30.11.24
No último dia 7/11 lancei o meu terceiro livro: Mulheres: Escritos, Jardins e Uivos , Editora Ideia, capa do artista plástico Flávio Ta...
O livro e a festa
No último dia 7/11 lancei o meu terceiro livro:
Mulheres: Escritos, Jardins e Uivos, Editora Ideia, capa do artista plástico
Flávio Tavares e apresentação de Maria Vilani de Sousa, na Fundação Casa José Américo. Foi uma
noite de autógrafos, e uma festa por entre as folhas das mangueiras, ali no pátio da casa do escritor de
A Bagaceira, sob os olhos e comando do querido Fernando Moura e as suas competentes assessoras, Ana e Helena.
30.11.24
Certa vez um aluno perguntou-me se existe algum livro que ensine a prever e a normatizar a ocorrência de desvios gramaticais. Por razõe...
Gramática de Erros
Certa vez um aluno perguntou-me se existe algum livro que ensine a prever e a normatizar a ocorrência de desvios gramaticais. Por razões alheias à minha vontade, só conheço um único livro a respeito: La Grammaire des Fautes, de Henri Frei, publicado em 1971 pela Slatkine Reprints, de Genebra. Um artigo de Milton Azevedo, intitulado “O papel da análise de erros no ensino de idiomas”, publicado no número 779-80, do Suplemento Literário de Minas Gerais,
30.11.24
Do grande pré-modernista Afonso Henriques de LIMA BARRETO, a coletânea de crônicas intituladas "O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTE...
O Subterrâneo do Morro do Castelo, de Lima Barreto
Do grande pré-modernista Afonso Henriques de LIMA BARRETO, a coletânea de crônicas intituladas "O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTELO" publicadas no Jornal Correio da Manhã no período de maio a junho de 1904, inaugura sua produção literária.
30.11.24
Subia a Sousa Pinto, na calçada oposta ao aqueduto de São Sebastião, em Coimbra, indo em direção à Praça D. Dinis, quando deparei-me co...
Estrangeiro em sua própria terra
Subia a Sousa Pinto, na calçada oposta ao aqueduto de São Sebastião, em Coimbra, indo em direção à Praça D. Dinis, quando deparei-me com a fachada da Real República Rápo-Táxo (Rapa o taxo), cujo dístico atraiu a minha atenção:
29.11.24
Sou aficionado pela mitologia grega. Não é coincidência a sua importância na arte e na ciência. O mito estimula a capacidade de abstraç...
O aceno de Polímnia
Sou aficionado pela mitologia grega. Não é coincidência a sua importância na arte e na ciência. O mito estimula a capacidade de abstração e, via de consequência, o pensamento especulativo. Para mim, Freud é o gênio maior da especulação ao criar a Psicanálise.
29.11.24
Na origem juntamo-nos eu, Fernando Catão e Neno Rabello, já então sem a visão à conta da malvada diabetes. Tivemos a ideia de criar ...
Como era o natal no Classic
Na origem juntamo-nos eu, Fernando Catão e Neno Rabello, já então sem a visão à conta da malvada diabetes. Tivemos a ideia de criar na véspera do natal uma confraternização dos frequentadores dos almoços do restaurante Classic. Batizamos o evento de “— Aí dentro, Papai Noel”, porque imaginamos uma cena onde o bom velhinho já a bordo trenó perguntava a Mamãe Noel onde estava a chave da ignição e ela gritava, apontado para o saco de presentes: “— Aí dentro, Papai Noel”.
29.11.24
Amor violado De repente o amor enlouqueceu correu para os braços do mundo, em uivos de paixão se contorceu, Se contorceu...
Dorme, flor da praia
Amor violado
De repente o amor enlouqueceu
correu para os braços do mundo,
em uivos de paixão se contorceu,
Se contorceu feito lobo,
acossado, massacrado,
até quase morrer.
29.11.24
Vento no porto O vento canta o mar com um assobio, deixa-se levar no desequilíbrio, segue nas vagas o prumo, balança na entrad...
