Duvido existir alguém que entenda mais de garçons do que eu. Como não tenho casa, faço as refeições em restaurantes, lanchonetes, bares, m...

Os garçons

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Duvido existir alguém que entenda mais de garçons do que eu. Como não tenho casa, faço as refeições em restaurantes, lanchonetes, bares, muquifos e outros locais menos votados. E isso desde muitos anos. Posso afirmar que os garçons são iguais a Papai Noel; tudo que você pede eles trazem, com a vantagem de não termos de nos comportar bem, né?

Uma das lutas que assumi em favor dos garçons infelizmente tem as mulheres como contendoras. Mesas onde só mulheres sentam são o terror desses meus amigos "da bandeja". É que mulher, em sua maioria, não dá gorjeta e tem a mania de implicar com a conta, questionando se a única bebida servida, uma água mineral, era de 300 ml ou 500 ml…

Patrick Coupechoux
Curiosa é a origem da palavra garçom. Das muitas versões, a mais crível diz que quando a segunda guerra mundial estava findando, era escassa a mão de obra na França, o que levou muitos garotos a trabalharem, inclusive em bares e restaurantes.

A clientela chamava esses meninos na língua francesa, garçom (garoto). Os soldados estrangeiros que ouviam entendiam ser a profissão deles, e quando voltaram a seus países difundiram o erro. Pior ainda é chamar a profissional de garçonete. Esse "ette" é final diminutivo feminino na língua francesa. Portanto, garçonete significaria mais ou menos “meninozinha”. Foi assim que me contaram.

Jessie Mccall
Mas vamos a fatos reais. Das centenas de histórias que já ouvi desses meus amigos, acho arretada a confissão que me fez o maitre F., que um dia estava servindo num casamento de gente riquíssima e a certa altura foi procurado pelo marido de uma grande dama, que ficou chateadíssima com o fato de uma outra grande dama estar usando um vestido igual ao seu, comprado em Paris como exclusivo. Mediante uma boa paga, F. deveria "acidentalmente" derramar sobre o vestido da agora inimiga uma garrafa de vinho tinto. Eu perguntei abismado se ele fizera aquilo. Deu uma das suas clássicas gargalhadas: "— Jamais, nobre causídico. Nunca me passaria tanto… então, baixou a voz, e confessou: - eu terceirizei".

Algumas verdades eu aprendi nessa minha vida de restaurantes; uma delas é que a maioria das mulheres é feminista até chegar a conta, no que fazem muito bem. Homem que não puxa a cadeira para a companheira sentar ou não paga a conta é um macho crica.

Enfim, tenho uma lição: Uma pessoa que trate mal os garçons jamais será uma boa pessoa.

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  1. Muito bom texto, Marcos!
    Também convivi com grandes figuras de gravata borboleta.
    Os mais notáveis foram Forzinho, cujo defeito na perna lhe conferia um andar que lhe gerou o epíteto de Ponto-e-virgula.
    Tinha Pelé, da sede central do Esporte Clube Cabo Branco, que tambem era engraxate. Fumava pra burro!
    O garçom que servia os cafés era Ferreira, também do Cabo Branco. Este também era muito engraçado. Provocado pela platéia, gostava de dizer coisas como:
    “Para onde você vai, Ferreira?!”
    “Vou à padaria“
    “Fazer o que?!”
    “Vou ver SE ACHO PÃO francês!”
    “E se não tiver?!!” (A risadaria já começava a se formar)
    “Eu trago PÃO BALIZA “
    E todos caiam na gargalhada.
    Havia o garçom Zé Paulo, da Bambu, que tinha o mau-hábito de acrescentar artigos ilusórios na conta, para logo depois corrigir quando era flagrado. Mais ou menos assim:
    "Zé Paulo, a conta!"
    “Uma dose de uísque “
    “Zé Paulo, só tomamos rum Montilla!”
    “Não colou (riscava). Um maço de Minister “
    “Zé Paulo, aqui ninguém fuma!!”
    “Não colou (riscava também)”
    E por aí ele seguia, até chegar à conta real. O bom era que ele dizia tudo isso sem mudar a fisionomia, sem expressão. Lembrava Buster Keaton, o Stone Face.

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  2. Complementando a manifestação do estimado José Mário Espínola, vale lembrar outros garçons que fizeram época, como o "intelectual" Camões, que pontificou em vários bares, dentre os quais o icônico Leodécio (Casa do Chopp) e o famoso Cobrinha, que servia no restaurante da sede do Clube Cabo Branco, na Duque de Caxias, onde nos servia um memorável sanduiche de filé.

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