Um bom presente que nosso jornal A União ofereceu à cidade e aos seus leitores, às vésperas do 5 de agosto, foi, sem dúvida, o regist...

Como demorou

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Um bom presente que nosso jornal A União ofereceu à cidade e aos seus leitores, às vésperas do 5 de agosto, foi, sem dúvida, o registro consolidado pelo artigo de João Bosco Ferraz de Oliveira, colunista da página de Economia da antevéspera, “João Pessoa 441 em outro patamar”. Carimba com ênfase:

“... não é um bom momento passageiro. Os números do Novo Caged confirmam o que as ruas já sinalizavam. No acumulado
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J. Bosco Ferraz
recente, a capital respondeu por cerca de 86% dos empregos formais gerados na Paraíba. Desde dezembro de 2020, o estoque de vínculos formais na cidade cresceu 38,96%, o melhor desempenho entre as capitais nordestinas e o quarto do Brasil. Nos últimos 12 meses, a alta de 6,5% coloca a cidade em segundo lugar entre as 27 capitais. Não é acaso. É consequência de escolhas: infraestrutura urbana, desburocratização e política consistente de atração de investimentos”.

A citação é longa e deve ser posta na conta de quem passou, como eu, quase setenta anos transferindo para a nova política de desenvolvimento, concebida com a Sudene de Celso Furtado, a forte fé de juventude no socialismo, dito potente porque era exato no manual de vulgarização do marxismo.

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Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares ▪️ Instagram: @economiaunicamp
Mas como demorou! Decorridos quarenta anos de atuação da Sudene, escanteada e desprestigiada desde 1964, já em 1998, em entrevista a Maria da Conceição Tavares, Manuel Correia de Andrade e Raimundo Rodrigues Pereira, Furtado não esconde o desânimo. A região cresceu, “mas a riqueza está se financeirizando. Não está mais baseada na produção”. E estranhava as altas taxas de miséria e fome, ainda a lembrar o quadro e o combate pertinaz de Josué de Castro. Motivara a entrevista o flagelo da seca naquele ano, deixada à margem, o que espanta por ter ocorrido no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Desde uns vinte anos atrás, a cidade já dava sinais de comprometer sua mobilidade urbana, com a infraestrutura montada a partir dos anos 1970 abrindo caminho para o patamar atingido de forma surpreendente e sustentável nestes anos mais recentes.

Esse reconhecimento externo contrasta significativamente com o quadro de pobreza da máquina administrativa de 1985, quando
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Avenida Epitácio Pessoa (J. Pessoa-PB) ▪️ Facebook: @fotosdejoaopessoa
a cidade comemorou seus 400 anos sem recursos para uma louvação mínima de 30 segundos numa das redes nacionais de TV.

Na entrevista, Celso prevê esse crescimento das capitais e deplora a lentidão no interior, onde o acesso à estrada parece mais a serviço do êxodo do que de facilitar o acesso ao desenvolvimento local. Minha Alagoa Nova cresceu três vezes em habitantes, a escorrer ladeira abaixo, como se o morador trouxesse o barraco rural.

E, por acentuar, lá em cima, “o que as ruas já sinalizavam”, o articulista remete-me à janela do 10º andar aqui dos Expedicionários, aonde, nos intervalos frequentes do sono, chego para divisar, entre as sombras da madrugada, os pequeninos focos de luz a deslizarem pela estrada de contorno que demarca, a meu ver, o começo de tudo. Foi o passaporte para estes novos tempos, traçado pelo engenheiro Alberto Dahia e aberto por João Agripino. Depois dele, todo governo teve de avançar em quilômetros, seja com Serafim Martinez, José Carlos de Freitas ou Carlos Pereira de Carvalho e Silva. Um fio de luz que me faz retornar aos sacrificados e benditos anos de vida e me faz sentir feliz com meu Estado, meu lugar e a minha longa ocupação, ainda em pauta.
  Publicado hoje, 09/08/26, no jornal A União

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