Poemas do vento e da noite
Vento no porto
O vento canta o mar com um assobio,
deixa-se levar no desequilíbrio,
segue nas vagas o prumo,
balança na entrada do sitiado porto.
Feito vida assopra sem rumo,
queima noturno, esfria soturno,
agarra o ser, atira-se aos cascos,
corrente que afoga, afaga, apoio.
29.11.24
Sinto falta da Rua da Aurora, no Recife. A parte que mais me agrada é a dos sobradões, quase no cruzamento com a Conde da Boa Vista. At...
Dias de Veneza
Sinto falta da Rua da Aurora, no Recife. A parte que mais me agrada é a dos sobradões, quase no cruzamento com a Conde da Boa Vista. Atravessa-se o Capibaribe e chega-se à Rua do Sol. A “Veneza Brasileira”, assim dita, tem nesse trecho seu maior significado.
28.11.24
POEMAS DO LIVRO “A arte do Zero” (Editora Arribaçã – 2021) A terra é plana no avesso do Zero. O início O Zero já in...
O Estalo da Palavra (XXII)
POEMAS DO LIVRO “A arte do Zero”
(Editora Arribaçã – 2021)
A terra é plana no avesso do Zero.
O início
O Zero já inscrito
na imensidão,
boca aberta
aguardando o verbo
― trocou os dentes.
28.11.24
Para muitas pessoas, é banal, posto que diário e rotineiro, passar por uma padaria qualquer e levar alguns pães para casa. Mas não era...
O pai, o filho e o pão
Para muitas pessoas, é banal, posto que diário e rotineiro, passar por uma padaria qualquer e levar alguns pães para casa. Mas não era banal para ele: era um ritual solene descer a Manuel Elias de Araújo, dobrar na Silva Jardim e seguir até a Santo Antonio, às 10 para as seis da tarde, para colher o pão da fornada das seis horas da tarde na mesma padaria, sua preferida.
28.11.24
Em tempos de rápidas mudanças e desafios crescentes, cultivar a paciência, a resignação e a resiliência se torna essencial para vivermo...
Paciência, resignação e resiliência: lições para a jornada da vida!
Em tempos de rápidas mudanças e desafios crescentes, cultivar a paciência, a resignação e a resiliência se torna essencial para vivermos com serenidade e propósito. Essas virtudes nos oferecem uma base para enfrentar as adversidades com uma postura de aprendizado, fortalecendo nossa alma diante das dificuldades inevitáveis do caminho. Mais do que simples conceitos, elas são verdadeiras ferramentas para uma vida equilibrada e significativa.
28.11.24
Acordar não é apenas a transição do sono para a vigília, mas uma celebração da vida, um convite à reflexão e uma oportunidade de renova...
Acordar para a vida
Acordar não é apenas a transição do sono para a vigília, mas uma celebração da vida, um convite à reflexão e uma oportunidade de renovação. Cada manhã é como um canvas em branco, pronto para ser preenchido com as cores vibrantes de nossas experiências, sonhos e realizações.
27.11.24
À memória de meu filho Cauê , que amava João Pessoa. Para iniciar esta conversa, a cidade em questão é essa nossa capital das acáci...
Ah, essa nossa cidade...
À memória de meu filho Cauê, que amava João Pessoa.
Para iniciar esta conversa, a cidade em questão é essa nossa capital das acácias que já teve diversos nomes até chegar ao atual, João Pessoa. O assunto hoje é ela. Já de pronto, confesso que não aprecio muito cidade com nome de gente. Esclareço que não sou um liberal da velha estirpe e muito menos um perrepista juramentado. Portanto essa minha discordância quanto ao nome de registro (o de batismo foi outro)
27.11.24
O menino perambulava pela Rua da Areia, escutando o vento rodopiando pelas silenciosas artérias urbanas da cidade baixa, a cidade com...
Santa Rosa
O menino perambulava pela Rua da Areia, escutando o vento rodopiando pelas silenciosas artérias urbanas da cidade baixa, a cidade como um aglomerado de casas que começava no Rio Sanhauá para se perder logo depois da Lagoa, para as bandas de Tambiá, com uma fila de residência em direção à Rua das Trincheiras e arredores, que parecia mais um sítio. Tomás Santa Rosa carregava na pele os resquícios dos ancestrais africanos e os vivia sem a aparência dos lordes que frequentavam as melhores escolas.
