O bom humor do amado mestre amenizava a disciplina ensinada. Direito Comercial, árido, enfadonho, pelo menos para mim, recebia uma ducha de...

Amado mestre Carlos Romero

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O bom humor do amado mestre amenizava a disciplina ensinada. Direito Comercial, árido, enfadonho, pelo menos para mim, recebia uma ducha de verdor, quando o professor mesclava a matéria exposta com sutil anedota. Um passarinho, quase que declamava poemas, enquanto trocava sorrisos com o alunado.

Eu, no meu lugar, observando o autor das crônicas que lia, na coluna intitulada “Recados da Província”, de autoria dele. Mesmo imaturo em matéria de mergulhar na ternura e humor embutidos nas frases simples, livres, fios de sabedoria, denotando um amor subjacente à Criação. Espiritualista e espirituoso. Como espírita de raiz herdada do pai, José Augusto Romero, tinha convicção e nunca o vi insinuar aos alunos qualquer proselitismo quanto à doutrina espírita.

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O cronista aqui já possuía garatujas guardadas em gavetas. Soube que o amado mestre, Subchefe da Casa Civil do Governo Pedro Gondim, editava o “Correio das Artes” – suplemento literário do Jornal “A União”. Criei coragem, desengavetei a “Cartilha do Espaço” (poema de minha lavra) e adentrei os corredores do Palácio da Redenção. Encontrei-o e entreguei a peça literária. Ele coçou o queixo e me disse: “Parece um Augusto dos Anjos não cético”. Saí dali na expectativa da publicação, cheio de asas. E quase chorei de alegria. O poema saiu publicado. Grande e decisivo incentivo para que eu continuasse na estrada da Literatura.

Quando enviuvou da primeira esposa, Carmem, Emília, minha consorte, compôs um poema em homenagem à pranteada. Ele foi, pessoalmente, agradecer, em nossa morada, nos honrando com sua presença. Criamos uma amizade que se formatou em nossas almas. Fez uma resenha crítica dos escritos de Emília: análise leve, direta e firme, sem rodeios, nem erudição pernóstica.

Vez por outra, durante anos, contemplávamos as idas e vindas do professor: as viagens à Europa, o amor pela música clássica. Jamais perdíamos as crônicas escritas por ele. Um jovem, uma criança, amante da vida, esparzindo sapiência em frases simples. Para mim, para muitos, incluindo os alunos do chato Direito Comercial, continua passeando entre as carteiras. Continua o passarinho em forma humana.

Amado mestre, Prof. Carlos Romero, perdurarás como exemplo de bem viver sob a claridade do amor, da paz, da vida em abundância. A missão está cumprida. Por enquanto, findou a aula.

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  1. Parabéns José Leite Guerra...seu breve depoimento histórico..nos remete aquele personagem que costumo ouvir dizer ..de um grandeza impar em sua alma !!!
    Paulo Roberto Rocha

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