me pego pensando em como as coisas pareciam fluir de forma mais natural antigamente. Não havia essa vigilância constante, essa necessidade de buscar aprovação externa a cada passo. Lembro-me da figura da poetisa Adamantina Neves e da sabedoria simples daquela época. Lembro de quando as crianças eram realmente ouvidas e as pessoas diziam a verdade sem medo de julgamentos. É uma memória que me dá um estalo e lembra que ainda é possível resgatar essa essência, mesmo no meio do caos de hoje.
A minha vivência em um quilombo transformou minha visão sobre tudo isso. Foi lá que entendi o valor do aprendizado coletivo e da simplicidade. Aprendi que as lições mais profundas da vida costumam vir dos lugares e das pessoas mais inesperadas. A verdadeira riqueza não está em um título pendurado na parede ou no status social, mas na disposição de olhar para o outro com empatia e respeitar o conhecimento que nasce da experiência de cada um.
Foto: M. Kirkgoz
Quando penso no futuro, fico questionando essa busca por um conhecimento superficial. Para mim, entender as pessoas sempre vai ser mais importante do que tentar corrigi-las. A sabedoria que a gente acumula vivendo, errando e nos conectando com os outros muitas vezes vale mais do que qualquer diploma acadêmico. A tecnologia e a inteligência artificial estão aí e facilitam nossa vida em vários aspectos, mas elas não substituem a sensibilidade humana. É essa inteligência do afeto — a capacidade de entender nossas emoções e as do próximo — que realmente sustenta uma convivência em paz.
Acredito que a mudança começa nos detalhes do dia a dia. Se a gente passar a escutar com atenção, agir com empatia e falar a verdade nas pequenas coisas, o ambiente ao nosso redor muda. A tecnologia pode até abrir portas e aproximar distâncias, mas a capacidade de amar e compreender o outro de forma incondicional é um trabalho exclusivamente nosso.
Foto: M. Kirkgoz
No fim das contas, precisamos ter cuidado para que as ferramentas digitais sirvam à nossa vida, e não o contrário. O avanço tecnológico só faz sentido se vier acompanhado de mais paz e entendimento. A transformação real não vem de fora para dentro nem de um algoritmo novo: ela começa nas nossas escolhas diárias de enxergar, ouvir e acolher quem está ao nosso lado.