27.11.24
Abrir um sorriso para morrer é contraditório a quê? A quem? Nascemos chorando. Ninguém estará mais à espera de um parto, talvez de um...
A quimera dos anjos
Abrir um sorriso para morrer é contraditório a quê? A quem? Nascemos chorando. Ninguém estará mais à espera de um parto, talvez de um partir e, provavelmente, a espera maior será a minha. Ninguém passa pela vida sem desejar a morte. Ninguém chega à morte sem querer a vida – por mais que tenha dor. O sofrimento é a purgação de toda alegria. A espera dói e opera. Faz uma ópera desconcertada. O renascimento ocorre no agora. Uma descrente me fez crer melhor.
26.11.24
Talvez a pergunta que se deva fazer seja: como pode alguém se tornar um dos maiores poetas de todos os tempos com apenas 18 anos (sua o...
Breves anotações sobre desregramento, anarquia e loucura em Rimbaud
Talvez a pergunta que se deva fazer seja: como pode alguém se tornar um dos maiores poetas de todos os tempos com apenas 18 anos (sua obra prima Une Saison en Enfer foi lançada em 1873), consignar uma intensa militância poética por cinco anos em Paris, e, depois, abandonar tudo para se tornar, inclusive, traficante de armas na África, sobreviver a amputação de uma perna, para, enfim, sucumbir vítima de um câncer?
26.11.24
Neste conto, Mercedes Cavalcanti enfatiza com perícia a força redentora da paixão. ( Antonio Carlos Secchin ) Sua infância trans...
Paixão
Neste conto, Mercedes Cavalcanti enfatiza com perícia a força redentora da paixão.
(Antonio Carlos Secchin)
Sua infância transcorrera sossegada. Contudo, justamente à época em que começava a experimentar as intensas transformações no corpo e na alma, perdera o pai.
26.11.24
O diálogo com a tradição poética, como se sabe, não é novidade entre os autores modernos brasileiros. Muitos deles buscaram no...
O medievalismo em Guilherme de Almeida
O diálogo com a tradição poética, como se sabe, não é novidade entre os autores modernos brasileiros. Muitos deles buscaram no cultivo de moldes e temas medievais uma forma de dialogar com o passado. Além de cultivar o verso livre e os versos brancos, ligaram-se à tradição medieval através da poesia popular – a exemplo de Mário de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Ou praticaram, seja a forma fixa dos romances, com o metro heptassilábico e o esquema invariável de rimas pares e assonantes, seja os temas, metros e procedimentos estruturais típicos das cantigas trovadorescas – conforme atestam as obras de Onestaldo de Pennafort, Manuel Bandeira e Guilherme de Almeida.
25.11.24
Já que a vida é uma condição de energia que busca energia, não deveremos sentir dor antes de tudo iniciar nem depois que ela passar...
Condição ainda humana
Já que a vida é uma condição de energia que busca energia, não deveremos sentir dor antes de tudo iniciar nem depois que ela passar.
Todas as adversidades, problemas e obstáculos que encontramos nos caminhos árduos de nossa estrada nos fortalecem. Um pontapé nos dentes pode ser a melhor
25.11.24
A psicopatia, o ódio e o poder constituem três conceitos que, quando inter-relacionados, geram uma preocupação vital para compreende...
Psicopatia, ódio e poder
A psicopatia, o ódio e o poder constituem três conceitos que, quando inter-relacionados, geram uma preocupação vital para compreender algumas das brutalidades das relações humanas, tanto no nível individual quanto no coletivo. Cada um deles representa forças que moldam comportamentos, estruturam sistemas sociais e causam consequências que vão desde o domínio político até tragédias pessoais e históricas.
25.11.24
Terra, para universo Terra, para universo Na escuta? Universo, para terra Universo, para terra Câmbio! Universo, estou mais uma vez ...
Câmbio! Na escuta?
Terra, para universo
Terra, para universo
Na escuta?
Universo, para terra
Universo, para terra
Câmbio!
