A primeira vez que o vi, estava ele majestosamente enfurnado em um “pufe” na sala dos professores de um colégio onde eu fora ensinar em Campinas, interior de São Paulo. Todo cheio de pose, voz grave e, mesmo esparramado como estava, pude perceber que não era lá um sujeito grandão, o que confirmei quando soou o sinal para nos dirigirmos à nossa faina diária, de disposição no peito e giz na mão. Isso foi lá no ano 2000. Já em 2001 fui convidado a ser um dos coordenadores daquela escola, e aí nossa relação se tornou muito próxima.
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Professor de História, dos bons, como poucos vi. Por dois anos dividimos o tablado lá em Campinas. Conosco, gente de qualidade ímpar. Que tempo! Conversa alegre, inteligente e vivaz na sala dos professores. E os encontros nos fins de semana? Que o diga Júlio Sartori. E aqui abro parênteses para que tenham ideia de como era a relação entre nós: Júlio chega no intervalo e vê que estávamos recolhendo “donativos”. Pergunta: “Pra quê essa grana?”. Alguém responde: “Para o churrasco de sábado”. E Júlio: “Não vou ser convidado?”. Aquele mesmo alguém: “Não precisa, porque vai ser na sua casa!”. Era assim. Éramos felizes e sabíamos disso.
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Montamos um projeto, na verdade um sarau com o tema DE GETÚLIO ÀS DIRETAS JÁ. Mostrei a um outro coordenador, o Robinho, que topou na hora a parada. Nem precisamos pensar para quem iríamos entregar essa demanda. Só podia ser o Wagner. E foi.
Wagner é uma alma multifacetada: professor, poeta, ator, compositor e mais outras coisas que não convém lembrarmos. Tomou para si o projeto. Convocamos os e as docentes; uns eram bons de gogó e capazes de sustentar uma cantoria, outros tocavam algum instrumento. Mas como conseguimos reunir aquela plêiade? O alicerce foi o ambiente de camaradagem incomum e impensável que existia entre nós.
Então, numa noite, o auditório da escola se fez lotado: alunos, convidados, pais (alguns eram docentes da Unicamp). E foi quando tudo aconteceu. Wagner incorporou Procópio Ferreira por mais de duas horas, prendendo a atenção da plateia, que ria quando o
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Só que, em dezembro passado, meu amigo resolveu dar um rolê no México, teve uns piripacos no coração e, numa cirurgia de média complexidade, mas mal conduzida, sofreu um AVC. Acidente, fruto da imperícia médica. E fazer o quê nessa situação? Que luta trazê-lo de volta. Então essa turma que contei há pouco, mais um montão de gente, fizeram-se presentes. Uniram-se e trouxeram nosso Macunaíma numa UTI aérea. Hoje está em casa, aos cuidados de Silvana, a mulher de sua vida.
Do acidente ocorrido em dezembro, soube-o apenas dias atrás. A primeira coisa que fiz foi contatar a outra Silvana, a Romani, que me deu pé da situação. O processo de recuperação vai exigir resiliência desse meu amigo, mas a luta dele será a nossa luta; vamos estar juntos dele. Como não estar?








