10 de junho de 2020. No 97º ano de nascimento de seu patrono, o Ambiente de Leitura Carlos Romero, espaço virtual criado em 2008, presta-lh...

Homenagem de Aniversário


10 de junho de 2020. No 97º ano de nascimento de seu patrono, o Ambiente de Leitura Carlos Romero, espaço virtual criado em 2008, presta-lhe uma homenagem trazendo a lume alguns comentários de amigos e leitores referentes à trajetória do cronista. Recentemente, o ALCR passou a abrigar publicações de outros autores, especialmente selecionados no intuito de continuar a contribuir com o mundo das Letras, universo tão presente em sua memória.



Abelardo Jurema Filho
Jornalista
Era assim que eu o cumprimentava, ou melhor , que eu reverenciava a sua presença iluminada: “amado Mestre”. O cumprimento, sempre respeitoso e afetivo, era fruto da minha admiração por aquela figura serena, bem-humorada, que parecia se divertir com o mundo onde conseguia enxergar a natureza em toda a sua plenitude. Via o que os outros não veem e era capaz de fazer uma crônica apenas dissertando sobre o canto de um passarinho ou sobre a beleza de uma folha verde.



Alaurinda Romero
Violinista
Carlos costumava dizer, carinhosamente, que eu era “um anjo que apareceu em sua vida”. Mas, o anjo era ele, que tanto me ensinou. Ah, como aprendi com ele! Não encontro palavras para me expressar e dizer o quanto Carlos foi e continua sendo valioso para mim. Os livros que ele me indicava, os filósofos que mais amava… Bertrand Russell, Michel de Montaigne e tantos outros. Uma vez perguntaram a Montaigne, porque ele gostava e admirava tanto o seu grande amigo, Étienne de la Boétie? Ele apenas respondeu: “Porque ele era ele”. E é por isso que eu amei e continuo sempre amando o meu Carlos. Porque ele era ele e eu me via nele.



Ana Adelaide Peixoto Tavares
Professora
Fui muito tocada pelo amor de Germano Romero pelo seu pai. Tão raro ver um filho se desnudar de amor e orgulho pelo seu pai! Ficava sempre emocionada com suas viagens, no ritmo daquele “amado pai”. Viagens para destinos clássicos, música, arte e boa comida. Mas, principalmente, viagens para as vivências e compartilhamentos de amor. E, enquanto Germano falava do frio, Dr. Carlos gostava de voltar aos nossos dias quentes do sol e do verão. E que vitalidade e abertura para a vida, quando o vi numa cadeira de rodas se divertindo pelas avenidas parisienses, aceitando suas limitações, sem dó nem preconceito. Ele soube viver.



Ângela Bezerra de Castro
Professora
Em minha visão particular, diria que Carlos era o exemplo de um
homem feliz. Soube amar e ser amado. Além de nortear a existência por princípios que deram sentido e densidade a todos os seus dias. Podia descobrir, no menor fato do cotidiano, um grande acontecimento e assim alimentar constantemente sua alegria de viver. Sem dúvida, encontrou “a paz do coração” que, segundo Platão, “é o paraíso dos homens”. Desde que o conheci, admirei nele essa postura sábia diante da vida. Refletida sempre no rosto iluminado por um suave sorriso de acolhimento, a sintetizar o propósito maior da transcendência de ser, no minimalismo de cada gesto.



Carlos Romero Filho
Professor
Quando fui crescendo, papai passou a me dar obras de filosofia: Will Durant, Bertrand Russel, seus autores preferidos. Assim, cresci no meio dos livros e da música, escutando Bach, Beethoven e Mozart. Não me esqueço dele, logo de manhã cedo se fazendo de maestro e regendo a nona sinfonia de Beethoven pra gente. Nada me lembra mais papai do que a música. E é a "Ode à Alegria", de Schiller, que sempre me transporta até ele. É a música me levando novamente a ele, como um milagre, trazendo de novo sua imagem, sua voz. É papai, outra vez, chegando! Papai que nunca esquecerei. Pois, como diz o título daquela crônica dele: “Amar é não esquecer”. “Ter saudade é bom. Só o ser humano tem saudade. Saudade é fome de presença”.



