Em sua coluna da última terça-feira Glauco Morais pede a compreensão do pessoense para as mudanças que o “salto de desenvolvimento” v...

O salto de desenvolvimento

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Em sua coluna da última terça-feira Glauco Morais pede a compreensão do pessoense para as mudanças que o “salto de desenvolvimento” vem impondo, nos últimos vinte anos, sobre a paisagem física e o nosso comportamento.

E sendo moço e de boa saúde escreve com justificável otimismo:

“É preciso se acostumar com a nova João Pessoa, suas exigências e necessidades. (....) A cidade que antes surpreendia quem chegava, agora surpreende também quem vive nela, e esse é apenas o começo.”
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Consultor imobiliário, advogado, e diretor do Creci-PB, Glauco Morais Creci-PB
Há 47 anos, escrevendo no jornal O Norte, eu me envaidecia de confessar:

“O que me dá nervura e espírito pessoenses é o ar de família, esse jeito de intimidade doméstica, de rostos familiares, tão domésticos e familiares que um band-aid no rosto suscita indagações.”

Era assim e pensávamos que fosse para a vida toda.

Quem vinha de fora como Alceu Amoroso Lima não via diferente. Moacyr Werneck de Castro, feito no Rio, na Europa, no mundo que já havia chegado onde para nós começa a chegar hoje, massageava meu ego: “Deixamos com saudade João Pessoa, que o cronista Gonzaga Rodrigues me ajudou a entender melhor”. Supúnhamos que o bucolismo paisagístico, o ar da nossa gente haveria de se contrapor ao futuro irrespirável das matrizes do Sudeste. Celso Furtado, menino da avenida General Osório, vez em quando era flagrado de mãos para trás, numa folga de sua andança universal, a respirar o incenso ainda remanescente, se não nas nossas igrejas, nas narinas dos antigos meninos.

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Rua General Osório (antiga Rua Nova) em João Pessoa PB
Centro-Histórico-de-João-Pessoa
Sonhávamos que fosse a preservação do natural, homem e natureza respeitados pelo progresso, que consolidasse João Pessoa como destino. Não foi por outra que o pessoense conseguiu tutela constitucional para um gabarito de construção ditado pela beleza de nossa orla. E não só pela ambição do lucro.

Não tínhamos hospedagem para o turismo. Terminava o governo de Agripino e já no fim, na entrega ao sucessor, pude abrir manchete no jornal O Norte: “PODE VIR QUE TEM HOTEL”. O tom da manchete diz tudo. O mandão dos Diários Associados, João Calmon, sai eufórico da festa de inauguração para felicitar o diretor do jornal pela felicidade do apelo. Seis anos antes havia me posto pra fora por ter sobrado na publicação de uma fala de
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João Pessoa (PB)
Hugo Fabrício | Cristian Lourenço
Chateaubriand no Senado. Aperta-me a mão, reconhece-me e, sem muito jeito lembra “as voltas que o mundo dá.” E como dá!

Mas não basta concordar que a cidade mudou e que precisamos nos acostumar, sugere o colunista vitorioso. Por que vitorioso? Porque há 40 anos, no quarto centenário de João Pessoa, não conseguimos uma vinheta mínima na televisão nacional alusiva à data. E o que conseguimos de melhor ou mais durável foi a reunião em livro (“Capítulos de História da Paraíba”) dos ensaios comemorativos publicados por O NORTE do editor Evandro Nóbrega, cabendo a coordenação ao historiador e acadêmico José Octávio de Arruda Mello, além de uma inscrição invisível alusiva à data posta na parte baixa da avenida Getúlio Vargas.

Mas já começava a se investir com os olhos no turismo, a partir do Hotel Tambaú, joia da arquitetura especializada brasileira. Ainda não era “o salto de desenvolvimento” festejado pela construção civil, num momento em que se procura compensar a mudança de paisagem e de comportamento com um surto de proporções inéditas de preservação e revalorização do monumental histórico e cultural mais simbólico e representativo, resultado dos R$ 138 milhões investidos pelo Governo do Estado na recuperação dos nossos valores históricos, artísticos e culturais.

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Rua General Osório (antiga Rua Nova) em João Pessoa PB IBGE
A repercussão é visível para quem vai, hoje, à Igreja de São Francisco, ao Palácio da Redenção, à sede do antigo Tesouro e Assembleia, num esforço em que não só entram o histórico e o sagrado como prédios estaduais abandonados, a exemplo da sede do Paraiban na Epitácio.

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