Gosto muito do mês de dezembro. Mesmo sendo o último do ano, para mim funciona como se fosse o primeiro. É nesse mês que eu me sinto...

Gosto muito do mês de dezembro. Mesmo sendo o último do ano, para mim funciona como se fosse o primeiro. É nesse mês que eu me sinto mais feliz, com a perspectiva de que alguma coisa possa mudar, nos dias que seguem.

É nessa época que costumo fazer uma retrospectiva de minha vida, avaliando o que deu certo, o que deu errado, o que falei, quando devia ter me calado, o que calei, quando precisava mesmo era ter falado.

"— Meu amigo brasileiro, você foi a única pessoa que conheci nos últimos anos que não me propôs qualquer negócio, que nem sequer p...

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"— Meu amigo brasileiro, você foi a única pessoa que conheci nos últimos anos que não me propôs qualquer negócio, que nem sequer perguntou sobre quanto dinheiro tenho”.

Estávamos no bar do hotel Bernini em Florença, ali ao lado da Uffizi e nossos encontros noturnos ao redor do belo piano de cauda repetiam-se já por uma semana.

Na primeira noite da estadia eu tocava “Wave” para mãe Leca, solitários naquele maravilhoso lounge quando o casal encostou. Ela pediu licença, assumiu o piano e executou Für Elise maravilhosamente, reduzindo-me à minha insignificância. Ele perguntou se eu cantava. “- Claro, desde que você cante antes”. O cidadão era um tremendo tenor. Show.

Tenho várias lembranças de amuletos na minha infância: pé de coelho, estátua de Buda com moedas, pedras, pedaços de imã, saquinhos ...

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Tenho várias lembranças de amuletos na minha infância: pé de coelho, estátua de Buda com moedas, pedras, pedaços de imã, saquinhos com sementes de romã, figas, buzios, pimentas,...fora as imagens de santos/as... uma imagem de um Preto Velho... as velas... incensos... água benta...

O almoço com uma das cunhadas, num sobrado da Ladeira de São Francisco, permitiu-me a visita ao Varadouro, onde há muito eu não punha o...

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O almoço com uma das cunhadas, num sobrado da Ladeira de São Francisco, permitiu-me a visita ao Varadouro, onde há muito eu não punha os pés. Gosto dessa área na calmaria dos domingos. Uma esticadinha de nada em manhã de brisa leve e lá estava eu no ponto da cidade que mais me atrai e envolve, com o perdão dos que preferem os trechos com edifícios e praias.

POST SCRIPTUM Podia imaginar um doce espírito ter o brilho secreto de um anjo derramando no absurdo o sem juízo de seu...

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POST SCRIPTUM
Podia imaginar um doce espírito ter o brilho secreto de um anjo derramando no absurdo o sem juízo de seu nome, qual fosse um simples manto pousado sobre a encosta, em um abismo, (refúgio e temor do ser humano), e o som, o eco, derradeiro grito, mantra de entrega de seu corpo manso (Não se disfarça, se acolhe o aflito salto na intimidade do infinito, daquele que sem asas faz seu voo) “mais tarde”, sem sentido e agudo silvo, remanso que não cabe ao corpo hirto e o baque do soneto no abandono.

Imagens soltas como relâmpagos pela cidade salpicam tempos diversos. O caminhar traz à tona ambientes históricos e também lampejos do d...

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Imagens soltas como relâmpagos pela cidade salpicam tempos diversos. O caminhar traz à tona ambientes históricos e também lampejos do despretensioso cotidiano de décadas ou fotografias antigas. A cidade capital de Nossa Senhora das Neves se reapresenta em muitos retratos. Fachadas, prédios, recantos, praças, monumentos, festas, até pessoas revisitam a mente. Todos são passageiros dos tempos.

Nós, mulheres, levamos muito tempo para compreender o nosso corpo. Às vezes, a vida inteira! De alguma forma nos é negado — quase proib...

Nós, mulheres, levamos muito tempo para compreender o nosso corpo. Às vezes, a vida inteira! De alguma forma nos é negado — quase proibido — esse contato e nos deparamos, de supetão, com as mudanças radicais que temos que experimentar:

Ela acende o cigarro, vai até a velha radiola de ficha, hoje adaptada para uma cédula de dois reais. Nela, luzes parecem sair de todos ...

Ela acende o cigarro, vai até a velha radiola de ficha, hoje adaptada para uma cédula de dois reais. Nela, luzes parecem sair de todos os lados, seus diversos tons reluziam ao mesmo tempo em que palpitam com o ritmo de cada música tocada. No painel, a espera pelo dinheiro para destravar a escolha, exibia fotos das capas dos discos disponíveis em um menu demonstração. Mas para Rejane, só uma música tinha o significado de abrir os umbrais do fim de semana, o cair de tarde da sexta-feira, momento de libertação do espírito, depois de uma semana dura e sofrida sob todos os aspectos.

No hotel, vou até o balcão e peço um copo de cachaça. Cheio. Preciso de coragem para enfrentar a temível frieza do chuveiro que ...