Davi Lucena
Deivis
Meu querido companheiro de viagem. Atravessamos riachos, passeamos por desfiladeiros, cruzamos mares e percorremos grandes distâncias, por terra, mar e ar. Em alguns momentos, sua voz ecoava de forma mansa, com uma observação sobre as ovelhas e vacas que pastavam nos campos. Aquele olhar tranquilo tornava agradável qualquer ocasião. Passamos por tempestades e descansamos na calmaria. E ele, já impedido de ficar em pé por muito tempo, servindo-se do conforto de uma cadeira de rodas, participava de tudo, tirando o melhor que a vida tinha a lhe oferecer, sempre cantarolando alguma canção e fazendo com que todos o acompanhássemos em coro.



Francisco Gil Messias
Cronista
Foi também um grande viajante, muito além de um simples turista, sempre, em todos os lugares, cultivando a curiosidade intelectual, que é o que distingue aqueles que viajam para aprender dos que o fazem apenas para exibir-se. De andanças pelo mundo, extraiu as crônicas memoráveis. E teve um privilégio: em suas viagens, foi acompanhado pelo filho Germano, a esposa Alaurinda e o amigo Davi, mais que companheiros de estrada, amores de sua vida.



Germano Romero
Arquiteto
Em um de seus últimos aniversários eu lhe perguntei: "O que você quer ganhar de presente?" Ele logo me respondeu "Ah, meu filho, você já é o maior presente que Deus me deu. Mas, tenho uma ideia. Se você quer mesmo me fazer uma homenagem, vá a uma loja de presentes, compre um papel bem grande e bonito, peça à moça para lhe embrulhar por inteiro e mande-me entregar de novo". Hoje não haveria pacote que coubesse a infinita gratidão e o amor que por ele sinto, do tamanho do universo. Parabéns, papai!



José Leite Guerra
Cronista
Como professor, era um passarinho, que quase declamava poemas, enquanto trocava sorrisos com o alunado. Eu, no meu lugar, observava o autor das crônicas que lia na coluna intitulada “Recados da Província”, da autoria dele. Mesmo imaturo para mergulhar na ternura e humor embutidos nas suas frases simples, livres, fios de sabedoria, percebia que denotavam um amor subjacente à Criação. Amado mestre, Prof. Carlos Romero, perdurarás como exemplo de bem viver sob a claridade do amor, da paz, da vida em abundância.



José Nunes
Historiador
Um homem que soube cultivar o silêncio, que falava pouco para melhor escutar a Natureza, para ouvir os outros falar e quando dizia alguma coisa, eram ensinamentos do seu coração. Homem calado, sem ser sisudo, ele conversava com os olhos, como faziam os grandes místicos tiberianos ou como os homens do deserto, aqueles que ao tempo de Jesus deixar tudo para viver afastado do mundo e acreditava estar mais perto de Deus. Carlos Romero percorreu o mundo para captar emoções. Para conversar com Deus estava dentro do coração dele. Deus que ele amava por meio do Espiritismo, presente nos gestos de ternura e de solidariedade recomendados por Jesus.



Sérgio de Castro Pinto
Poeta
De vida morigerada, metódica, Carlos Romero escreve boas crônicas com a melhor das intenções. E o faz sem proselitismos, porque nele tudo é verdadeiro. Quer dizer, ele não se inclui entre os adeptos do “Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”, embora somente isso não seja suficiente para “Lições de Viver” escapar da vala-comum geralmente reservada aos livros de autoajuda. Suas lições que não soam pretensiosas ou professorais, mas são crônicas que adquirem foros do mais puro lirismo.



William Costa
Jornalista
Não é tarefa fácil classificar o cidadão Carlos Romero. O caminho menos penoso seria rotulá-lo de jornalista, pela paixão que devota à profissão. Mas o cronista, o escritor, o magistrado, o professor, o espírita, o viandante, o amante apaixonado da música, da literatura e da natureza não ficariam magoados? Carlos Romero tem uma trajetória singular no vasto mundo da cultura e do jornalismo paraibanos. Singular porque sua catedral foi construída quase em silêncio, sem açodamento egoísta, sem carência midiática. Arriscamos dizer que a argamassa utilizada foi e continua sendo o amor pela vida.
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  1. Comentários pungentes que atestam que a vida é imortal. Podemos estar separados fisicamente, mas espiritualmente Carlos Romero continua inspirando, conciliando, irmanando e confortando todos que tiveram a dádiva da sua convivência.

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  2. Homem de uma grandeza infinita...O admiro muito!!!!

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