Leveza Gostaria de ser leve, mas não sei. Leve, sem fundas marcas Nas coisas sentidas e tocadas.

Levezas...

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Leveza Gostaria de ser leve, mas não sei. Leve, sem fundas marcas Nas coisas sentidas e tocadas. Saber neutralizar o peso normal da vida De lutar, o próprio peso de ser Não mais que passante. Pensar beira o desejo, não é decisão. Como notas para um livro, um poema. Um pouco de silêncio revelador. Bem cedo era tarde e eu queria aposentar-me. Exausta num desejo rouco de gritar Quero bastar-me! Ser leve e livre como ar Que não afunda nunca E ainda enche os vazios que encontra. Habitante da ausência Busco, sem cessar, teu rosto entre as estrelas Mais belas e mais brilhantes Porque amavas a luz. E sinto que devolves, amoroso, meu olhar De onde estás e talvez murmures qualquer coisa Nessa língua nova, indecifrável ainda. Às vezes, ser mãe é pular abismo Sem encontrar um chão onde firmar os pés. Andarilha, vagueando em ansiedade Ser de sede e de espera... Eu sou Habitante da ausência em degredo de saudade. Sonhando abrir o céu, só para ver-te Saber que vivo estás E te abraçar, meu filho, e nunca mais Ter medo de perder-te. Ilusão Estava lá, esboço e armação Entre o muro e a vida Que essas duas coisas não se reconciliam Nunca mais. Estava assim, mas lá no coração Esperava que um milagre Pudesse acontecer. E como fosse uma noite de lua Jogando beleza nos feios da rua Acreditou que ainda pudesse viver. Janelas do tempo Nem tudo foi perfeito Mas houve noites belas E sonata de ilusão À luz de velas. No começo era assim O teu olhar era de puro sol E havia estrelas dentro de mim. Em tua ausência Como andorinha na solidão Estou bem longe de fazer verão.



Milfa Valério é professora e poetisa
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  1. BRAVO Milfa Valério::::
    embalado em seus textos poéticos.
    Paulo Roberto Rocha

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