É impressionante pensar que alguém, há quase dois mil anos, diante da morte de quem amava, escolheu não escrever apenas sobre a tristeza. Escolheu lembrar que a vida breve merece ser vivida enquanto ainda há tempo. Com um gesto profundamente humano, deixou palavras para depois da partida de sua amada, através das letras de uma música.
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"Enquanto viveres, brilha.
De todo não te aflijas,
Pois curta é a vida
E o tempo cobra seu tributo."
Para ele, viver, era justamente isso, deixar alguma música pelo caminho, não necessariamente que seja lembrada por todos, mas uma que permaneça em alguém, e não porque a vida seja longa mas justamente porque não é. Quando uma mensagem atravessa milhares de anos e chega exatamente no momento em que precisamos ouvi-la, podemos chamar isso de sincronicidade.GD'Art
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Porque quando alguém morre, não desaparece somente uma pessoa, desaparece o mundo que existia entre nós e ela, mas, ainda assim, alguma coisa permanece, aquilo que fomos quando fomos amados,
Epitáfio de Sícilo, monumento funerário do século I d.C., encontrado em Esmirna, na atual Turquia. Gravada no mármore, a inscrição reúne um poema e a notação musical da melodia. A peça pertence ao acervo do Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague. ▪ Foto: G. Artem
O que se perde quando alguém morre é aquilo que éramos para essa pessoa. Essa é a parte mais silenciosa da morte, pois quando alguém parte, não perdemos apenas sua voz, seu abraço, seus gestos, suas histórias. Perdemos também uma versão de nós mesmos, aquela versão que existia somente porque alguém nos olhava de determinada maneira. Éramos filho, mãe, amigo, companheiro, confidente, porto seguro, talvez até o motivo de um sorriso, e essa pessoa leva consigo uma parte.
Algumas ausências parecem maiores do que o próprio espaço que ocupavam, e quando o tempo vier cobrar seu tributo, que encontre em nós alguma coisa que valha a pena permanecer, principalmente aquela que mais lhe acompanhou nos passos dificies de contar.











