Em “1/6 de Laranjas Mecânicas, Bananas de Dinamite” faço a ligação dessas “entidades” ao Logos, que abre o evangelho de João: que a men...

A divinity de Shakespeare e the invisible hand de Adam Smith

shakespeare adam smith filosofia arte divindade
Em “1/6 de Laranjas Mecânicas, Bananas de Dinamite” faço a ligação dessas “entidades” ao Logos, que abre o evangelho de João:

que a mente atente, sempre, que é à Inteligência, Razão, do Novo Testamento, que Hamlet – metaforicamente – se refere, quando confere a ... uma ... divinity - divindade – a... cumplicidade... que dá forma a tudo ... que o ser humano projete, ainda que muito lhe falte para que o complete, ... o que, por exemplo, ao Adam Smith rende ... a percepção de algo até então não detectado: a invisible hand do mercado, que faz o lucro não ser resumo ... xucro ... do cobra-engolindo-cobra do capital e consumo, matéria –prima e mão-de-obra.

SE QUER empreender algo MAIOR DO QUE VOCÊ, LEMBRE-SE disso.

Está lá, no livro 4, capítulo 2, de “A Riqueza das Nações” (“The Wealth of Nations”), 1776, de ADAM SMITH:

-... O indivíduo busca apenas seu próprio ganho e, nesse, como em muitos outros casos - ele é levado ... por uma mão invisível - an invisible hand- ... a promover um fim que não fazia parte de sua intenção.

Refere-se ao fator social de toda e qualquer empresa.

Rho178
Isso me lembra o fantástico ... elogio ... que Marx e Engels fazem, no “Manifesto Comunista de 1848”, à “revolução” burguesa que criara rotas de navios , de estradas de ferro e de fios de telégrafo pelo mundo todo, sequiosa de mercado e de matéria-prima pra abastecê-lo.

Algo como o esboço de um quarto-minguante, que transforma todo o resto do papel em branco... em céu.

De acordo com a teoria da Gestalt, o todo é outro, que não a soma de suas partes: as letras r, o, s, a não constituem apenas uma palavra em nossas mentes: "(...) evocam a imagem da flor, seu cheiro e simbolismo - propriedades não exatamente relacionadas às letras.

Repetindo:

Hamlet , cena 2, quinto ato: - Por mais toscos que sejam, há uma divindade que dá forma a nossos projetos. “There’s a divinity that shapes our ENDS.”

Isso tem a ver com a célebre frase de Picasso:

- La inspiración existe, pero tiene que encontrarte trabajando

Mas de onde ela vem?

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Dmitri Mendeleev disse, em 1869:

- Em um sonho vi uma tabela em que todos os elementos se encaixavam. Ao acordar, imediatamente escrevi aquilo em um pedaço de papel. Pronto, a tabela periódica estava ali. O mais incrível é que ELA CONTINHA ESPAÇOS EM BRANCO PARA OS ELEMENTOS QUE AINDA SERIAM DESCOBERTOS PELO HOMEM.


Do mesmo modo, conta-se que August Kekulé propôs a estrutura molecular do benzeno a partir do rápido sonho que tivera num cochilo num ônibus.


Conta o filme “Música e Lágrimas”, de Anthony Mann, que Glenn Miller ( James Stewart ) não ia bem na turnê com sua orquestra “igual às outras”, quando uma tempestade impediu que seu grupo – viajando em vários carros - chegasse completo ao local onde iria tocar naquela noite. Glenn fez arranjos especiais, às pressas, pois tinha de se virar com o que lhe sobrara. E aí surgiu a inovação: clarinetas e saxofones combinados tornaram-se sua marca registrada.

Do mesmo modo, como o ator que faria Lampião não apareceu na caatinga, pra filmar um diálogo dele com Corisco, Glauber improvisou: mandou Othon Bastos falar como Corisco, que era seu personagem, e sussurrar como o espírito de Lampião, criando o diálogo mais original do “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

CC0

“Cabra Marcado Pra Morrer” tornou-se uma obra-prima por obra e graça da ditadura, que lhe interrompeu as filmagens em 64. Dezessete anos depois, Eduardo Coutinho teve a feliz ideia de revisitar os personagens documentados ... e tudo ganhou mais densidade.


Bom, eu sempre “soube” de tudo isso, conforme diz o belo “no saber, sabiendo, toda sciencia trascendiendo” do grande poeta que foi Juan de la Cruz. O que eu sabia de teoria literária quando escrevi meu primeiro romance, “Israel Rêmora”? Meti a cara, vi que estava em mares que me pareciam nunca dantes navegados, sentindo-me seguro apenas quando li “O Jogo da Amarelinha”, do Cortázar, igualmente “louco”. O que eu lera e vira de teatro, quando, em 68, em Pombal, escrevi “O Vermelho e o Branco” numa noite, e - com um gravador – depois, criei um samba, um “recto tono” e três hinos pra completar o espetáculo, e o que eu sabia de interpretação quando me vi, de repente, no palco, nessa mesma peça? É o célebre “segura na mão ... da 'divinity' de que fala Hamlet, ... e vá!” – porque ela está lá.

Milan Sabic

Discretazinha, age... como quando fecha a moleira dos bebês, dá forma aos seios da mocinha, cuida da rima - tipo pícaro - de ácaro... com Ícaro: o mito sem rito, que foi um dos arranjos com que ela “disse” ... aos marmanjos que um dia voariam ... como anjos.

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