A difusora A Voz de Pocinhos, idealizada por meu pai, Hermes de Oliveira, foi ao ar pela primeira vez em 10 de outubro de 1951, execut...

A Voz de Pocinhos resiste

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A difusora A Voz de Pocinhos, idealizada por meu pai, Hermes de Oliveira, foi ao ar pela primeira vez em 10 de outubro de 1951, executando a música Moreninha, moreninha, de Luiz Gonzaga. Sua criação se deveu, principalmente, ao programa A Voz de Campina Grande, apresentado em uma rádio da vizinha cidade, à qual, inclusive, Pocinhos pertencia, política e administrativamente, nessa época.

Meu pai era, por assim dizer, um multimídia: músico, alfaiate, eletricista, ativista cultural, locutor, animador de festas, chamador de bingos e leiloeiro de galinhas nas festas da padroeira da cidade, entre outras coisas.
Hermes de Oliveira, pai da autora, narrando uma "Corrida de Argolinha", em Pocinhos (PB)
Um faz-tudo. Quando a repetidora de televisão chegou ao município, foi ele quem a instalou, ficando na incumbência de ligá-la e desligá-la todos os dias, num horário estabelecido. Foi um dos fundadores da Filarmônica São José, banda de música que alegrava os dias festivos. Ele também presidiu o Pocinhos Clube, administrou o cinema da paróquia, assim como dirigiu o hospital municipal, por um certo tempo. Tudo isso tendo ao lado — e muitas vezes à frente — minha mãe, dona Neves, muito talentosa na arte de dar voz à difusora, desde sua implantação.

No início, a difusora foi instalada na casa de “Seu” Oliveira, meu avô paterno. Alguns anos depois, já em sede própria, foram criados programas de oferta musical, em que as pessoas ofereciam músicas umas às outras. Em seu sistema de som, também eram transmitidos anúncios publicitários, propagandas políticas e serviços de utilidade pública, como campanhas beneficentes para arrecadar fundos em prol de algum necessitado ou para a igreja, assim como a divulgação de notas sobre achados e perdidos, falecimentos, velórios e enterros, além da transmissão, ao vivo, de inaugurações, dos desfiles cívicos e das festividades públicas, em geral, como as festas da padroeira, as argolinhas, os pastoris e a contagem dos votos nas eleições, só para citar alguns exemplos.

A grande dificuldade para o funcionamento do equipamento era a falta de energia, já que a que se tinha era fraca, limitada e dependia de Campina Grande.
Tanto era assim que meu pai adquiriu um pequeno gerador próprio para poder colocar no ar os alto-falantes, sempre que fosse necessário.

Vários cantores passaram pela Voz de Pocinhos, como Luiz Gonzaga, Teixeirinha, Marinês e Alcides Gerardi. E muitos outros. Entretanto, o que mais marcou a sua história foi ter, em 10 de dezembro de 1953, anunciado a emancipação política de Pocinhos, que, como já foi dito, dependia, em tudo, de Campina Grande.

Hoje, aos setenta e um anos, a Voz de Pocinhos é dirigida por minha mãe, Dona Neves, que aos 92 anos, ainda continua a tradição — quando sua saúde permite — de levar para todos os bairros da cidade o som inconfundível da difusora, que pode ser considerada, sem sombras de dúvida, um patrimônio histórico do município.

Foto 01: Dona Neves, atual diretora da difusora Voz de Pocinhos / Foto 02 e 03: Desfile cívico em Pocinhos / Foto 04: Inauguração da Repetidora de TV / Foto 05: Estúdio de gravação de A Voz de Pocinhos / Foto 06: Dona Neves de Oliveira


Você pode ouvir A Voz de Pocinhos pela internet, clicando na imagem abaixo:


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  1. Flávio Ramalho de Brito5/11/22 00:47

    As difusoras tiveram importante papel na vida das cidades do interior. A de Pocinhos é um caso raro de resistência. Parabéns.

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  3. A rádio saiu do ar não consigo mais sintonizar

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