Universo, estou mais uma vez aqui te pedindo para conspirar a meu favor.
Tu que estás na terra, mais uma vez, te respondo: sai da inércia, para que eu possa conspirar a teu favor.
Se não tiveres a vontade pulsando em ti, nada poderei fazer.
25.11.24
Tem sido assim desde que ela começou sua vitoriosa carreira de cronista e escritora. Escrevendo para as mulheres e educando os homen...
Ana Adelaide: escrevendo para as mulheres e educando os homens
Tem sido assim desde que ela começou sua vitoriosa carreira de cronista e escritora. Escrevendo para as mulheres e educando os homens. Um compromisso que não poderia ser diferente, pois sua própria vida, independentemente da escrita, sempre marchou nessa direção: a afirmação e a valorização das prerrogativas femininas, a resistência e a boa rebeldia contra preconceitos arcaicos de província, e o saudável vanguardismo anunciador do que viria e teria de ser. Nela e em mais algumas poucas entre nós, 1968 e o que veio depois deixaram sementes férteis que não se perderam ao léu. Pelo contrário.
24.11.24
“Corro atrás dos sopros do zéfiro para me distrair. Mas o meu coração só aspira ao rosto Daquele que deu o Seu perfume aos ventos.”...
Al-Ariyah
“Corro atrás dos sopros do zéfiro para me distrair. Mas o meu coração só aspira ao rosto Daquele que deu o Seu perfume aos ventos.”
Provérbio
sufi
Segundo a mitologia grega, Zeus, deus dos céus e pai dos deuses, terá concedido a superintendência dos ventos a Éolo, que vivia na ilha flutuante de Eólia, com Aurora, sua mulher, e os seus seis filhos e seis filhas, casados entre si. Quando Odisseu saiu da ilha, foi-lhe dado um
odre
24.11.24
Título: O OLHAR DE HORNÉLIA Autor Claudia Sampaio
Dica de leitura: O olhar de Hornélia
24.11.24
Leio em Glauco Morais, em sua coluna da última terça-feira: “A Paraíba vive historicamente seu melhor momento econômico, tendo as ...
O tapume do Hotel Tambaú
Leio em Glauco Morais, em sua
coluna da última terça-feira:
“A Paraíba vive historicamente seu melhor momento econômico, tendo as indústrias do turismo e da construção civil como molas propulsoras do verificado desenvolvimento. Esses dois segmentos se entrelaçam numa conjunção de fatores que os permitem traçar diversos cenários futuros. (...) Outros segmentos, como os de alimentos e bebidas, entretenimento, lazer, também se irmanam com a construção civil, numa simbiose permanente de geração de empregos,
24.11.24
Durante muitos anos participei de um grupo de leitura no Jardim Botânico, cujo objetivo inicial foi o de lermos obras de compreensão ma...
Como começou minha paixão pela leitura
Durante muitos anos participei de um grupo de leitura no Jardim Botânico, cujo objetivo inicial foi o de lermos obras de compreensão mais complexa como O som e a fúria de Faulkner, Ulisses de Joyce, A metamorfose de Kafka. Depois passamos aos clássicos: Dom Quixote, Fausto, Moby Dick, Madame Bovary, O retrato de Dorian Gray, Mrs. Dalloway, A montanha mágica, entre outros. Nós nos reuníamos uma vez por semana na casa do coordenador do grupo para a troca de leitura e as observações de cada um. O ritmo da leitura era irregular, uns liam mais rápido tínhamos que prestar atenção para não dar spoiler,
23.11.24
1 Fazer ouvidos de mercador Castro Lopes explicou essa expressão como corruptela de “fazer ouvidos de mau credor”, sem explicar como...
Curiosidades linguísticas
1
Fazer ouvidos de mercador
Castro Lopes explicou essa expressão como corruptela de “fazer ouvidos de mau credor”, sem explicar como se deu a confusão entre “mau credor” e “mercador”, ou como se processaram as alterações fônicas (Cf. LOPES, Castro.
Origens de anexins, prolóquios, locuções populares, siglas, etc. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1909, p.159 e ss.) João Ribeiro (apud NASCENTES, Antenor.
