Que a velhice é um fardo, isso é a realidade. Que poucos cuidam de seus velhos em um país cada vez mais envelhecido é um fato.
No Brasil, envelhecer não é uma conquista. Isto sem falar no etarismo no mercado de trabalho e outros segmentos.
Vivenciar a velhice não é fácil. Mas, para todos, chega...
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Em verdade, a prática, hoje, não é conviver. É ignorar.
Em frente ao meu apartamento, há uma casa centenária, tombada pelo patrimônio histórico. Lá a felicidade morou muito tempo...
Era de um médico que a todos auxiliava.
Lá, um senhor, que deve ter passado muito dos 80, diariamente atravessa o longo pátio inúmeras vezes. Sabe o que está fazendo? Não.
Faz por fazer... Vai até o jardim de pequenas rosas. Nada olha.
Ele anda limpo? Sim. Parece bem alimentado? Sim.
É possível sentir o que ele não sente... A ninguém julgo.
Aquele homem com olhos vazios assiste a um dos muitos churrascos sentado em um banco. Não se mexe. Só olha... sem saber para onde.
GD'Art
É impressionante... A alegria fugaz ao lado. Ele não está ali.
É mais conveniente ignorar...
Talvez... Mas, pelo que sei, ele é avô de alguém... Deu origem a uma felicidade de que não mais compartilha.
Não posso (não devo) intervir. Mas há que procurar uma centelha de lucidez naquele olhar.
Um sorriso simples e lindo.
Aqueles olhos vazios ganhariam um novo sentir, ainda que fosse apenas por um instante.
P.S.: Minha mãe teve isquemia.
Quando me reconhecia, era um presente divino.
Quando me reconhecia, era um presente divino.


