Vida e morte são o continuar dos passos o ir e vir para não se sabe onde. A única diferença é que, no fim, não se poderá mais...

O ir e vir para não se sabe onde

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Vida e morte são o continuar dos passos o ir e vir para não se sabe onde. A única diferença é que, no fim, não se poderá mais contar os passos.... A vida é mais irônica que as palavras. Mais do que a vida a certeza e inumeráveis escombros. Você aquietará. E, juntos, todos os ponteiros deixarão de ter sentido. Dentro de todo absurdo existe um reino de impiedosas perdas. A maior morte, em vida, é a impossibilidade. Anoitecer é acatar o sem sentido. Nós no cordão que me ligam da mãe à morte dizem do tempo de seguir nascendo.



O disfarce da órbita é desviar-se do óbvio
A expectativa, é o entardecer de uma ilusão.
O só não se arrepende mas não acha espaço entre tantas coisas e tantos arrependimentos.
Não divague, homem, esqueça o manto das ondas que disfarçam os naufrágios. Dentro do absurdo existe um reino de perdas.
Esse amanhã, com cheiro de saudade, roubou a cena de hoje.
Do livro Breviário dos olhos
(Editora GM, 2017)



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  1. Jorge Elias Neto sabe – mas sabe mesmo - o que é a morte: é médico. E o que é o nosso eterno ir e vir: é poeta. “A única diferença é que, no fim – diz - não se poderá mais contar os passos” pois, - salto triplo: “todos os ponteiros deixarão de ter sentido”. E - salto mortal: “esqueça o manto das ondas que disfarçam os naufrágios”.

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