A história da família Rolim dá um romance. Mas essa não foi a opção do engenheiro e historiador paraibano Sérgio Rolim Mendonça ao escrev...

Rolin, Rolim: da França a Cajazeiras

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A história da família Rolim dá um romance. Mas essa não foi a opção do engenheiro e historiador paraibano Sérgio Rolim Mendonça ao escrever sobre sua ascendência familiar em seu mais recente livro, A saga do Chanceler Rolin e seus descendentes, publicado, em caprichada e bonita edição, pela Editora Labrador, de São Paulo. Talento literário para isso, se fosse o caso, não lhe faltaria nem falta, à vista do que já mostrou quando da publicação de suas memórias (ou autobiografia),
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O caçador de lagostas, de 2018, pela mesma editora, e em outras obras anteriores. E o interessante nisso tudo é que sua formação acadêmica é na área das engenharias civil (UFPB) e sanitária (USP), cujos cultores, de modo geral, tradicionalmente são mais próximos da técnica e das tecnologias que das coisas da cultura.

Como explica o autor em suas Notas introdutórias, sua ideia original “era realizar apenas uma pesquisa a partir do padre Rolim até chegar à minha pessoa”, meta que, por si só, já seria ambiciosa, pois implicaria pesquisar toda a trajetória familiar, desde o ilustre educador cajazeirense até os dias atuais, percorrendo um período de mais de duzentos anos, haja vista que o padre Inácio de Sousa Rolim nasceu em 22 de agosto de 1800. Mas aí descobriu o chanceler Nicolas Rolin, da cidade de Autun, na região da Borgonha, França, e não conseguiu resistir à curiosidade inerente aos historiadores, terminando por ir conhecer, in loco, a cidade, a vida e as obras desse ilustre personagem francês, aventura que resultou no livro mencionado.

Nicolas Rolin, homem do século XV, apesar de nascido em 1376, e considerado “o primeiro Rolim famoso”, foi, antes de tudo, um empreendedor, no sentido público da palavra.
Titular de cargos políticos importantes em sua região, preocupou-se em criar instituições de interesse da coletividade, a exemplo de escolas e do famoso hospital de Beaune. Segundo o autor, “Rolin, desejando ampliar em sua cidade natal o círculo de uma educação muito limitada, fez abrir por intermédio de Felipe, o Bom, escolas públicas que se tornaram um importante centro de estudos literários e científicos na Borgonha, onde numerosos alunos ilustres estudaram”. Eis aí, certamente, a origem da genética educadora que viria, no século XIX, no sertão da Paraíba, desabrochar nas realizações notáveis do célebre padre Rolim.

Quanto ao hospital (Hospices de Beaune), destinado aos pobres da região, hoje é um museu de renome, permanecendo como testemunho concreto da visão benemérita de seu criador.

Do Rolin francês, o autor passa a identificar outros personagens com o sobrenome Rolim em Portugal, em Minas Gerais, onde se destacou, na Inconfidência Mineira, o padre José da Silva e Oliveira Rolim, de Diamantina, companheiro de prisão, em Lisboa, do célebre poeta Bocage, até chegar ao nosso padre Inácio de Sousa Rolim, cujo pai, Vital de Sousa Rolim I, é considerado o fundador da cidade de Cajazeiras. Encerrando o volume, Sérgio apresenta sua árvore genealógica, mostrando a vitalidade de sua linhagem, que promete estender-se indefinidamente no tempo, produzindo, esperamos todos, outros intelectuais, empreendedores e beneméritos.

É preciso que se diga que o livro possui interesse para além do âmbito familiar do autor, tratando-se de pesquisa histórica válida por si mesma e cujos resultados poderão ser úteis a outros estudiosos dos temas e personagens nela abordados. Essa é a riqueza desses trabalhos: nunca se esgotam em si mesmos, pois possuem sempre potencial de gerar novos estudos, numa corrente praticamente infinita de produções culturais relevantes.

Por fim, destaco a maneira elegante e isenta com que o autor desenvolveu seu tema no livro ora comentado, cuja específica matéria, em mãos menos modestas e sóbrias, poderia vaidosamente gerar obra de caráter autolaudatório.

O certo é que, com Sérgio Rolim Mendonça e suas realizações, pode-se dizer que o distinto clã do chanceler e do padre educador continua, com brilho, sua vocação de meritório protagonismo.

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  1. Muito obrigado Gil Messias. Está bela crônica, muito me honra.
    Grande abraço.

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    1. Não tem que agradecer, Sérgio. Seu belo trabalho merece ser divulgado. Abraço.

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