Só no homem a inteligência toma inteiramente posse de si própria, e este triunfo afirma-se pela própria insuficiência dos meios naturais de que o homem dispõe para se defender contra os seus inimigos, contra o frio e a fome.
(Henri Bergson)
O PRÊMIO Nobel de Literatura para ele, para Bertrand Russell e para Sartre (recusado) me parece dizer bem da intensa qualidade estética dos textos desses três filósofos — prazer que se sente desde os Diálogos de Platão e das obras de Aristóteles — como a Poética e a Política —, significando que, para pensar bem... é indispensável escrever melhor ainda. Meu velho volume de A Evolução Criadora é cheio de grifos. Por exemplo:
— Se fazemos ferver água numa panela colocada sobre um fogareiro, a operação e os objetos que a suportam são, na realidade, solidários numa multidão de outros objetos e duma multidão de outras operações, e não se tardaria a achar o sistema solar inteiro interessado no que se realiza naquele ponto do estado.
— Ora, se consideramos a inteligência, verificamos que também ela conhece certas coisas sem as ter aprendido. (...) Quando o recém-nascido procura pela primeira vez o seio da ama, testemunha ter o conhecimento (inconsciente, sem dúvida) duma coisa que nunca viu.
O livro está cheio de sacações “óbvias” como essas, que a mim, pelo menos, deixaram maravilhado.
Em meu livro mais recente, 1/6 DE LARANJAS MECÂNICAS, BANANAS DE DINAMITE, há um trecho derivado do texto grifado em Bergson:
[...]
o fato é que se vê em todos os filmes, livros... e jornais:
que somos,
cada vez mais,
o mais fascinante
dos animais:
cérebros
incríveis
e os célebres... polegares
oponíveis
nos compensam da inferioridade física,
que já poderia ter sido trágica
(isso nem se discute)
ante um leão,
bisão,
mamute.
O rápido raciocínio,
... deu-nos meios... de evitá-los,
caçá-los,
matá-los,
ou... de tê-los sob nosso
domínio.
[...]