No hotel, vou até o balcão e peço um copo de cachaça. Cheio. Preciso de coragem para enfrentar a temível frieza do chuveiro que me espera. Na confusa arquitetura desse hotel não se repara, mas resultou de uma antiga casa que sofreu reforma para adaptar-se a um armazém de sisal, e cujo negócio fora alguns anos depois abandonado, restando dele o grande salão, ora aproveitado para recepção, estar de hóspedes e servi- ços de bar e restaurante. A noite se aproxima. Lá fora, o vento zurra, como sempre faz nessa região de serras sem fim.

Passei batido no dia da Conceição deste ano. Conceição, cuja imagem pequenina, desfigurada, já sem as mãos, vinda de minha mãe e provi...

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Passei batido no dia da Conceição deste ano. Conceição, cuja imagem pequenina, desfigurada, já sem as mãos, vinda de minha mãe e provinda da mãe superiora da Casa de Caridade do Padre Ibiapina, conservo no ângulo mais claro ou iluminado de minha sala.

É uma claridade que me remete a Campina. Volto a repetir: é difícil saber de onde emanava mais luz, se do encanto do adolescente com a vida ou se da própria cidade. Cidade alta, descampada, toda exposta ao sol que, recamado de vento, não queimava, só iluminava.

Eu me peguei assistindo ao seriado Wandinha. Vieram-me tantos pensamentos sobre o que se passa na atualidade. Será que a nova ideia é t...

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Eu me peguei assistindo ao seriado Wandinha. Vieram-me tantos pensamentos sobre o que se passa na atualidade. Será que a nova ideia é ter prazer no prazer do outro? Será que, durante todo esse tempo de século torto, nos ensinaram a ter somente o prazer próprio?

Você já ouviu falar em compersividade? Ser um indivíduo compersivo é ser ausente de ciúmes e o primeiro passo é o reconhecimento do sistema monogâmico como opressor. O segundo passo é a reparação dos danos que esse sistema colonialista nos provocou.

Poema para a mulher Às muheres de minha vida: Emília Guerra (minha esposa), Josemília de Fátima, Terezanísia e Hebe (m...

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Poema para a mulher
Às muheres de minha vida: Emília Guerra (minha esposa), Josemília de Fátima, Terezanísia e Hebe (minhas filhas) e Maria Emília (neta) com um beijo carinhoso de marido, pai e avô
Para que se escreva Um poema à mulher Necessário se faz Saber a feminilidade Preciso é decifrar A alma feminina Fechada a sete chaves Aberta em sua fina Meiguice sem entraves

Houve um tempo em que no quintal de minha casa existia um cajueiro, que preservei por muitos anos. Dele desfrutava a sombra e colhia o...

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Houve um tempo em que no quintal de minha casa existia um cajueiro, que preservei por muitos anos. Dele desfrutava a sombra e colhia os frutos. Nele, os pássaros se acomodavam e faziam seus ninhos. Já estava em altura que trazia incômodo para o pequeno espaço, por causa das folhas secas e do cupim a infestar o madeiramento da casa.

O cajueiro me lembrava as plantações que existiram em Tapuio, as quais nos davam castanhas e pedúnculos saborosos que se espapaçavam pelo chão.

A Copa que o mundo vem acompanhando demonstra o fascínio que o fute...

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A Copa que o mundo vem acompanhando demonstra o fascínio que o futebol exerce na maior parte das pessoas. Não por acaso, ele é conhecido como o esporte das multidões. A televisão tem sido pródiga em mostrar a euforia (ou o abatimento) das torcidas em países de vários continentes. Não há dúvida de que seus habitantes veem os jogadores como guerreiros a quem se incumbiu a tarefa de representar a pátria.

A mesa de bar se transformou numa tela de computador, e por vezes de um celular. Nelas brilham os rostos de novos e antigos amigos, fam...

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A mesa de bar se transformou numa tela de computador, e por vezes de um celular. Nelas brilham os rostos de novos e antigos amigos, familiares, e de todos que seguem sentindo a falta do abraço e de gente, do calor da troca de olhares, para poderem dizer que me querem em sua vida. Ainda ouvem minha opinião e também desejam ensinar seus segredos. Esse encontro me faz gente e preenche minha caixa de experiências contraídas, sempre que sinto essa troca de histórias e de vozes muito próximas, sem importar idade, cor, sexo, muito menos distância. O que vale é estar lá para me encontrar. São essas boas memórias que nos preenchem e nos tornam eternos.

Foi longo, porém agradável, o período de estudos e coleta de informações, em vista da realização do documentário Meu Jaguaribe, filme ...

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Foi longo, porém agradável, o período de estudos e coleta de informações, em vista da realização do documentário Meu Jaguaribe, filme roteirizado e dirigido pelo cineasta Mirabeau Dias, lançado no auditório do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, no bairro do Jaguaribe, no dia 25 de outubro 2017, do qual me sinto orgulhoso de ter sido um dos participantes.

Tais estudos me levaram a “tietar” ainda mais o bairro onde minha vida profissional teve início, em João Pessoa. Nos idos de 1975-76,