GENTILEZA Tristezópolis era uma cidade de gente tristonha. Ali só tinha pessoas mofinas e gente mal-humorada. A vida era sem graça e ...

Existem palavras mágicas

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GENTILEZA


Tristezópolis era uma cidade de gente tristonha.
Ali só tinha pessoas mofinas e gente mal-humorada.
A vida era sem graça e enfadonha.

A cidade era bem feia, não tinha luz e nem calor.
As pessoas não se divertiam,
Amizade não tinha valor.

A praça não tinha flores,
Não tinha água no chafariz
Também era mudo o sino da igreja da matriz.

As moças eram sisudas,
Os rapazes carrancudos,
As crianças eram choronas,
Os velhos zangados.

Até que um dia chegou um violeiro,
Com seu instrumento encantado
E cantando lindamente com seu cantar ritmado,
Transformou Tristezópolis por inteiro.

Ele falava palavras com tanto encanto e sabor,
Que o povo foi se abrindo pras belezas do amor.
Falou com tanta beleza de uma tal de gentileza,
Que o povo se esqueceu de sua maldade e vileza.

Cantou em versos rimados que existem palavras mágicas,
Bom dia , por favor, desculpe, muito obrigado
Que ditas na hora certa,
Transformam o que está errado.

Gentileza nunca é muita,
E faz muita diferença,
Cria um clima de concórdia,
Acaba com a mal que querença.

Gentileza é como flor,
Enfeita qualquer lugar,
Seja onde quer que for,
Gentileza não pode faltar.

Ser gentil é ser bonito,
É ter sempre o riso no rosto,
A gentileza adoça a vida,
Acaba com qualquer desgosto.

O povo ouvindo esse canto,
Começou a se modificar,
Os velhos ficaram mais moços,
As crianças deixaram de chorar.

As moças ficaram formosas,
Os rapazes sorridentes,
O cantar do violeiro,
Fez o bem pra muitas gentes.

E todo mundo gostou dessa tal de gentileza,
Que o prefeito resolveu, aprovado por unanimidade,
Acabar com uma lei a tristeza
E mudou o nome da cidade.

Agora não mais existe aquela triste cidade,
Gentil e feliz e ameno é o povo da edilidade,
Que recebeu novo nome, agraciando-a de beleza.
O nome da nova cidade é Recanto da Gentileza.


FUGERE


Quisera partir,
Seguir até me perder,
Na linha do horizonte,
Ser um Sol a sumir.

Porém, quando a noite caísse,
As estrelas a brilhar,
Seriam meus olhos,
No infinito a te buscar.

Quisera fugir de mim,
E me perder nas dunas
Do deserto de minh’alma.
Perder-me assim.

Porém, quando o vento soprasse,
Os grãos de areia entrariam a cantar
Uma canção, um poema,
Seria minha voz a te chamar.

Que fazer então para te esquecer?
Pois se fugir de ti é me perder,
Se tentar matar o teu amor,
É matar a mim, é morrer de dor.


Vólia Loureiro do Amaral é engenheira civil, poetisa e escritora
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