Tesouro da Fraseologia Brasileira. 3.e. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, s.v.
Ouvido)
23.11.24
Faz tempo que estou para escrever sobre Solha … Vira e mexe, e não chega a hora. Talvez porque já se escreveu tanto sobre ele, que não ...
Longo poema de uma vida bem vivida
Faz tempo que estou para escrever sobre
Solha… Vira e mexe, e não chega a hora. Talvez porque já se escreveu tanto sobre ele, que não há mais o que dizer. E vem o receio de ser repetitivo, de falar algo que possa soar clichê, de não expressar novidade alguma. Mas que culpa teria, ou terei se há quase unanimidade sobre o que ele provoca no leitor?
23.11.24
A pergunta retórica se restringe a si mesma. Quem a formula já tem consigo a resposta à pergunta formulada. Se é a resposta cert...
'Por um abortamento de mecânica'
A pergunta retórica se restringe a si mesma. Quem a formula já tem consigo a resposta à pergunta formulada. Se é a resposta certa ou errada, aos ouvidos do público a quem ela foi dirigida é outra questão a ser discutida, que não cabe nos limites da pergunta retórica, por ser ela simplesmente um recurso fático em via única. Ela inquire com a intenção de desafiar, de provocar, de aguçar a curiosidade, quem sabe até de procurar despertar o auditório do torpor.
22.11.24
No café da manhã da padaria Bonfim muitos comensais reclamavam de suas insônias. No meu caso, expliquei, dava-se exatamente o contrár...
Insônia
No café da manhã da padaria Bonfim muitos comensais reclamavam de suas insônias. No meu caso, expliquei, dava-se exatamente o contrário porque depois das atividades físicas da madrugada durmo uma hora antes de ir para a academia e a natação. Depois do almoço, durmo três horas e, à noite, mais seis horas. Ou seja, durmo dez horas a cada dia. O índio do gelo (aquela figura que o professor Dorgival Terceiro Neto
22.11.24
Mestre Manuel Marcela, tipo longilíneo, um pouco curvado pelo passar dos anos, cor pardacenta, sorriso largo e envolvente, cativava...
Todo pires é raso
Mestre Manuel Marcela, tipo longilíneo, um pouco curvado pelo passar dos anos, cor pardacenta, sorriso largo e envolvente, cativava à primeira vista. Boa prosa, era o centro das atenções onde quer que estivesse; a falta de instrução curricular – nunca alisou banco de escola – era compensada pela inteligência acima do normal, memória aguçada e, sobretudo, pela presença de espírito.
22.11.24
Digamos que a vida é um ponto de vista. É um jeito de vê-la e tê-la. Pode ser gloriosa, ou inglória, a depender de quem você sej...
De guerras e jardins
Digamos que a vida é um ponto de vista. É um jeito de vê-la e tê-la. Pode ser gloriosa, ou inglória, a depender de quem você seja, ou onde e como esteja. Entendamos uma coisa. Aquele passarinho fofo, colorido,
21.11.24
POEMAS DO LIVRO “SONETOS EM CRISE” (Editora Mondrongo – 2019) O QUE NÃO CABE A forma contida - este imbroglio, amarras de ...
O Estalo da Palavra (XXI)
POEMAS DO LIVRO “SONETOS EM CRISE”
(Editora Mondrongo – 2019)
O QUE NÃO CABE
A forma contida - este imbroglio,
amarras de cizal ao vento,
feixo de palavras, regalo,
falso cabedal de um momento
do poeta diante do espelho,
de um olhar vaidoso, soberbo,
lidando com a morte dos tolos
no penduricalho do verbo,
não basta ao real esquecimento
retinto por outros no tempo
como transitório alento.
21.11.24
⏤ Lá vem ela, a negrinha enxerida, metida a besta. ⏤ Não sei quem ela pensa que é. ⏤ Vai embora procurar tua turma, esta escola ...
A cor da pele
⏤ Lá vem ela, a negrinha enxerida, metida a besta.
⏤ Não sei quem ela pensa que é.
⏤ Vai embora procurar tua turma, esta escola não é pra você.
