Não são muitas, são 15, no máximo, as palavras da língua portuguesa iniciadas com o dígrafo “lh”. Vamos lá: lhe, pronome pessoal oblíquo átono e as contrações das quais resultam lha, lhas e lho, lhos. Depois, temos esquisitices como lharamba, dança popular bem antiga, e lheguelhé, algo ou alguém reles, insignificante. Também, lheismo, embora, originalmente, isso diga respeito a leismo, fenômeno linguístico do espanhol, ao que eu me informo.
GD'Art
Preciso contar que meus 81 anos e os achaques deles decorrentes impediram-me de estar com nosso Gil por ocasião do lançamento do seu delicioso “A mosca na parede e outros textos”,
GD'Art
Não sei se fez isso, pessoalmente, porque somente dei conta do brinde valioso, ao retornar do trabalho, por volta das 14 horas. Se me veio em pessoa, terá agudizado meu lamento por não ter ido à festa do autógrafo na Academia Paraibana de Letras e, logo em seguida, pela falta da recepção doméstica, no momento em que eu, afastado de casa, tratava de questões profissionais.
Que pena! Visitas como a de Gil (se foi o caso, o porteiro não soube dizer), a gente não deixa ir embora sem uma orgulhosa apresentação à família. Visita assim requer, quando menos, uma boa conversa e um café quentinho com biscoitos.
Dono de pena refinada, Francisco Gil Messias tem-se movimentado, sem afetação nenhuma, entre o texto com peso acadêmico e a literatura de fruição, a da prosa que narra histórias simples do cotidiano.
Francisco Gil Messias, escritor e bacharel em Direito, autor do recém-lançado A mosca na parede e outros textos (Ideia Editora, João Pessoa) ▪ Foto: ALCR
Vamos, outra vez, ao professor Milton: “Quem já leu Francisco Gil Messias não deve ter tido surpresa ao ouvir Francisco Gil Messias. E vice-versa. A expressão do falante não se distancia da expressão do escritor, a não ser por certo apuro estilístico, mas sem exagero. Obviamente, há os cuidados naturais que a escrita exige, longe, porém, de qualquer artificialismo. Gil Messias tem um diapasão afinado entre a sua fala e a sua escrita”.
Gil, de fato, é uma das penas mais talentosas das nossas letras. Ele tem unidade de estilo, tem coerência existencial e estética, fenômeno em que não se anulam vida, obra, ações e gestos. O moço parece viver a literatura que escreve. Ponho-me, por conseguinte, entre os que percebem que seus textos são, mesmo, o espelho fiel à sua visão do mundo.
Essa história percorreu o mundo graças, ainda, a outros veículos de imprensa. Alain Delon, àquela época, parecia um deus quarentão em terra firme. Mas foi largado, humilhantemente, pela jovem modelo carioca Fernanda Bruni, a brasileira em questão. Ambos se conheceram na Boate Régine’s, sob os auspícios do empresário Paulo Marinho, em cuja casa todos terminariam a noitada. Todos não, pois a francesa Mireille Darc, com quem Delon manteve um dos seus mais longos e célebres relacionamentos e por quem era acompanhado na viagem ao Rio, abandonou a boate, enfastiada, retornando ao hotel. Chifre é fogo, minhas e meus camaradas.
GD'Art
Gil Messias reconta, saborosamente, essa história. Juntamente com ela, compõe um belíssimo e imperdível volume contendo 81 crônicas, artigos e ensaios desenvolvidos ao longo de 456 páginas. Não dá para perdê-las, acreditem.










