Os sinos do campanário Dobram os velhos sinos A cantarem êneos fados, No campanário carcomido, Pelas rezas dos tempos passados.

Pelas rezas dos tempos passados

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Os sinos do campanário
Dobram os velhos sinos A cantarem êneos fados, No campanário carcomido, Pelas rezas dos tempos passados. E a tarde lamenta o dia que morre Em céus cobertos de sanguíneas nuvens, Que logo darão lugar a escuridão Pintalgada de estrelas. Só, eu espero a Lua. E o pio soturno da coruja Traz-me em arrepios a imagem tua. Aspiro que, ao luar, a minha poesia ressurja. Os ventos da noite Levam-me a mundos distantes, Aos contos de fadas e cavaleiros andantes, Quem sabe nesses mundos eu me reencontre... Tento cantar em versos nossos desatinos, Mas a canção ganha tons perversos, E a lágrima que cai me embarga a voz. A música se vai e eu desafino. Só o que resta é o som dos velhos sinos A repetirem os fados do passado, E ao cantar, tantas vezes, esse canto chorado, Meus olhos vão se fechando, E só o luar testemunha esse meu sono molhado. Lunática
Diziam que era a lua Que a fazia diferente. Era assim lunática, Uma outra espécie de gente. Costumava falar sozinha. Conversava com os passarinhos, Andava sempre acompanhada De um bando de guaipecas. Andava pelos matos, Vestia-se com simplicidade, Meio andrógina, Mas sem eroticidade. Diziam que era culpa da lua. E sempre que ela andava A apontavam na rua. Ninguém compreendia A razão da sua alegria, E que o mundo não entende, Quem é pleno de poesia. Esperança
Espero sorrisos largos, Desses de fechar os olhos E sentir a alma expandir. Espero mãos entrelaçadas, Contatos imediatos, Com o tato e a pele arrepiada. Espero beijos inesperados, Roubados, molhados, Tímidos ou leves, Mas que deixem o recado. Espero palavras doces, Poemas escritos em guardanapos, Cartões escondidos entre flores, Corações desenhados na poeira dos móveis. Espero nada menos que um grande amor, Que não seja eterno, porém terno, Que dure uma vida toda, ou seja de estação, Mas que faça vibrar esse exânime coração. Soltando a voz
Aonde vai a minha voz? Em quais ouvidos chegará? Que corações tocará? Que emoções despertará? Aonde vai a minha voz? Será levada pelo vento? Será ela um acalanto? Ou será simples lamento? Será uma canção de amor, Cantada na madrugada? Ou nos lábios de um boêmio, Será uma simples balada? Será um hino apoteótico Que levantará a multidão? Ou um verso ao pé do ouvido, Para cativar um coração? Aonde vai minha voz? Espalho-a ao vento, Para que ganhe os espaços E chegue até às estrelas. Que seja levada No cantarolar da chuva Que cai na madrugada. No sussurro de uma prece, No choro de um amor sentido, Nas asas de um colibri ligeiro, Que cruze os ares e montanhas, Seja em dó ou sustenido, Talvez, em uma madrugada, Ela chegue ao teu ouvido.


Vólia Loureiro do Amaral é engenheira civil, poetisa e escritora
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  1. Grata e honrada sempre por participar desse espaço ao lado de tantas pessoas maravilhosas e cultas!!

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  2. Parabéns Vólia ... belas poesias👏🏻👏🏻👏🏻
    Paulo Roberto Rocha

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