⏤ Cabelo de arame.
21.11.24
Na manhã que desponta com o sol a brilhar, a feira livre se ergue como um quadro vibrante, repleto de cores e sons que dançam no ar.
Cores e sons que dançam no ar
Na manhã que desponta com o sol a brilhar, a feira livre se ergue como um quadro vibrante, repleto de cores e sons que dançam no ar.
20.11.24
Ironia eu ir assistir ao mais novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, O quarto ao lado, por esses tempos. Falo do impacto qu...
Almodóvar & O quarto ao lado
Ironia eu ir assistir ao mais novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, O quarto ao lado, por esses tempos. Falo do impacto que a morte assistida do filósofo-poeta Antônio Cícero me causou, recentemente, (pois o filme tem esse como tema central). Além da vitória do horror do Trump nos Estados Unidos, pois o filme também fala dos tempos sombrios do neoliberalismo. Tudo passeou pelos meus pensamentos, enquanto assistia a esse belo filme.
20.11.24
João Pessoa era uma cidade calma. Sempre teve muitos carros, mas o trânsito era relativamente tranquilo. Os engarrafamentos o...
''Chego já'', em João Pessoa, não existe mais!
João Pessoa era uma cidade calma. Sempre teve muitos carros, mas o trânsito era relativamente tranquilo. Os engarrafamentos ocorriam em alguns trechos próximos à BR, nos acessos aos bairros mais distantes e às praias de Cabedelo, durante o verão. Trânsito parado só em dias de festas no final de ano, show na orla ou algum acidente. Aqui, os congestionamentos viraram rotina e acontecem a qualquer hora do dia e parte da noite.
20.11.24
Poeira também é poesia Poeira de estrelas Tão poético, e a Vassoura vai varrendo Indiferente, e atando Todo o lixo da casa. ...
Ária para uma lesma
Poeira também é poesia
Poeira de estrelas
Tão poético, e a
Vassoura vai varrendo
Indiferente, e atando
Todo o lixo da casa.
Na beira da mesa a lesma
A mesma esconde a eira
Areia de praia que ensaia
Soltar as raias por essa casa
Me arrasa, tua cauda rasa
A minha asa tão só, cantando...
19.11.24
Ideto, um japonesinho muito esperto, foi meu parceiro nos tempos de escola primária. Já andei contando por aqui algumas coisas dele. D...
Ideto, Dona Zuleica e as minhocas
Ideto, um japonesinho muito esperto, foi meu parceiro nos tempos de escola primária. Já andei contando por aqui algumas coisas dele. Dele e de Dona Zuleika, uma cigana sessentona, que vivia na granja de Ideto como agregada. Esse meu camarada, de quem não soube mais, nem se vivo ainda está, vai se fazer presente nas linhas seguintes.
19.11.24
Quando Solha anuncia a gestação de um novo livro – nos últimos anos ele tem optado por escrever poesia, poesia de alto nível –, aument...
O Poema nosso de cada dia
Quando Solha anuncia a gestação de um novo livro – nos últimos anos ele tem optado por escrever poesia, poesia de alto nível –, aumenta a expectativa na espera de sua publicação.
19.11.24
Camões diz num soneto que o mundo é feito de mudanças. Isso contraria o Eclesiastes, para o qual não há nada de novo sob o sol. O m...
Repensando os provérbios
Camões diz num soneto que o mundo é feito de mudanças. Isso contraria o Eclesiastes, para o qual não há nada de novo sob o sol. O mais prudente é chegar a um equilíbrio e reconhecer que as coisas mudam para permanecer iguais. Ou se tornam iguais a cada vez que mudam.
18.11.24
Morre lentamente quem não respeita seus sonhos latentes, coloridos e esfuziantes de intensa emoção, que podem ser frequentes. Quem n...
O Som e a Sílaba
Morre lentamente quem não respeita seus sonhos latentes, coloridos e esfuziantes de intensa emoção, que podem ser frequentes. Quem não vira a mesa nem desiste da mesma vidinha insossa de ontem não vive a oportunidade de estar em outro lugar. Fica plantado por sua exclusiva decisão. Perde a chance de colher um fruto doce e glorioso, de comer uma bela refeição servida a quatro mãos, de gente que o ama.
