... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza... Edison Borba , Apre...

Livros artísticos

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... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza... Edison Borba, Apresentação dos 40 anos da publicação do livro Flicts
Há livros que nos cativam pela beleza do texto, outros pela ilustração; existem aqueles que se caracterizam pela ousadia do projeto gráfico; quando escritores e artistas plásticos conseguem reunir esses três elementos, o leitor se sente recompensado. Ler livros bons e bonitos ainda é um dos maiores prazeres para os amantes da literatura.

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Ilustrações de capas de livros de Ziraldo
Guardo na minha estante, reservada aos livros infantojuvenis, cinco relíquias a que estou sempre retornando e fazendo uma releitura. São eles: Flicts, texto e ilustração de Ziraldo, edição comemorativa dos 40 anos de publicação; Um gato chamado gatinho, de Ferreira Gullar, ilustrações de Ângela Lago; Um livro de horas, poemas de Emily Dickinson, traduzidos e ilustrados por Ângela Lago; e Tempo de voo, texto de Bartolomeu Campos de Queirós, ilustrações de Alfonso Ruano.

Será que esses livros foram realmente escritos para crianças? O bom livro não tem idade, já apregoava Antonio Candido. Se o livro é bom, serve para todas as idades. Quem não se sente atraído pela beleza plástica de um livro? Somente os insensíveis, aqueles que não leem e que não gostam de livros.

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Comecemos por Flicts. A edição comemorativa dos 40 anos deste livro (Ed. Melhoramentos, 2009) é primorosa, mereceu até a transcrição de uma crônica de Drummond — Flicts; o coração da cor, publicada no jornal Correio da Manhã (RJ), em 1969. Vale transcrever o último parágrafo dessa crônica: “Flicts é iluminação — afinal, brotou a palavra — mais fascinante de um achado: a cor, muito além de fenômeno visual, é estado de ser, e é a própria imagem”.

Ziraldo brinca com as cores e as palavras o tempo todo. A linguagem é poética e as cores aparecem em forma de quadrados, círculos, arco-íris, bandeira do Brasil, círculo cromático das cores. As cores primárias e secundárias são apresentadas em círculo e em forma de listras. Cada cor tem uma voz e fala da sua representatividade no universo cromático. Esta edição merece ser revisitada. Flicts é uma poesia visual. Dom Hélder Câmara era tão fascinado por este livro que o recitava de cor.

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Ilustraçao de Ziraldo
Os gatófilos amam o livro Um gato chamado gatinho (Ed. Salamandra, 2000), poemas de Ferreira Gullar e ilustrações de Ângela Lago. É livro cheio de amor pelos bichinhos que dizem amar mais a casa do que seus donos. A reunião dos dois grandes artistas resultou em uma obra de arte.

Para ilustrar este livro, Ângela Lago se inspirou no seu gatinho de estimação. Considerava-o um filósofo, estava sempre imóvel, meditando, tinha um ar de sábio. Gullar contestava a afirmativa de que gato não gosta de gente. No poema O gato é ingrato?, ele afirma que “quem isso inventou/não gosta de gato”. Deixo a palavra com meus amigos gatófilos — Yó e Cláudio Limeira, Germano Romero, Milton Marques Júnior e Ângela Bezerra de Castro.

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Um gato chamado gatinho ▪️ Ilustraçoes Ângela Lago
Um livro de horas (Editora Scipione, 2007) reúne poemas de Emily Dickinson, com seleção, tradução e ilustrações de Ângela Lago. É um livro duplamente bonito. A capa é em papel cartonado na cor vermelha e iluminuras contornam os pequenos poemas. Iluminuras são ilustrações com contornos de flores e volutas que, como bordados, circundavam os manuscritos antigos. Ao lado das iluminuras, Lago apresenta uma pequena ilustração ligada à natureza. Cada poema vem determinado para a hora em que deve ser lido — “hora sem luz”, “hora da dor”, “hora do amor”.

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Livro de Horas, 1372 ▪️ Paris, Biblioca National da França
Emily Dickinson (1830–1886) nasceu em Amherst, Massachusetts, EUA, e é considerada uma das figuras mais relevantes da poesia americana. Dickinson gostava de enviar seus poemas para os leitores mais próximos; eles seguiam na companhia de cartas com flores e tecidos bordados por ela. Os temas das flores e dos bordados eram recorrentes em sua poesia. Acrescentava, em seus manuscritos, o uso de travessões e outros sinais gráficos para lembrar alinhavos, pontos de cruz, pontos cheios. Todos esses detalhes foram assimilados por Ângela Lago que, com grande sensibilidade artística, transformou este livro em um objeto de arte. É ler e conferir.

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Tempo de voo (Editora SM, 2009), texto de Bartolomeu Campos de Queirós e ilustrações do artista plástico espanhol Alfonso Ruano, ganhou, em 2010, o Prêmio de Melhor Livro Juvenil da Fundação Biblioteca Nacional. É um livro que fala sobre o tempo. As ilustrações de relógios e de olhos parecem acompanhar o deslizar do tempo. Ruano é um ilustrador surrealista que representa objetos e pessoas em suas formas reais de forma caótica.

Embora o texto de Bartolomeu seja uma reflexão sobre o tempo, o ilustrador criou vários objetos que estão ligados à tessitura do tempo: sol, novelos de linhas, malas de viagem. O texto verbal é um diálogo entre uma criança e um velho, mas o velho está contido na criança que ele foi um dia. Criança e velho se unificam e dialogam. Para Julián Fuks, o romance moderno revela uma tendência para a autoficção. Este livro juvenil de Bartolomeu se situa nessa nova linha do romance. É bonito de ver, a leitura é poética, filosófica e reflexiva.

São livros que recomendo para quem gosta de ler, para quem gosta de arte e para todos aqueles que são sensíveis à poesia, à literatura e que devotam amor aos livros.

Ziraldo e suas ilustrações

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