Após a reforma no calendário romano, realizada por Júlio César, com a ajuda do astrônomo grego Sosígenes , em 46 a. C., o mês de fevereiro,...

O dia bissexto

milton marques dia ano bissexto calendario ambiente de leitura carlos romero

Após a reforma no calendário romano, realizada por Júlio César, com a ajuda do astrônomo grego Sosígenes, em 46 a. C., o mês de fevereiro, a cada 4 anos, passou a ter 29 dias, de modo a completar com perfeição a órbita da terra ao redor do sol (na época pensava-se o contrário, óbvio). No entanto, mesmo depois do calendário juliano e enquanto permaneceu a contagem tradicional dos dias pelos romanos, nunca existiu o dia 29 de fevereiro.

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A contagem tradicional latina levava em conta as três datas em que se repartia o mês romano: as Calendas (Kalendae), primeiro dia do mês e de onde vem a palavra calendário; as Nonas (Nonae), que podiam cair no dia 5 ou no dia 7 do mês, e os Idos (Idus), que sempre ficavam a nove dias das Nonas, podendo, portanto, cair ou no dia 13 ou no dia 15 de cada mês. A contagem dos dias era sempre de trás para frente, contando-se o dia em que caía cada uma dessas partes – Calendas, Nonas e Idus – e o dia em que se estava. Ou seja, se alguém não fosse bom em subtração não saberia em que dia se encontrava...

Por exemplo, o dia 30 de maio, era dito Tertius Dies ante Kalendas Junias, o Terceiro Dia antes das Calendas de Junho, utilizando-se no cálculo a soma dos dias 1º de junho, 31 e 30 de maio. O dia seguinte, dia 31, dizia-se Pridie Kalendas Junias, o Dia anterior às Calendas de Junho.

Como marcar, então, o dia 29 de fevereiro, se ele não existia como data? Simples. Contava-se o dia 24 duas vezes. O primeiro dos dois dias 24 de fevereiro, no calendário romano, era o Bis Sextus Dies ante Kalendas Martias, ou seja, o Sexto Dia de novo (bissexto) antes das Calendas de Março, o dia primeiro de março. O segundo dia 24, para nós, em ano bissexto, o dia 25 de fevereiro, era o Sextus Dies ante Kalendas Martias, o Sexto Dia antes das Kalendas de Março. Lembrem-se que a contagem era de trás para frente: 1º de março, 28, 27, 26, 25 e 24 de fevereiro somavam seis dias, incluindo o dia das Calendas, 1º de março, e o dia em que se estava, dia 24 de fevereiro.

Como se vê, no calendário juliano, não era o ano que se dizia bissexto, mas o dia 24 de fevereiro, a cada 4 anos, que se chamava bissexto.

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Essa mudança ocasionada há dois milênios, não muda nada com relação à passagem do Sol pelas constelações. Assim, quem nasceu em 29 de fevereiro, continua, na perspectiva da Astrologia, sendo do signo de Peixes (19/02 a 20/03). Já do ponto de vista da Astronomia, estará sob a guarida da constelação de Aquário (16/02 a 11/03).

A título de conclusão, digamos que no dia 23 de fevereiro, comemoravam-se as Terminalia (assim mesmo, parecendo um singular, mas se trata de um plural neutro), festa em homenagem ao deus Terminus, divindade que presidia os limites e os cultos da pedra de fundação do mundo, marcando o fim do ano litúrgico romano e já preparando, a partir do dia 27 desse mesmo mês, com as Equirria, a festa de Marte, deus que tutelava o mês de março. Era o antigo início do ano novo, anterior ao calendário juliano. Após o calendário estabelecido por César, a festividade das Equirria continuou, pois marcava o surgimento de um novo ano, por causa do novo sol que trazia a renovação do ciclo da natureza e da vida, com o Equinócio da Primavera. Era o início do ano solar, a partir do dia 20 de março.


Milton Marques Júnior é doutor em letras, professor, escritor e membro da APL
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