18.11.24
A violência é um fenômeno que é analisado sob conceitos individuais, sociais, culturais e biológicos. Ela é frequentemente entendida c...
Violência e autodestruição
A violência é um fenômeno que é analisado sob conceitos individuais, sociais, culturais e biológicos. Ela é frequentemente entendida como uma agressão física ou verbal direcionada a uma pessoa, a si mesmo ou ao ambiente, e se manifesta de forma estrutural ou simbólica. A estrutural está nos sistemas que perpetuam desigualdades e exclusões.
18.11.24
A brisa fria do outono sopra folhas sobre o jardim. Olho em torno e tudo hoje me parece um pouco despedaçado. Busco algum conforto ...
O que derrota e vitória dizem sobre mim?
A brisa fria do outono sopra folhas sobre o jardim. Olho em torno e tudo hoje me parece um pouco despedaçado. Busco algum conforto em um poema de W. H. Auden – As I Walked Out One Evening – sobre o momento em que a verdade faz desmoronar as ilusões. O instante em que nosso verdadeiro eu, despojado de máscaras, se revela. Recorro a esse poema enquanto penso sobre a euforia desmedida da vitória e o desespero sombrio da derrota.
18.11.24
Foi-se há poucos dias, aos 78 anos, Carlos Aranha, jornalista, escritor, compositor e agitador cultural, entre outras atividades e o...
Carlos Aranha, vanguardista, plural e sozinho
Foi-se há poucos dias, aos 78 anos, Carlos Aranha, jornalista, escritor, compositor e agitador cultural, entre outras atividades e outros talentos. Antes de tudo, um inquieto, sempre em movimento, sempre fazendo “artes”, no bom sentido, como se dizia antigamente das crianças peraltas. E no caso de Aranha a palavra “artes” tem tudo a ver, pois ele foi essencialmente um artista, uma ampla vocação de artista, plenamente realizada ou não, não importa.
17.11.24
Nunca vi uma pessoa para gostar tanto de café quanto eu. E isso, desde criança. Quando voltávamos do curral, depois de tomar o leite...
Café
Nunca vi uma pessoa para gostar tanto de café quanto eu. E isso, desde criança.
Quando voltávamos do curral, depois de tomar o leite no "pé da vaca", me deitava esperando a casa acordar e o movimento da cozinha começar, não por sentir fome, mas pela hora da liberdade. Depois do café, podíamos sair para brincar. Era a hora de mergulhar num mundo mágico, só visto
17.11.24
A energia de Carlos Aranha contagiou todos na noite em que lançou na Academia seu livro, “Nós / an insight” (poesia). Contagiou pri...
Aranha e a Academia
A energia de
Carlos Aranha contagiou todos na noite em que lançou na Academia seu livro, “Nós / an insight” (poesia). Contagiou principalmente a casa, que viu gente nova, de outras cogitações e auditórios, ocupando as cadeiras e reclamando a falta de espaços. Contagiou a crítica do acadêmico Hildeberto Barbosa, que foi da análise literária ao fervor poético.
17.11.24
Os primeiros hominídeos surgiram na Terra entre três e um milhão de anos atrás, mas o espécime do que se convencionou chamar de h...
A poesia como a primeira manifestação de fala do humano
Os primeiros hominídeos surgiram na Terra entre três e um milhão de anos atrás, mas o espécime do que se convencionou chamar de homem moderno data de 200 a 400 mil anos atrás, com os
Neanderthalis (extintos há 30 mil anos) e outras espécies.
16.11.24
Numa chuva como esta é comum que alguém se sinta um pouquinho entristecido. Pois costuma se dizer que do frio possa vir o que cha...
Um aceno de euforia
Numa chuva como esta
é comum que alguém se sinta
um pouquinho entristecido.
Pois costuma se dizer
que do frio possa vir
o que chamam depressão.
Em verdade, convenhamos,
há uma certa nostalgia
neste céu que lacrimeja,
a tudo umedece
e aos poetas enternece.