ESSE MOÇO Quero me embriagar na tua boca Beber na fonte desse mel Meu tempo é eternamente teu Não importa o quanto dure Teus cabelo...

Com você, tudo é eterno

arlindo correa poesia paraibana
ESSE MOÇO
Quero me embriagar na tua boca Beber na fonte desse mel Meu tempo é eternamente teu Não importa o quanto dure Teus cabelos cinza são ouro pra mim, Veio sem fim A nossa história não é folhetim Me deixa feliz assim, assim Faço questão de não acordar Viver esse sonho, prolongar o amor A esquina é pouco pra mim Quero te levar pra Flórida Como pássaro em migração Tornar nossa vida um eterno verão Se não entende-se o que falo Não faço questão de mudar Falo assim para você Me decifrar, me contemplar Sou pródiga e gasto os segundos, O tempo não conto Pois, com você, tudo é eterno, nada se esvai Cuida de mim, cuida de mim, Nesse mundo, moço cinza Vamos as horas esbanjar Deixar o vento borboletas semear
* assista aqui ao poema cantado por Gê Jota (facebook)
MURMÚRIOS
Do recorte da janela, moldura do nada! Vislumbra em silêncio os meus olhos mudos: Um carro de boi que passa em seu gemido modorrento; Monocórdio, que grita lentamente! Um cachorro magro que corre com um osso na boca! Uma colegial de saia plissada e gravatinha que passa célere! A mesma colegial que depois espio entre as grades que separam o mundo do internato onde a mesma vive! No corredor, anda ligeira, meia-volta volver, sempre, como se estivesse em viço! Não! Apenas ansiedade! Será? Vejo uma freira em passos curtos e rápidos e um padre com uma batina branca, encardida, com as mãos para trás segurando um missal preto-marrom! Meus olhos mudos, apenas murmuram! RISCA DE GIZ
O traço que imprimi em ti, pensei eterno. O traço que imprimi em ti, pensei imune ao tempo! Nada, Pensei...Tempo, intempérie, vento, seria capaz de apagá-lo; mudá-lo. Ilusão... O traço que imprimi em ti foi pó; Foi risca de giz!

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