Dizem que o tempo é um juiz implacável. Ele curva espinhas, desbota cabelos, vinca a pele e rouba o brilho dos olhos de quem carregou o peso das boas intenções pela vida inteira. O homem honesto, ao envelhecer, carrega na testa as linhas de cada batalha travada, de cada insônia causada pela ética, de cada concessão que se recusou a fazer. Mas a política brasileira insiste em desafiar a biologia: aqui, os canalhas simplesmente não envelhecem.
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O segredo da juventude eterna do canalha político não está nos cremes caros ou nos spas de Brasília. Está na desconexão completa entre suas ações e sua alma. A rematada cara de pau funciona como o melhor filtro solar contra o desgaste do tempo. Enquanto o cidadão comum envelhece dez anos a cada crise econômica, infartando com a fatura do supermercado e a taxa de juros, o canalha se alimenta do caos.
Para ele, a indignação pública não passa de uma brisa leve que mal despenteia seu topete cuidadosamente fixado com laquê.
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Na comédia humana do poder brasiliense, a honestidade é um fator de risco cardíaco. O sujeito que entra na vida pública para "mudar o país" sai dela em quatro anos, de cabelos brancos, gástrico e desiludido. Já o canalha de estimação — aquele que domina a arte do orçamento secreto, do tapinha nas costas e do fisiologismo sutil — atravessa décadas incólume. Ele é o mesmo nos jornais dos anos 80 e nas redes sociais de hoje, apenas trocando o discurso em fita cassete pelo vídeo curto de tom messiânico.
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Não sabe ele que irá queimar cem anos no mármore do inferno!








